Swimmer, obra de Nathan Sawaya feita com milhares de peças de Lego - Foto: divulgação
Swimmer, obra de Nathan Sawaya feita com milhares de peças de Lego – Foto: divulgação

Por Mariane Morisawa

Nathan Sawaya se arrastava todos os dias para o escritório de advocacia onde trabalhava. Na saída, sentia necessidade de desestressar. Sua válvula de escape não era a academia nem o bar, mas a criatividade. Desenhava, pintava, esculpia em argila ou arame. Um dia, pensou: por que não um brinquedo de sua infância? Assim começaram suas experiências.“Eu via uma maçã no meu apartamento e pensava: Será que consigo fazer uma maçã de Lego? Consigo fazer uma maçã de Lego do tamanho de uma bola de basquete?”, contou SawayaBazaar em seu ateliê em Los Angeles, que guarda cerca de 5 milhões de peças de várias cores e tamanhos. Pouco depois, estava largando o emprego que detestava para brincar em período integral. Suas obras feitas com as pecinhas retangulares multicoloridas hoje viajam o mundo – desde 2007, o artista expôs em 80 lugares diferentes. Uma das próximas paradas com The Art of the Brick é o Brasil: primeiro São Paulo, na Oca, entre 9 de agosto e 30 de outubro; depois, Rio de Janeiro, no Museu Histórico Nacional, entre 11 de novembro e 15 de janeiro.

Red - Foto: divulgação
Red – Foto: divulgação

Ao todo, são 80 trabalhos em exposição. Maçãs deram lugar a reproduções tridimensionais de obras fundamentais da história da arte, como O Grito, de Edvard Munch, e O Beijo, de Gustav Klimt, que vão ser exibidas no Brasil, bem como um esqueleto de Tiranossauro rex de 6 metros de comprimento, feito com 80.020 tijolinhos. Também há esculturas de figuras humanas que parecem estar em movimento, como a do homem que abre o peito para libertar peças de Lego. “É um desafio usar peças retangulares para fazer curvas”, disse Sawaya. “De perto, dá para ver as peças, com seus ângulos retos. E, ao se afastar, esses cantos viram curvas.” Há também um desa- fio de engenharia. Como as obras são transportadas, cada pecinha é colada. Se houver um erro, é preciso usar martelo e cinzel, como se fosse um bloco de mármore.

Yellow - Foto: divulgação
Yellow – Foto: divulgação

O principal objetivo do americano nascido em Colville, no Estado de Washington, é a democratização da arte pelo uso de um material ao alcance de todos – em suas encomendas à fabricante não constam tamanhos ou cores especiais, só o que pode ser encontrado nas lojas.“Quero tornar a arte acessível. Não vou dizer que todo mundo vai entender o que eu estava pensando quando criei uma obra,desejo que haja algum mistério, que o visitante venha com sua própria interpretação. Talvez um pai veja uma coisa, e seu filho, outra. Isso é fantástico,porque pode haver uma conversa.”A exposição é pensada para que haja algo interessante para cada membro da família. No Brasil, o artista espera mostrar que não existe jeito errado de fazer arte.“Só é preciso usar a imaginação.”Ele,por sua vez, pretende passear por São Paulo, de caderninho na mão, pronto a se inspirar na paisagem e na cultura local, como sempre costuma fazer.

De 9 de agosto a 30 de outubro :: brickartist.com

Yellow Facemask, Red Facemask and Blue Facemask - Foto: divulgação
Yellow Facemask, Red Facemask and Blue Facemask – Foto: divulgação