Foto: Alex Falcão

Que ninguém se engane. A explosão de rostos de estética duvidosa que se vê por aí não é culpa dos preenchimentos, que continuam seguros e eficazes (em boas mãos, claro!), no topo da lista de procedimentos em consultórios de dermatologistas e cirurgiões plásticos – só perdem para as injeções de toxina botulínica.

Aplicados em lábios, têmporas, maçãs do rosto e linhas de expressão, suavizam as marcas do tempo e repõem o volume perdido ao longo dos anos. Adiam e, muitas vezes, até evitam a cirurgia plástica. O problema não é da substância em si, mas do mau uso dela. Seja porque injetou-se demais ou em lugares errados, ou porque aplicou-se o produto sem respeitar a anatomia do paciente, muitos dos que começaram a fazer uso de preenchedores de ácido hialurônico, há mais de cinco anos, têm sido vítimas da chamada “filler fatigue”.

É a necessidade de injetar cada vez mais volume, com menos tempo entre as sessões para manter a pele lisinha. Isso custa tempo e dinheiro – cada ampola de preenchedor varia de R$ 1,5 mil a R$ 2,8 mil. Não é incomum aplicar cinco, seis ampolas em um único procedimento. Quanto mais se usa, maiores as chances de os resultados ficarem cada vez menos naturais e, portanto, mais evidentes.

Para entender melhor a “filler fatigue”, os especialistas usam o exemplo de um balão: você pode inflar e desinflar, mas ele nunca volta à sua forma inicial. Preenchimentos injetados repetidamente na face, podem pesar e deixar a pele mais caída, o que exigiria mais idas ao médico e mais volume para dar conta da flacidez.

A boa notícia é que, com os avanços da tecnologia e um melhor conhecimento das individualidades do rosto de cada paciente, os médicos estão conseguindo atingir resultados naturais com associação de técnicas e preenchimentos faciais de longo prazo. Um “menos é mais” na prática: menos seringas e menos idas aos consultórios para manter a juventude.

Foto: Alex Falcão

O primeiro passo é entender as necessidades de cada um e fazer uma análise tridimensional da face, antes de planejar uma atuação em várias profundidades de tecido. “O processo de envelhecimento acontece na estrutura do rosto como um todo: há perda óssea e atrofia das bolsas de gordura que funcionam como um preenchimento natural, e, com isso, os músculos perdem a tração e ficam menos distendidos”, explica a dermatologista Carla Pecora, da clínica Dermatologie, de São Paulo. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e uma das principais especialistas em injetáveis do País, ela é também speaker da Merz Aesthetics no Brasil e no mundo. Segundo a médica, para cada perda estrutural, há uma forma de agir – e cada rosto tem a sua necessidade.

Já há uma nova geração de preenchedores e bioestimuladores de colágeno com finalidades mais específicas. Por exemplo, para quem perde o contorno inferior, é preciso estruturar profundamente a região, o que se consegue (e com ótimos resultados) com uso de bioestimulador na derme profunda, caso do Radiesse plus, por exemplo. É um gel de hidroxiapatita de cálcio, absorvível pelo organismo que, embora não dê muito volume, reduz flacidez e sinais de envelhecimento. Rejuvenesce sem modificar.

A bioestimulação também pode ser feita em outras áreas da face, usando o Radiesse duo hiperdiluído, distribuindo as partículas de forma homogênea na derme profunda, gerando uma neocolagênese em três a seis meses. O resultado é um efeito de lifting natural. Em outras áreas do rosto, como a região malar, ácido hialurônico, que dá mais volume, funciona melhor.

A associação desses injetáveis com ultrassom microfocado é a grande estrela dos consultórios atualmente. “O Radiesse plus, mais concentrado, e a versão duo hiperdiluído, podem ser aplicados na derme profunda, e o Ulthera, ultrassom microfocado, aquece as fibras e estimula a formação de colágeno novo”, explica Carla. Ele atinge também o SMAS, película que envolve os músculos e só era acessível por cirurgia plástica, melhorando a flacidez da pele. Os efeitos podem durar até dois anos. “A ideia é refazer só o que foi perdido com o tempo. Usando preenchedores na medida certa, é como se apenas ‘completássemos’ o que está faltando”, ensina. “A partir dos 25 anos, o colágeno não é mais produzido na quantidade que perdemos e a conta fica negativa”.

Repõe-se esse prejuízo, aumentando o número de sessões e de seringas à medida que forem necessárias. Como uma poupança de colágeno. “Quanto maior a demora em repor essas perdas, menos natural o resultado”, diz Carla. “Minha meta é não interferir no original, mas enaltecer o belo de cada um.” Se isso pode ser feito com menos idas ao consultório e menos seringas, por que não dizer que temos, enfim, o melhor dos mundos?