Foto: Divulgação
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Por Victoria Hall

“Na minha opinião, senhor, cabelos ruivos são perigosos”, diz o impecável mordomo de Obrigado, Jeeves, de PG Wodehouse. É uma felicidade, portanto, que Jeeves não tenha vivido para ver a legião de modelos ruivas que andam pelas passarelas de quase todos os grandes desfiles. Para mim, a fascinação por madeixas ricas e rubras começou com a pintura de Ofélia por John Everett Millais, encarnada por Elizabeth Siddall, uma inflamada musa pré-Rafaelita que se casou com Dante Gabriel Rossetti. A pobre Elizabeth sofreu muito como modelo – teve pneumonia por ficar numa banheira de água fria para encarnar a heroína trágica de Shakespeare –, mas há uma nova geração de ruivas (incluindo Karen Elson, Jessica Chastain e Julianne Moore) para gerar interesse nos dias de hoje.

Os novos ruivos não são pilares remanescentes da era punk ou madeixas lavadas e enferrujadas feitas com hena caseira; o vermelho de agora é chamativo, caro e glamouroso. É uma cor de alta moda: a diferença entre um kit de pintura feito em casa e luzes luxuosas de salão. “Para funcionar, a cor precisa ser definida e ousada, crível e de aparência natural”, conta o colorista Josh Wood, enquanto pinta meu cabelo com uma tinta tangerina. O objetivo é transformar meus castanhos cotidianos em um vermelho Karen Elson. Duas horas depois, Wood entrega o prometido.

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A mudança parece dramática e, embora eu só esteja ruiva há pouco tempo, já aprendi a mudar minha maquiagem e reorganizar o guarda-roupa: um pouco mais de make nos olhos e bronzer são necessários, vestidos e blusas vermelho-vivo devem ser evitados. É uma cor de alta manutenção, mais visível e que exige um visual com glamour de Rita Hayworth.

O aumento no número de ruivas pelas ruas é significativo e uma prova dessa ascensão é que Gail Federici, fundadora da Color Wow, acaba de lançar o best-seller da marca, Root Cover Up, na cor vermelha. “Não havia a demanda que temos hoje quando lançamos”, diz Federici. “E levamos mais tempo para desenvolver um tom que funcionasse para todas as variações, do ruivo claro ao mogno.” O Root Cover Up da Color Wow, assim como o vermelho Wood’s Blending Wand, são investimentos essenciais na hora de virar ruiva, já que as raízes começam a ficar visíveis em três semanas.

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Esse é o problema da cor: “Vermelho se esvai mais depressa e isso é mais evidente do que com qualquer outro tom”, diz o colorista Jack Howard. Para prevenir que seus cabelos enferrujem, experimente produtos que resgatam cores como Madder Root Shampoo e Colour Conditioning da Aveda, a linha Radiant Red de John Frieda, e Red Reviving Illuminating Caring Oil da Pureology. Este último ajuda a rehidratar o cabelo, deixando as pontas suaves e macias.

Eu pretendo manter as madeixas vibrantes, mas ainda é uma cor que divide opiniões e que fica na parte mais ousada do espectro. Apesar da nova pegada glamourosa do tom, Jeeves pode descansar em paz sabendo que as ruivas nunca alcançaram os volumes de loiras ou morenas. Isso não significa, no entanto, que o resto não pode aprender uma coisa ou duas das ruivas, como explica Wood: “Dá pra sentir que tons mais ricos e vermelhos são os certos agora. Mesmo os loiros estão ficando mais rosas e quentes, ao invés de frios.”

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