Rabos de cavalo gráficos e minimalistas de Stella McCartney - Fotos: Getty Images
Rabos de cavalo gráficos e minimalistas de Stella McCartney – Fotos: Getty Images

Por Anna Paula Buchalla

Eugene Souleiman é um dos cabeleireiros mais inventivos e influentes do mundo. As criações visionárias do inglês, que é diretor criativo global da Wella Professionals, inspiram hairstylists do mundo todo. Eugene comandou o backstage de alguns dos mais incríveis desfiles de verão 2015 de Nova York, Londres e Paris.

Tranças revisitadas de DKNY - Fotos: Getty Images
Tranças revisitadas de DKNY – Fotos: Getty Images

São dele os looks mais fresh e orgânicos da temporada como os rabos de cavalo gráficos e minimalistas de Stella McCartney e as tranças revisitadas de DKNY. Texturas naturais, fios com muito brilho e, claro, grafismos, como as franjas soltas e flutuantes de Issey Miyake são as tendências detectadas pelos olhos e pelas mãos de Eugene, que participou do Trend Vision Awards da Wella, em Mônaco.

O evento apresenta as principais tendências das próximas temporadas e premia os melhores cabeleireiros de todo o mundo. De lá, Bazaar conversou com Eugene:

Harper’s Bazaar: Onde e como você encontra inspiração para novas ideias?
Eugene Souleiman: Para mim não é um processo criativo único. Tive e tenho a sorte de trabalhar com as pessoas mais criativas do mundo da moda e da beleza. São elas que me abastecem com novas ideias, como Karl Lagerfeld e Miuccia Prada, por exemplo, com quem tive o prazer de trabalhar em alguns backstages. Além disso, me interesso por tudo o que está ao meu redor: o look das ruas e, claro, as mulheres bonitas. São elas, aliás, minhas grandes inspiradoras. E não falo da beleza clássica, das proporções perfeitas. Falo da beleza que não é óbvia, mas abstrata e instigante.

Raquel Zimmerman: "Minha favorita desde sempre" - Foto: Getty Images
Raquel Zimmerman: “Minha favorita desde sempre” – Foto: Getty Images

HB: Quem você citaria com um exemplo dessa beleza inspiradora?
ES: Raquel Zimmermann, sem sombra de dúvida. Minha favorita desde sempre. Ela é fenomenal: não é a modelo mais bonita do mundo, mas ela é especial. É uma pessoa usando uma roupa ou um cabelo incrível, e não uma modelo que está ali para fazer o seu trabalho. Raquel entende de proporções, de personalidade, de moda e de cabelos. E ela gosta do que faz.

Tranças revisitadas de DKNY - Foto: Getty Images
Tranças revisitadas de DKNY – Foto: Getty Images

HB: Quais as principais tendências em cabelos que você identifica para próximas temporadas?
ES: Evidentemente, Londres é muito diferente do Brasil. O que fiz para Haider Ackerman (curtíssimos assimétricos e acetinados quase brancos) jamais faria para os brasileiros. Mas, certamente, exploraria muito os tons loiros. Acho que os claros e os coloridos ganham uma nova posição de destaque. Pode ser qualquer tom de bright hair. É um feeling que eu tenho e sigo os meus instintos. Eles estarão em alta, pode anotar. É quase um antídoto ao minimalismo, que pode ser muito chato e cansativo na maioria das vezes. Agora é momento de se fazer algo completamente diferente. Fazendo uma comparação com a moda, é o mesmo que deixar o preto para aderir a estampas florais.

Para Yohji Yamamoto, com make de Pat McGrath, os looks eram praticamente esculturas capilares, altamente inovadoras - Fotos: Gety Images
Para Yohji Yamamoto, com make de Pat McGrath, os looks eram praticamente esculturas capilares, altamente inovadoras – Fotos: Gety Images

HB: Com tantas opções de escolhas em cores e cortes, você diria que a individualidade é a grande tendência de beleza?
ES: Individualidade é e sempre foi tudo. O look tem que combinar com a pessoa, senão voltamos à chatice do minimalismo, onde tudo é puro, perfeito, mas não há espaço para a personalidade. Para mim, o trabalho que fiz para Yohji Yamamoto (com make de Pat McGrath, os looks eram praticamente esculturas capilares, altamente inovadoras) foi a grande quebra do minimalismo. Mostrei que posso usar minhas mãos e minha criatividade para fazer outras coisas.