Dietas alimentares malfeitas provocam deficiências nutricionais - Foto: Arquivo Bazaar Brasil
Dietas alimentares malfeitas provocam deficiências nutricionais – Foto: Alex Falcão/Arquivo Bazaar Brasil

Não bastasse o estresse nosso de cada dia, a poluição e os excessos de químicas, colorações e chapinhas, mais um item veio engrossar a lista dos vilões da queda de cabelo: o veganismo. Dermatologistas já começam a notar um aumento de procura nos consultórios por parte de pessoas que aderiram à dieta que exclui do cardápio todo e qualquer tipo de alimento de origem animal, como carne, peixe, leite, queijo, ovos e até mel.

A escassez de fios mais frequente e precoce, em mulheres cada vez mais jovens, já é uma realidade associada a essa tendência que cresce no mundo. Nesse caso, os médicos observam um tipo específico de perda de cabelo, típico de dietas alimentares malfeitas, que provocam deficiências nutricionais.

Chamada eflúvio telógeno, a condição, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, se caracteriza pelo aumento da queda diária de fios. É aquele amontoado que cai no chuveiro ou que fica na escova depois de pentear. Normalmente, sua causa está associada a algum evento que aconteceu três meses antes do início da queda e vai de febre, infecção aguda e gripe a cardápios muito restritivos, caso do veganismo, em que é muito comum ocorrer deficiência de ferro ou vitaminas.

O que acontece é que os cabelos não são um tecido essencial para o corpo e, quando soa o alarme vermelho da falta de nutrientes, os primeiros a serem “privados” deles são os fios. Eles que, justamente, são feitos de cadeias de proteínas, ficam mais ralos, fracos e caem.

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Em outras palavras, dietas veganas e vegetarianas não dão aos fios tudo o que eles precisam. Peixes, ovos e carnes vermelhas são ricos em aminoácidos essenciais, que são encontrados em quantidades bem menores em legumes e verduras. É muito mais difícil absorver ferro suficiente de alimentos vegetais, como folhas verdes, do que da carne vermelha, por exemplo.

Daí porque é preciso buscar outras fontes de proteínas, como suplementos de ferro e vitaminas como a C e as do complexo B, especialmente no período menstrual. De olho nesse fato, as clínicas dermatológicas especializadas em cabelos, começaram, recentemente, a incluir cardápios antiqueda em seus protocolos individualizados de tratamentos.

Na Healthy Hair Clinic, uma das clínicas mais respeitadas do País para tratamentos capilares, a terapia customizada inclui uma dieta com alimentos ricos em ferro: vegetais verde-escuros, como brócolis, espinafre e couve, grão-de-bico, lentilha, ervilha e feijão, cereais integrais, como aveia e quinoa, e sementes de gergelim e abóbora, entre outros. Também são prescritos suplementos de biotina, silício, depantenol e cisteína.

Cardápio semelhante é oferecido no protocolo Hair Growth, da clínica do dermatologista Guilherme Corradi: a dieta “cresce cabelo” tem um cardápio específico para alimentar os folículos capilares desenvolvido por nutricionistas. Evidentemente, a dieta vem acompanhada de outros tratamentos customizados, que vão de drenagem linfática, detox e lasers de baixa intensidade a xampus manipulados.

Recentemente, passou-se a incluir a latanoprosta nos protocolos, com resultados surpreendentes. A substância é um análogo da prostaglandina, que, utilizada como colírio para redução da pressão ocular em glaucoma, apresentou como efeito adverso o aumento do volume, comprimento e espessura dos fios.

Na Healthy Hair Clinic, o produto é aplicado pelo método de drug delivery por microagulhamento, associado a outros ativos para conter a queda. “Em congressos especializados, a descoberta é descrita como a maior novidade desde o binômio minoxidil e finasterida”, explica Guilherme Corradi, que associa latanoprosta à fototerapia. Fios mais densos e volumosos aparecem de 8 a 10 semanas. Veggie, sim, mas sem descuidar da cabeleira.

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