Foto: José Cabaço
Foto: José Cabaço

Por Anna Paula Buchalla

Esqueça tudo o que você ouviu até agora sobre os malefícios da gordura. Um painel de especialistas ingleses em nutrição acaba de divulgar um documento condenando veemente- mente todo e qualquer produto com os dizeres low fat (baixo teor de gordura) e light. No entender deles, um prato de ovos com bacon é muito mais saudável do que os industrializados livres de gordura ou açúcar.“Os produtos low fat deveriam nos deixar mais magros e saudáveis, mas fizeram exatamente o oposto”, escreveu a nutricionista Christine Cronau, uma das signatárias do relatório do Fórum Nacional de Obesidade da Inglaterra. De acordo com ela, o medo das gorduras naturais afastou as pessoas dos alimentos saudáveis e promoveu uma epidemia de obesidade e diabetes tipo 2.“Precisamos voltar a consumir comidas reais e gorduras reais e deixar de lado os processados, ricos em açúcar e sódio”, defendeu a especialista. O documento condena ainda produtos com redução de colesterol e carboidratos refinados.

Estão na mira os iogurtes e queijos com pouca gordura, sucos de caixinha, smoothies prontos, chips de vegetais, molhos prontos de salada sem gordura, alguns tipos de granolas, barrinhas de cereais, frutas secas, pães e bolachas feitos com farinha refinada, refrigerantes diet. Basicamente, o que se descobriu ao longo dos anos foi que os alimentos low fat, diet ou light, por serem altamente modificados de seu estado natural, não nutrem e não satisfazem a fome. Eles têm mais açúcares, óleos processados e nutrientes fortificantes que “enganam” o organismo. O documento de 40 páginas ainda orienta a população a parar de contar calorias como forma de perder peso.

Evidentemente, o conteúdo do relatório gerou polêmica.A corrente mais tradicional da medicina prega que a gordura saturada e o excesso de calorias são as principais causas da epidemia de doenças metabólicas, como obesidade e diabetes. Mas é consenso que, entre os alimentos industrializados, há os “falsos” saudáveis. Um rótulo com zero gordura, por exemplo, pode esconder calorias demais, sódio, açúcar (para melhorar o sabor) e outros aditivos que são verdadeiros venenos ao organismo.Também é consenso que nada substitui os alimentos naturais de verdade, com ingredientes facilmente identificáveis e conhecidos. Bazaar ouviu nutricionistas, que elencaram os principais vilões disfarçados de bonzinhos.Eles são unânimes em dizer que,antes de colocar na sua despensa, o mais importante é saber de onde veio e como foi feito o alimento que você pretende comprar.“O ideal é sempre ler o rótulo. Se a palavra açúcar ou suas variações – maltodextrina, xarope de glicose, frutose e sacarose – estiverem entre os três primeiros ingredientes, esqueça, o produto tem açúcar demais”, ensina a nutricionista Daniela Cyrulin, da consultoria Nutri & Consult. “Recomendo que você compre produtos em que reconheça os ingredientes dos rótulos, que eles sejam pronunciáveis e não estejam em uma lista muito extensa.”

IOGURTE
“Iogurte de verdade é feito de leite e fermento lácteo, e existem poucas marcas assim no mercado.A maioria é uma mistura de ingredientes como açúcar invertido, leite em pó reconstituído e goma xantana, o que, na verdade, é bebida láctea”, alerta a nutricionista Daniela Cyrulin, da Nutri & Consult. Segundo ela, mesmo os gregos são repletos de espessantes e conservantes. Os zero ou light são piores, porque têm aditivos para manter sabor e textura.Algumas marcas se salvam, como Yorgus e Delicari.

BLANQUET E PEITO DE PERU
São ricos em sódio e substâncias consideradas cancerígenas que os deixam com aquela coloração rosada. Isso acontece em todos os embutidos, mas, por ser menos calórico, o peito de peru acabou ficando com fama de “saudável”.

REFRIGERANTES DIET/ZERO
A Coca-Cola até lançou uma versão com stévia, que é um tipo de adoçante mais natural, assim como o xylitol.“Os adoçantes artificiais bagunçam nossos hormônios de fome e saciedade, fazendo com que, depois que os ingerimos, tenhamos vontade de beliscar ou comer doces o dia todo”, explica Daniela.Além disso, nosso organismo não os reconhece como alimento e eles são armazenados na forma de toxinas. Os produtos light têm 30% a menos de algum nutriente.

REQUEIJÕES E QUEIJOS COM REDUÇÃO DE GORDURA
Ok, eles têm menos gordura, de fato. Mas, para manter sua textura, têm amido adicionado às suas fórmulas. E, dessa maneira, acabam ficando com índice glicêmico alto, ou seja, engordam e podem, a longo prazo, causar resistência à insulina e aumentar o risco de diabetes.

GRANOLA
Feita com sementes, frutos secos e cereais torrados, a maioria das granolas é muito calórica por causa do açúcar. Elas podem ser completamente diferentes, apesar das quantidades calóricas semelhantes. Opte pelas versões com flocos de aveia, nozes, coco ralado, sementes e mel e fuja das que têm xarope de glucose. O ideal é não exceder duas colheres de sopa de granola sem glúten por dia, sempre de olho nas quantidades de açúcar, conservantes e aditivos.

CHIPS DE VEGETAIS
Muitos são feitos com um misto de farinha de batata com pequenas quantidades de extratos de vegetais, o que significa pouquíssimo valor nutricional. Mesmo nas marcas que levam os vegetais in natura, no fim das contas eles acabam sendo fritos e excessivamente salgados.

BARRINHAS DE CEREAIS
Existem muitas no mercado que têm mais açúcar do que uma barra de chocolate. Algumas marcas até são ricas em fibras e têm pouco açúcar adicionado, mas é preciso prestar atenção ao rótulo.“A grande maioria das barrinhas de cereais é disfarçada de light. Além de possuir grande quantidade de carboidratos refinados com açúcar ou xarope de milho, contém muito sódio, gorduras “ruins”, conservantes artificiais e quase nada de fibras e proteínas”, alerta o nutricionista funcional Daniel Cady.

CRANBERRIES DESIDRATADOS
Aparentemente, são supersaudáveis por suas propriedades antioxidantes. Mas uma colher de sobremesa tem cerca de 25 gramas de açúcar. Isso explica por que os cranberries desidratados têm 123 gramas por porção, enquanto a versão natural tem apenas 15 calorias.