Foto: reprpodução/Harper's Bazaar
Foto: reprpodução/Harper’s Bazaar

Por Anna Paula Buchalla

Quem se exercita mais vive mais, e isso não é novidade. O que a ciência dos esportes está descobrindo é que, entre todas as modalidades de exercícios, o aeróbico é o que mais acrescenta anos à vida de uma pessoa.

Se você se anima ao lembrar da caminhada leve que faz dia sim, dia não, melhor repensar. O benefício só vale para quem treina pesado, em atividades aeróbicas de alta intensidade, aquelas que utilizam muito oxigênio mesmo, como corridas e treinos de resistência e de bike.

Para provar isso na prática, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia em Trondheim, na Noruega, criaram uma nova idade, para além da cronológica e da biológica: a idade fitness. Cada um tem a sua, dependendo de quanto e como se pratica a atividade física, e de parâmetros como idade, peso e circunferência da cintura (calcule a sua no site ntnu.edu/cerg/vo2max).

É possível que uma mulher de 40 anos tenha a idade fitness de uma menina de 20 e vice-versa. “A idade fitness é uma ferramenta extremamente eficiente para medir a longevidade de uma pessoa”, diz à Bazaar o professor de Fisiologia Ulrik Wisloff, um dos autores.

Os pesquisadores chegaram a tal nível de precisão medindo o chamado VO2 máximo, que determina a capacidade do organismo de consumir e utilizar oxigênio, de mais de 5 mil homens e mulheres, de 20 a 90 anos. Em uma esteira, a potência cardíaca e a respiratória deles eram levadas ao limite, para medir o nível de aproveitamento da energia pelo corpo. Ao determinar um consumo médio de VO2, eles conseguiram definir parâmetros e, a partir deles, posicionar os pesquisados acima ou abaixo do esperado. Segundo os criadores do cálculo da idade fitness, ela é até mais eficaz para determinar a longevidade de uma pessoa do que fatores como obesidade, colesterol e pressão alta.

Isso pode até soar exagerado, mas, para provar que, quanto maior o consumo de VO2, maior a expectativa de vida de uma pessoa, os pesquisadores utilizaram essa mesma média para cruzar dados de 55 mil adultos noruegueses. A conclusão? Os que tinham o VO2 85% abaixo da média, tinham também risco 82% maior de morrer prematuramente. Os resultados foram publicados na revista científica Medicine & Science in Sports & Exercise.

Ainda que você descubra que sua idade fitness é incrivelmente menor do que sua idade cronológica, vale seguir o conselho do professor Ulrik: “Jamais abandone os treinos de força muscular. Eles têm um papel importante na prevenção das mortes prematuras”. Já para os que se surpreenderam com a idade fitness elevada, a boa notícia é que o ritmo desse relógio corporal pode ser revertido, basta acelerar a esteira ou pisar mais fundo no pedal da bicicleta – e não economizar no VO2 que existe em você.