Foto: Harper´s Bazaar Brasil
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Por Anna Paula Buchalla

Guarde bem esse nome: Low Pressure Fitness. A técnica, também conhecida como treino hipopressivo, chegou ao País no finalzinho do ano passado e já está fazendo o abdômen de muita gente nas academias. Se você pensou em séries exaustivas de abdominais, esqueça. A regra, aqui, é respirar, encolher a barriga e prender a respiração por alguns segundos antes de soltar. Parece simples, mas a aula é bastante intensa. O método, criado nos anos 80 pelo fisioterapeuta belga Marcel Caufriez, especializado em reabilitação, ganhou bastante popularidade na Europa ao longo dos anos, mas só agora desembarca no Brasil. Ele utiliza também posturas isométricas (aquelas posições estáticas que requerem bastante força muscular) para fortalecer o tônus do abdômen. O resultado é uma barriga bem mais sequinha – a promessa é de até 12 centímetros a menos em dois meses.

Assim como na ioga e no Pilates, a respiração é a base de todo o exercício – a inspiração e a expiração são usadas para produzir energia e coordenar as posturas. “Na ioga, a respiração lenta e controlada traz vitalidade e força ao movimento, trabalhando o diafragma e o abdômen”, explica o instrutor André Meyer, do centro Gam Yoga, de São Paulo. Além disso, na técnica milenar e no Pilates, a ativação do core faz com que os músculos abdominais sejam bastante exigidos durante todos os movimentos. Mas é só até aí que vão as semelhanças.“No caso do hipopressivo, a sucção do abdômen é feita com o pulmão livre de todo o ar”, ensina Alexandre Alves, instrutor de fitness e um dos precursores do hipopressivo no País.

O treinador explica que, na essência, esse é o verdadeiro treino da barriga negativa. São diversas posturas feitas em pé, ajoelhada, sentada e deitada, sempre encolhendo a barriga, em apneia. “Os exercícios foram criados de forma que a contração muscular na região produza um efeito de vácuo, que aspira as vísceras para cima. Ao mesmo tempo, eles comprovadamente tonificam a parede abdominal”, diz Alexandre. Em outras palavras, os exercícios literalmente empurram a barriga para dentro. As aulas duram 30 minutos e devem ser feitas três vezes por semana. Os resultados são rápidos, e o método é especialmente bom para as mães recentes, que atribuem a ele a volta à forma em menos tempo.  Adriana Lima, Miranda Kerr e Karolina Kurkova recorreram ao hipopressivo no pós-parto.

Foto: Harper´s Bazaar Brasil
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Não é de hoje que se sabe que o abdominal é insuficiente para reduzir a circunferência da barriga e (pesadelo!) pode até deixá-la mais proeminente. Isso porque, se a camada de gordura que cobre o músculo não for eliminada, ela pode ser empurrada para a frente com a hipertrofia muscular. Além disso, uma corrente de médicos e fisioterapeutas vêm alertando para os riscos de incontinência urinária provocados por esse tipo de treino, especialmente entre atletas. O princípio é o de que os abdominais forçam a parede pélvica para baixo e aumentam a pressão intra-abdominal, responsável, entre outros, pelo controle da urina.

Um estudo português publicado na revista científica International Journal of Gynaecology and Obstetrics analisou 106 atletas, com idade média de 19,9 anos, e mostrou que 41,5% delas tinham relatado problemas de incontinência urinária. Os pesquisadores da Universidade de Aveiro, em Portugal, concluíram que o impacto é grande e pode se dever à pressão intra-abdominal. “Os abdominais tradicionais exigem um trabalho dos músculos maiores e pode ocorrer, sim, uma sobrecarga sobre o assoalho pélvico, que está embaixo”, afirma a fisioterapeuta pélvica Liris Wuo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ela recomenda, ao fazer o abdominal convencional, verificar se sua barriga fica com uma bolinha para fora na região do umbigo, como se o músculo ficasse estufado. “Isso mostra que ele não responde bem à pressão abdominal”, afirma.

A receita da barriga chapada, portanto? Exercícios aeróbicos para queimar a gordura, combinados aos de fortalecimento do abdômen e alimentação saudável. Oitenta por cento da redução da gordura abdominal se deve à alimentação e só 20% aos exercícios. “Devem-se evitar alimentos fritos, refrigerantes e doces, não ficar em jejum prolongado e manter uma variedade de alimentos”, diz a nutricionista Thais Bufalo Moraes, da Pronto Light, especializada em cardápios fitness.

Ela sugere incluir na dieta da barriga negativa abacate (“devido às altas quantidades de gordura, seu poder de saciedade é maior”), peixes e frutos do mar, que são ótimos anti-inflamatórios, já que o acúmulo de gordura é uma inflamação, e óleos como o de coco, cártamo e semente de gergelim, que atuam no metabolismo das gorduras. Chás verde, preto, mate e café também são recomendados, pois aceleram o metabolismo e ajudam a emagrecer.