Procedimentos menos invasivos substituem lasers e cirurgias no tratamento da flacidez
Foto: Alex Falcão

Entre procedimentos minimamente invasivos, feitos em consultório, e as cirurgias de face lift, mais extensas, com cortes, anestesia e pós-operatório – todos altamente eficazes, mas com indicações próprias, faltava um meio do caminho. Mas essa tecnologia, finalmente, está entre nós – o “nós”, no caso, são pessoas que, em geral, já passaram dos 40 anos, tem alguma flacidez de pele (daquelas que os lasers dermatológicos não dão mais conta), mas nada a ponto de já partir para um procedimento cirúrgico.

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Há um ano, mais ou menos, cirurgiões plásticos e dermatologistas usam a plataforma batizada de Inmode, uma radiofrequência minimamente invasiva, mas que é feita dentro da pele. São feitos pequenos furinhos na derme e, por meio da ponteira FaceTite, aplica-se a tecnologia que faz uma retração instantânea da pele e ainda estimula a formação de colágeno.

O mesmo dispositivo, trazido ao País pela Skintec, tem sido usado com sucesso em procedimentos corporais. Com a ponteira para o corpo, chamada de BodyTite, é feita uma retração da pele de áreas como culote, interno de coxas, abdômen, braços. No mesmo furo de dois a três milímetros, pode-se fazer uma pequena lipoaspiração durante o procedimento, usando a radiofrequência para ajudar a modelar a pele. Os resultados da lipo melhoraram muito com essa tecnologia.

“A procura pela lipoaspiração assistida por radiofrequência vem crescendo pelos resultados positivos, cientificamente consolidados, e pelo baixo nível de risco por ser uma intervenção minimamente invasiva”, diz o cirurgião plástico Leandro Faustino, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Ele ressalta que a técnica também traz bons resultados se associada à lipo HD, na qual o objetivo é a maior definição dos contornos corporais. Com ela, pode-se desenhar mais a musculatura.

Outra vantagem desse procedimento é ser indicado para pacientes com grau mais avançado de flacidez corporal, casos em que a técnica costumava ser desaconselhada. “No entanto, cabe ao cirurgião a indicação do procedimento. Nos casos em que seria recomendada a abdominoplastia, por exemplo, a radiofrequência não vai resolver.”

Voltando ao rosto, a plataforma Inmode atua como uma evolução dos lasers porque é feita diretamente dentro da derme, e não através dela, por meio de uma queimadura interna programada. O médico escolhe a temperatura que quer atingir, entre 55 e 70 graus Celsius. Dá para entender porque o procedimento só deve ser feito pelas mãos de profissionais habilitados, para não haver riscos de queimaduras graves.

Na maioria das vezes, a intervenção é feita em centro cirúrgico, mas ela também pode ser realizada em uma clínica bem equipada, com sedação local. É um procedimento de meia hora a uma hora – já o corporal, segue o tempo da lipo, que pode chegar a até quatro horas, dependendo da quantidade de locais a serem tratados. A alta acontece no mesmo dia e o pós-operatório é rápido e indolor (mais uma vez, isso difere no caso da lipoaspiração).

Há ainda a opção de associar ao aparelho, em alguns casos, a ponteira de microagulhamento que, em combinação com a radiofrequência, melhora a qualidade da pele do rosto ou do corpo. São 24 agulhas que entram a uma profundidade de um a quatro milímetros para estimular o colágeno, com a vantagem de não haver sangramento. Os resultados duram de um ano e meio a dois anos.

Ainda nesse meio do caminho, um outro tratamento que, embora não seja novo, vem chamando a atenção, é o lifting endoscópico. Preste atenção porque você ainda vai ouvir falar bastante dele. Também é indicado para pacientes mais jovens, com queda na cauda da sobrancelha e um pouquinho de flacidez nas maçãs do rosto e bigode chinês. Portanto, se o seu caso é de queda no canto da boca e flacidez de pescoço, esse tratamento (ainda!) não é para você.

O procedimento, realizado com equipamentos de videocirurgia, funciona da seguinte forma: uma microcâmera é introduzida na face por pequenos orifícios, de cerca de dois centímetros, no couro cabeludo, quase sem cicatrizes. “Como o conceito moderno de cirurgia de face é tratar a musculatura e os ligamentos que prendem os tecido faciais, para recuperar a expressão, com a videocirurgia conseguimos trabalhar nestas estruturas delicadas com muita precisão”, afirma o cirurgião plástico Carlos Casagrande, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “Além de mais precisas, essas cirurgias reduzem cortes e buscam uma recuperação mais rápida e maior naturalidade de resultado.” O lifting endoscópico é muito utilizado para suspender especialmente a área dos supercílios (e tratar as rugas entre eles), maçãs do rosto, e aquela famosa papadinha chamada de “bulldog”.

Entre outras vantagens? “A região frontal é difícil de ser tratada quase sem cicatrizes como na videocirurgia. As técnicas convencionais deixam marcas grandes no couro cabeludo (de orelha a orelha) ou em áreas visíveis como sobre os supercílios. Ainda permite um tratamento harmônico, pois faz a suspensão da região frontal e do terço médio em um plano único, devolvendo os traços de jovialidade que eram característicos da pessoa”, lembra o doutor Casagrande. Com anestesia local, o procedimento leva em torno de uma a duas horas, com alta no mesmo dia.

Em resumo, a medicina estética caminha para ampliar ainda mais as condutas de tratamento facial, todas extremamente eficazes e indicadas para diferentes necessidades. Há aquele paciente de consultório, tratável com aparelhos externos, o que inclui todos os lasers e o ultrassom microfocado; tem o paciente do procedimento minimamente invasivo, caso do FaceTite e do lifting endoscópico; e o terceiro estágio é o da cirurgia. Um lifting bem feito hoje dura 15 anos. Essencial é buscar um bom profissional, que saiba orientar a hora certa de cada intervenção, o que evita excessos e arrependimentos. Em meio a tantos recursos, não é difícil se perder no meio do caminho e acabar errando a dose.