Paciente preferencial é aquele com excesso de gordura abdominal, os famosos "pneuzinhos" - Foto: Arquivo Bazaar
Paciente preferencial é aquele com excesso de gordura abdominal, os famosos “pneuzinhos” – Foto: Arquivo Bazaar

Um remédio indicado para o tratamento do diabetes será a nova estrela dos consultórios dos endocrinologistas. A semaglutida – aprovada recentemente pelo FDA, órgão que regula a venda de alimentos e remédios nos Estados Unidos e voltada para o tratamento do diabetes tipo 2 – oferece resultados excelentes também para combater a obesidade em pessoas que não necessariamente sofrem da doença.

Em abril passado, as primeiras pesquisas com o remédio, do laboratório dinamarquês Novo Nordisk, foram apresentadas durante o congresso da Endocrine Society, que aconteceu em Chicago, o maior e mais importante dessa área médica. Em média, as pessoas perderam cinco quilos ao longo de um período de 12 semanas após receberem doses semanais de semaglutida.

“Esse novo medicamento já é considerado o mais potente de toda a história dos anorexígenos. É também a medicação mais potente para tratar diabetes e pré-diabetes”, diz o endocrinologista Maurício Hirata, diretor da clínica que leva seu nome, na capital paulista. “Ela tem o dobro da potência da liraglutida (cujos nomes comerciais são Victoza e Saxenda) e é de aplicação semanal. Também já está em estudo a versão oral desse remédio, com resultados animadores”, revela o médico.

A expectativa é de que a semaglutida seja lançada ainda neste semestre nos Estados Unidos. Durante 52 semanas, 957 pacientes fizeram uso de 0,4mg de semaglutida diariamente e, ao final do estudo, 65% dos participantes perderam mais de 10% de peso corporal.

A maior parte da perda de peso veio da redução na gordura do corpo, disseram pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, depois de revisarem sua eficácia.

Mas o que mais impressionou os estudiosos foi que a droga reduziu os desejos por comida. Os participantes escolheram comer refeições menores, dando preferência a alimentos com menor teor de gordura.

Em breve, a semaglutida vai estar disponível também no mercado brasileiro, em forma de caneta para uso subcutâneo semanal. Assim como ocorre com outros medicamentos para o diabetes, a tendência é que ela seja prescrita cada vez mais para quem não é diabético, mas quer apenas perder peso.

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A substância possui estrutura química muito semelhante ao hormônio GLP-1, que atua no centro de controle do apetite no cérebro para reduzir a sensação de fome. O medicamento também ajuda a estabilizar a função da insulina, o hormônio que transporta o açúcar do sangue para o interior das células.

Boa parte dos diabéticos não produz a insulina em quantidade adequada, o que aumenta as taxas de açúcar no sangue. Graças aos conhecimentos sobre o diabetes, descobriu-se que a insulina é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento da obesidade. Em excesso, ela faz com que o organismo produza mais gordura. Ou seja, engorda.

O paciente preferencial é aquele com excesso de gordura abdominal, os famosos pneuzinhos. Isso porque esse tipo de gordura concentrada, em geral, está relacionado à resistência à insulina.

A semaglutida sintetiza uma tendência no campo de pesquisas da indústria farmacêutica: a criação de remédios contra a obesidade que agem nos componentes da síndrome metabólica, um dos principais males da vida moderna e que já tem quase status de epidemia mundial.

Gordura abdominal e resistência à insulina são dois dos principais componentes da síndrome, que prevê ainda a associação de outros distúrbios, como colesterol alto e hipertensão.

Evidentemente, os efeitos do remédio só valem com dieta. Não existem milagres. “O ideal é que sejam eliminados os carboidratos e os alimentos de alto índice glicêmico, que são transformados, rapidamente, em glicose. Além disso, aconselho exercícios físicos para os músculos captarem a energia circulante no organismo”, orienta o endocrinologista Maurício Hirata.