Yayoi Kusama promove ode ao natural, no Jardim Botânico de Nova York, com trabalhos inéditos e peças criadas no tempo em que morou na cidade, na década de 1960 – Foto: Divulgação

Desde a infância, as flores sempre serviram de inspiração e tiveram uma relação carinhosa com Yayoi Kusama. Ela nasceu em uma casa com viveiro de sementes e mudas, na região provinciana e rural de Matsumoto. Ali, desenhou a flora que conhecia do Japão. O universo cósmico arquitetado pela princesa das bolinhas – como é conhecida a artista de 90 anos – vai ganhar uma exposição ao ar livre no Jardim Botânico de Nova York. Serão mais de 50 obras exibidas nas galerias e nos jardins do espaço dedicado à natureza.

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“Kusana: Cosmic Nature”

“À medida que ela evoluiu como artista, flores, sementes, folhagens e até padrões que sugerem a estrutura celular das plantas continuaram a se repetir”, afirma à Bazaar a diretora de Envolvimento Público e curadora de exposições do parque, Joanna Groarke. Ela conta que a missão do Jardim Botânico é entender como os artistas se inspiram na natureza. Quem assina a curadoria de “Kusama: Cosmic Nature” é Mika Yoshitake, profunda conhecedora da arte de Yayoi e autora de um livro sobre o trabalho da artista japonesa.

A família Kusama, com Yayoi ainda bebê, em sua casa, no Japão, em 1929 – Foto: Divulgação

Narcissus Garden

Exibidos do MoMa ao Inhotim, os famosos espelhos em formato de esfera da instalação Narcissus Garden – criação da década de 1960 – vão tomar a piscina do Native Plant Garden, refletindo a água, a grama e as árvores ao seu redor. Uma abóbora gigante, intitulada “Dancing Pumpkin“, com mais de 5 metros de altura, será exibida pela primeira vez no gramado que desemboca no Conservatório Enid A. Haupt, uma das mais belas edificações do lugar. Ali, o visitante será convidado a olhar a obra de perto, dar a volta e interagir.


Frame do vídeo “Flower Obsession” (Sunflower), dos anos 2000

Pot-pourri

A expo será um pot-pourri de esculturas de flores, pinturas e instalações pontilhadas de bolinhas, incluindo uma verde e interativa, chamada “Obliteration Room”, em que os visitantes vão cobrir o espaço com adesivos em formato de flor. Outra inédita deste ano, “Illusion Inside the Heart”, faz parte das imersivas salas-espetáculo, com espelhos infinitos cheios de pontinhos de luz. Yayoi usa a arte como fuga da realidade, o que a ajudou a enfrentar seu quadro de transtorno mental e tentativas de suicídio. “Seu trabalho é ousado e, às vezes, enganosamente simples. As imagens são reconhecíveis e familiares, mas suas mensagens de amor, paz, celebração da vida e reconhecimento da morte demoram um pouco para serem reveladas”, destaca Joanna.

A obra “Pumpkins Screaming About Love Beyond Infinity”, 2017 – Foto: Divulgação

Conectados

O título desse panorama Yayoi versus natureza tem a ver com a perspectiva sobre o mundo: a ideia de que estamos todos conectados. “Elementos encontrados na natureza ganham forma, mas a profundidade de seu envolvimento com o assunto foi pouco explorada (até agora). Por isso, vamos ter a oportunidade de oferecer uma nova perspectiva sobre suas obras”, pontua.

A obra “Summer Flower”, de 1988 – Foto: Divulgação

Papel do universo

Várias peças farão estreia nesta mostra, que também apresenta ícones da adolescência e parte da produção dos tempos em que viveu na cidade que nunca dorme, nos anos 1960. As criações de Yayoi fazem pensar sobre nosso papel no universo, relacionamentos com a natureza e uns com os outros, que devem ganhar forte protagonismo após períodos de autoisolamento e quarentena, provocados pelo novo coronavírus. Até o fechamento desta edição, o Jardim Botânico de Nova York mantinha a abertura para 9 de maio.