Self-care vira palavra de ordem e receita de uma vida mais saudável

O conceito, aliás, já está por trás da fórmula de uma nova leva de cosméticos

by Anna Paula Buchalla
Foto: Arquivo Harper's Bazaar

Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Em tempos de healthy lifestyle, uma # está cada vez mais em alta nas redes sociais. Uma pesquisa rápida, e só no Instagram aparecem 15 milhões de publicações com a #selfcare. Um Google no termo “self-care” e mais de 50 mil resultados saltam na tela, só no site da Amazon, em livros de autoajuda com títulos como “Self-Care for the Real World” ou “The Smart Girls Guide to Self-Care” e, ainda, “The Book of Self-Care”.

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Em uma tradução rápida, a expressão significa autocuidado – tudo aquilo que você faz para seu bel-prazer, mas a condição é que seja feito única e exclusivamente por (e para) você. O self-care pode vir de várias formas: apps de meditação, uma manhã em um spa, uma massagem, uma sessão de make, uma máscara facial caseira – aliás, esta última é uma das mais associadas à #selfcare nas redes sociais.

Pode até parecer mais uma vertente egoísta típica da geração millennial, que não parece aguentar muito a pressão de estudos e de trabalho, da vida, enfim, e tende sempre a recorrer a experiências prazerosas como forma de compensação. Mas, na essência, é bem mais do que isso.

As pessoas estão aprendendo a se cuidar e a encarar o fato cada vez mais como um prazer e menos como uma obrigação. No início dos anos 2000, fomos bombardeados com tudo o que não poderíamos mais fazer, sob pena de ver a morte cada vez mais perto. Ingerir ovo, café, carne vermelha e gordura trans; ou comer qualquer coisa com farinha branca e açúcar refinado; abandonar o álcool, mesmo aquelas tacinhas eventuais.

A cartilha da boa saúde também nos ensinava tudo o que deveria constar em um dia movido a regras perfeitas: três litros de água mineral, quatro a cinco porções de frutas, a mesma quantidade de vegetais, carnes magras e muito exercício físico diário para manter corpo e mente em equilíbrio. E, claro, afastar doenças.

Foto: Arquivo Harper's Bazaar

Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

A verdade é que essa ditadura do bem-estar teve seus reflexos para o bem e para o mal. Fazer dessa rotina uma obrigação era quase como tomar um remédio amargo todos os dias, com a garantia de que se viveria mais. Mas, e o prazer? Passadas quase duas décadas, o que ficou desse excesso de obrigações foi a volta ao equilíbrio e o aprendizado de que tudo isso é, sim, essencial.

Mas também de nada vale uma rotina espartana de cuidados se não houver amor envolvido. E é o amor-próprio a chave de tudo. O melhor exemplo desse novo lifestyle veio das coreanas. Com uma rotina de cuidados com o rosto, que envolve nada menos do que 10 passos – da lavagem ao último creme antirrugas –, elas estimularam toda uma geração a curtir esse ritual.

Ou seja, a amar se cuidar, aquele momento de autoindulgência em que você é a prioridade. O que antes parecia chato virou o almejado self-care. Em uma pesquisa recente encomendada pela Avon e feita pelo Ibope Conecta com brasileiras de 25 a 60 anos, de todas as regiões, ficou evidenciado que os hábitos de beleza, hoje, se aproximam mais de um momento de prazer do que de obrigação.

Os resultados mostraram que 83% das mulheres cuidam da pele motivadas por um sentimento positivo de prazer, ainda que reconheçam que esse cuidado é necessário. Cerca de 48% do total respondeu que os sentimentos de bem-estar e saúde são os mais importantes em relação ao cuidado do rosto, enquanto que apenas 27% destacaram que cuidam da pele para se sentirem mais bonitas.

“É um novo perfil de mulheres que priorizam cada vez mais soluções que sejam acessíveis e práticas de serem incorporadas ao dia a dia”, diz Denise Figueiredo, diretora de marketing da categoria skincare da Avon.

Não à toa, as marcas de cosméticos passaram, recentemente, a investir em produtos cujo conceito é tratar e embelezar, mas também refrescar a mente, reenergizar o corpo e reabastecer a alma. Este, aliás, é o tripé de uma nova label da qual a tenista Venus Williams é uma das investidoras, a Asutra, uma das primeiras focadas exclusivamente no self-care.

Não se espante se uma nova leva de cosméticos com este selo invadir as prateleiras das lojas de beleza muito em breve. É o amor-próprio, embalado em potinhos.

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