Quatro novidades para tratar a pele em 2020

Ciência não para e promete boas surpresas para o ano que vem

by Anna Paula Buchalla
Foto: Alex Falcão

Foto: Alex Falcão

A medicina estética já nos entregou alguns bons sonhos possíveis – de tratamentos customizados a testes de DNA que predizem como sua pele envelhecerá, passando por gadgets caseiros e equipamentos de ponta para rejuvenescer, esticar e melhorar a textura da pele. Hoje, temos um arsenal potente pró-idade, mas a ciência não para e promete boas surpresas para 2020.

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“Uma das principais tendências é a busca por procedimentos menos artificiais”, resume o cirurgião plástico Bruno Fellice Zampieri, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “O foco é a revitalização da pele e a produção de colágeno por diversos estímulos, principalmente por meio de bioestimuladores (como o Radiesse) e do ultrassom microfocado Ulthera.”

Bazaar ouviu especialistas que apontam as principais novidades em técnicas, produtos e procedimentos que estão chegando aos consultórios:

INJETÁVEIS MAIS POTENTES
Enquanto as toxinas botulínicas tendem a durar alguns meses, a Allergan, fabricante do botox, adquiriu, recentemente, a empresa de biotecnologia Bonti, que está desenvolvendo um injetável antirrugas de ação rápida. Os resultados finais aparecem em 24 horas (contra alguns dias dos similares), e o efeito dura até um mês, o que é perfeito para quem não quer encarar uma mudança duradoura, caso não fique feliz com o resultado.

Já uma outra companhia de biotecnologia, a Revance, está desenvolvendo o Daxi, um neuromodelador que se propõe a durar até seis meses, graças à ação de um peptídeo inovador. Os dermatologistas também aguardam a chegada de novas versões do botox, até em concentrações maiores, com resultados mais duradouros. “A toxina botulínica pura (cujo nome comercial é Xeomim) é uma nova tendência. Estudos recentes mostraram que as toxinas ‘comuns’, quando aplicadas repetidas vezes, podem ter sua eficácia diminuída devido à ativação do sistema imunológico”, explica o doutor Bruno Zampieri.

O NOVO JEITO DE APLICAR O BOTOX
Anote este nome: ONE21 é a mais nova forma de aplicar a toxina botulínica, com efeitos extremamente naturais. O procedimento, da Merz Aesthetics, empresa que criou um tipo de toxina A purificada, o Xeomin, foi criado pela dermatologista Carla Pecora, de São Paulo. A técnica de aplicação é uma evolução do Grid21, que modela sobrancelhas e trata a região da testa, mapeando 21 pontos.

Agora, o método traz alguns avanços importantes e o principal deles é a customização. O nome, aliás, faz referência a ONE-TO-ONE (um a um), ou seja, o tratamento é personalizado. Uma das áreas mais enfocadas nesse procedimento é a glabela, que fica entre as sobrancelhas, e dá o ar de “bravo” ou “triste” ao semblante.

Segundo a dermatologista Carla Pecora, a glabela é uma região importante para alcançar sucesso no tratamento de toxina botulínica e essencial na manutenção do equilíbrio das forças musculares. Durante o desenvolvimento da técnica, foi realizado um estudo aprofundado de anatomia facial na região.

Chegou-se à conclusão que as rugas formadas na área glabelar são perpendiculares às fibras musculares, o que torna possível interpretar as linhas e descobrir quais músculos estão envolvidos nesse padrão específico. “A partir daí, identificou-se a origem e a inserção de cada músculo e sua localização, para definir as marcações exatas na área. Assim, além dos 21 pontos possíveis definidos no Grid21, foram introduzidos mais 10 pontos na área da glabela”, conta Carla Pecora. “Com essa nova técnica, os resultados são precisos e consistentes”, diz.

CONTORNO MARCADO
A novidade para melhorar o contorno do rosto (a perda dele é um dos efeitos mais evidentes do envelhecimento) atende pelo nome de Collagen Match, associação de bioestimuladores, como Radiesse, e do ultrassom microfocado Ultherapy, para estimular a produção de colágeno. Esses bioestimuladores induzem o próprio corpo a produzir o colágeno de forma natural, melhorando a firmeza e o viço da pele.

“O uso dos ácidos hialurônicos, nas diversas densidades, também tem ajudado muito, principalmente na hidratação da pele por meio de skinboosters, e na harmonização facial da área ao redor dos olhos, no contorno da mandíbula e da região malar, para aqueles pacientes que desejam um resultado imediato e que não querem passar por um procedimento cirúrgico e nem pelo pós-operatório”, diz o cirurgião plástico Bruno Zampieri. “Mas, para os que querem um resultado duradouro, a opção é o uso de próteses de porex (material poroso que se coloca na região da mandíbula para aumentar o rosto, dando uma angulação mais harmônica e aumento do queixo) por meio de cirurgia”, explica.

O uso de próteses de silicone não é indicado, já que muitos estudos mostram uma reabsorção óssea abaixo dela, o que não ocorre com o porex.

A ARTE DE SABER ESCOLHER O PROCEDIMENTO
Os equipamentos mais modernos hoje conseguem aquecer o tecido em maior profundidade para estimular o colágeno. Mas não é porque aquele laser incrível acaba de chegar ao consultório que ele é indicado para você. E isso vale principalmente para o rosto. Equipamentos de radiofrequência e ultrassons micro e macrofocados, por exemplo, podem agir em profundidades de até 4,5 milímetros.

No entanto, a questão é que pode acontecer de ele derreter a gordura depositada nessa área, e perdê-la pode ser um fator crucial de envelhecimento (exatamente o oposto do que fazem os preenchedores, que dão volume à face). “Daí a importância, cada vez maior, dos estudos que mostram como varia a espessura da pele na face e alertam sobre a importância que tem o conhecimento médico anatômico na escolha dos aparelhos a serem utilizados em determinado tratamento. A melhoria pode ser conseguida na epiderme (aspecto da pele), na derme (colágeno e firmeza) ou no músculo (firmeza)”, diz a médica Cinthia Sarkis, da clínica de dermatologia e alergia que leva seu nome, em São Paulo. “Não é porque o aparelho acaba de ser lançado que devemos escolhê-lo, até porque nem tudo serve para todos!”, diz. “Existe muita ciência por trás de nossas decisões.”