Foto: Divulgação
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Passar alguns dias no spa pouco tempo antes de encarar o verão europeu é o tipo de convite irrecusável. Já sabia da existência da Lapinha pelo meu pai, que é endocrinologista e encaminha muitos pacientes para lá há anos. Mas a ideia de me internar em um hotel-clínica focado em emagrecimento parecia bem distante da realidade – nunca estive exatamente fora do peso e a saúde sempre esteve em dia (em família de médico, exames de rotina são tipo obrigatórios).

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Desembarquei em Curitiba, onde um motorista particular me aguardava. Da capital curitibana até a cidade histórica da Lapa dá aproximadamente 1h30 de carro. Antes mesmo de completar o check in, fui encaminhada para a primeira consulta. Sempre rola aquele frio na barriga ao subir na balança, mas o resultado não foi tão desesperador.

Optei pelo programa de controle de estresse, sem me apegar à perda de peso: decidi com o médico que faria uma dieta equilibrada de 1.400 calorias com foco em saúde. O objetivo era verdadeiramente relaxar; perder medidas seria consequência. Até de celular fiz detox – foram quatro dias inteiros sem pegar no aparelho.

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Os dias começam e terminam cedo na Lapinha. Ainda em jejum, às seis da manhã, os mais dispostos enfrentam longas caminhadas pelas estradas de terra da região. Encarei a aventura um único dia.

Às oito em ponto, o café começa a ser servido, em mini porções: pão integral, geleia caseira ou cottage e mix de frutas. Antes da primeira mordida, um shot do amargo chá de taiuiá, casca de árvore com poderes antiinflamatórios e diuréticos, facilmente encontrada em casas de produtos naturais.

Com filosofia naturista e dieta ovo-lactovegetariana, que elimina todo e qualquer tipo de carne animal do cardápio, a Lapinha tem suas restrições. Ingestão de líquidos durante as refeições e consumo de café durante toda a estadia, por exemplo, são proibidos. O líquido dilata o estômago e provoca uma sensação de inchaço abdominal; já a acidez do café pode ser altamente tóxica, indo totalmente contra o cardápio detox do spa.

Mas difícil mesmo é driblar a falta de sal nas preparações, especialmente nas sopas noturnas. Temperos como curry, salsinha e cebolinha são usados como disfarce para quem, como eu, ama comida salgada.

Não dá nem tempo de sentir fome com a dieta recheada de frutas e verduras preparada pela nutri Marcieli Bandeira. Durante o dia, o truque é beber muito líquido. Me apeguei demais à água gelada com limão espremido, excelente para eliminar bactérias e toxinas do organismo.

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Preencher a agenda com atividades físicas e se jogar nas deliciosas massagens oferecidas no spa também ajuda a esquecer da dieta. Na carta de terapias corporais há técnicas asiática, sueca, com óleo, ventosas, sal e até debaixo d’água. Em muitas delas, a trilha sonora é o próprio som dos pássaros. Relax total!

A área verde, aliás, é um dos grandes diferenciais da Lapinha. Os bosques com trilhas naturais cercadas de riachos, hortênsias e imbuias, árvores típicas da região, e as hortas e pomares recheados dos mais diversos ingredientes – todos orgânicos! – usados para preparar as quatro refeições servidas diariamente chamam atenção logo de cara.

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A produção própria faz tanto sucesso que é comercializada em variados pontos de venda. E as receitas não têm grandes segredos; podem ser aprendidas facilmente em uma das aulas de culinária oferecidas semanalmente, ou nos livros à venda na recepção.

A vibe é tão boa que nem dá vontade de trapacear a dieta. Não peguei pesado na atividade física, relaxei profundamente nas massagens e li dois livros inteiros. Na manhã do sexto dia, a surpresa: emagreci um quilo e meio! Fui embora me sentindo a pessoa mais saudável do mundo, super disposta e animada para levar o que aprendi para a vida real.

Quatro hábitos saudáveis pós-spa
Algumas pessoas torcem o nariz para spas, com argumento de que todo o peso perdido na estadia pode (e muito provavelmente vai) ser recuperado com facilidade no pós-tratamento. Na Lapinha, o olhar já é diferente: depois de uma semana, é possível entender que a imersão em um estilo de vida extremamente saudável, muitas vezes longe da realidade, serve como um tratamento de choque bem positivo. E dá a maior vontade de levar alguns aprendizados para a vida real.

1. Prestar mais atenção no que comer. O velho cliché “você é o que você come” é a verdade mais absoluta que se aprende nos dias de spa. A sacada é passar a olhar para o prato e pensar que tipo de benefício cada alimento ia trazer não apenas para o corpo, mas para o organismo. No fundo todo mundo sabe o que faz bem e o que faz mal. E escorregar de vez em quando até que faz bem para a alma. Mas estilo de vida saudável exige disciplina, e quem escolhe esse caminho sempre é recompensado.

2. Comer mais vezes ao dia. O cardápio da Lapinha é organizado em três refeições principais e uma intermediária. As porções são obviamente pequenas, e muitas vezes não saciam imediatamente. Mas esse é um dos segredos de ninguém querer subir pelas paredes durante o tratamento — não dá tempo de sentir fome!

3. Separar uma hora por semana para relaxar. E isso não inclui ir ao cinema, assistir a uma partida de tênis ou tomar uma taça de vinho. Estamos falando de parar tudo para curtir um álbum de música novo, preparar um banho de banheira com sal marinho, fazer um escalda-pés ou uma massagem caprichada, ou ainda meditar. A ideia é ter momentos só seus, focar no seu corpo e esquecer dos problemas do mundo externo por alguns instantes.

4. Acordar cedo. E fazer atividades físicas logo pela manhã. Basta lembrar que Deus fez o dia para ser vivido e a noite para ser descansada. Os dias no spa começam quase de madrugada, então é comum suar cedo, antes do sol ficar mais forte. É tiro e queda: essa rotina dá energia e sensação de dever cumprido.

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Vinicius Belo é o novo colunista da Bazaar