Victor Stirnimann na terceira edição do Body and Mind – Foto: Rodrigo Moraes

Por Amélia Whitaker

Existem pessoas que, ao falar, criam silêncio. Não o silêncio do vazio, mas aquele instante em que algo finalmente faz sentido. Victor Stirnimann é uma dessas pessoas. Terapeuta, professor, palestrante e consultor, ele carrega uma formação pouco comum: é filósofo pela USP e doutor em Psicologia Analítica pelo Jung Institute of Zurich, onde estudou diretamente a obra e o legado clínico de Carl Gustav Jung. Com mais de 30 anos de prática clínica, seu trabalho é reconhecido pela capacidade de transformar temas profundos e complexos em algo simples, claro e vivo.

Mas o que realmente distingue Victor não cabe em currículo. Em entrevista recente à CBN, ele resumiu com precisão o dilema da nossa época: vivemos afogados em informação e carentes de sabedoria. É exatamente nessa fronteira, entre o excesso de estímulos e a escassez de sentido, que seu trabalho se situa. Mais marcado por perguntas do que por respostas, ele se tornou um pensador do presente: alguém que, nas suas próprias palavras, prefere “jogar luz sobre assuntos grandes e muitas vezes incômodos” a oferecer soluções fáceis.

A psicologia junguiana que guia seu olhar não se limita aos manuais. É uma abordagem que reconhece, em cada pessoa, os recursos para a própria transformação e entende que o papel do terapeuta é ajudar a iluminar o que já está ali. Para Jung, esse caminho se chama individuação: o processo pelo qual alguém se torna, progressivamente, uma versão mais inteira e autêntica de si mesma. Victor conduz esse processo com a naturalidade de quem domina tanto a teoria quanto a intuição, e com uma capacidade rara de nomear o que a gente sente, mas não consegue dizer.

Numa conversa recente, por exemplo, ele descreveu a relação entre ritmo e saúde mental com uma imagem simples e certeira: ansiedade e depressão, disse ele, muitas vezes têm a ver com estar na marcha errada. Quando se acerta o ritmo, entra-se no fluxo. E, no fluxo, tudo muda.

Quem passa por ele costuma usar a mesma palavra: transformador.

Em breve, uma novidade

Ao longo da vida, Victor transformou inquietação em método e fez da escuta profunda um modo de investigar o humano em tempos cada vez mais superficiais. Além da clínica, é um dos criadores do podcast Elefantes na Neblina, um espaço que, nas suas palavras, nasce da disposição de pensar mesmo quando tudo parece embaçado.

Por ora, os horários de Victor são escassos e disputados. Mas, para quem ainda não cruzou seu caminho, há algo chegando. Ele está desenvolvendo um novo formato (ainda em segredo) que vai permitir que mais pessoas tenham acesso à sua forma de pensar e conduzir processos. Sem perder a profundidade. Sem perder a essência.

Vale ficar de olho.