The Marvelous Mrs. Maisel (2017) – Foto: Reprodução/IMDB

Na construção de um universo cinematográfico, as roupas têm um importante papel em tornar o que está na tela verossímil e atrativo para o telespectador. Manter uma consistência nas roupas e no estilo apresentado colabora para essa questão.

Além disso, o figurino também colabora para trazer questões que ficam subentendidas na relação entre os personagens e aspectos de sua personalidade, assim como seu humor ou grau de maturidade em relação aos acontecimentos.

Nem sempre o figurino de uma produção mantém o rigor histórico ou respeita convenções que fazem sentido no mundo real. Entretanto, muitas vezes, essa decisão é intencional e a prioridade fica em outras questões, como aumento nos detalhes dos personagens e até decisões estéticas, fazendo com que o figurino se transforme em um elemento do cenário.

As roupas presentes em um filme podem ser um dos aspectos principais em tornar a produção um ícone inesquecível e relevante, mesmo anos depois do lançamento. O conjuntinho xadrez de Cher, em “As Patricinhas de Beverly Hills”, a jaqueta jeans de John Bender, em “Clube dos Cinco”, as peças de vinil de Trinity, em “Matrix”… Os exemplos são vários e deixam claro o impacto que um bom trabalho de figurino tem nas produções, principalmente quando bem alinhado à direção e aos outros elementos cinematográficos.

E não é só nos filmes que os figurinos têm tanta importância. Nas séries, eles podem ser ainda melhor desenvolvidos, já que o maior tempo de tela permite um detalhamento que não é possível em um longa-metragem. Em produções históricas, como “The Crown” e “Mad Men”, é interessante perceber a mudança de figurino com a passagem do tempo na tela. Já em séries que se passam na atualidade, como “Sex and the City” e “The Politician”, o cuidado fica na criação de looks que reflitam o temperamento e a personalidade dos personagens. Veja quatro exemplos de produção com ótimos figurinos.

Bonequinha de Luxo (1961)

Bonequinha de Luxo – Foto: Reprodução/IMDB

Audrey Hepburn interpreta a personagem clássica neste filme com visual inesquecível. Além dos cenários e da ambientação, o filme tem figurinos marcantes, como o vestido preto acompanhado do colar de pérolas e os casacos de diferentes cores. A peças foram criadas em conjunto por Hubert de Givenchy e Edith Head, com combinações que mudavam de acordo com o local e o espírito da protagonista, com produções luxuosas e inusitadas em momentos cruciais e outras mais simples quando a personagem estava em situações mais confortáveis, como em casa.

A Criada (2016)

A Criada (2016) – Foto: Reprodução/IMDB

A produção coreana se passa em 1930, sendo possível conhecer o estilo típico que era usado na época. O figurino, idealizado por Sang-gyeong Jo, representa aspectos que vão além de classes sociais, questão presente no filme, mas indicam também os sentimentos íntimos dos personagens. As roupas e os acessórios de uma das personagens principais, Lady Hideko, são um indicativo disso, tendo as luvas como itens simbólicos: ela as usa quando precisa assumir uma espécie de performance, interpretando uma personagem, mas as deixa de lado nos momentos em que ela está sendo, de fato, verdadeira.

Maria Antonieta (2006)

Maria Antonieta (2006) – Foto: Reprodução/IMDB

É impossível não se impressionar com todos os figurinos do filme, que transmitem muito bem o aspecto expansivo e pomposo da corte e da personalidade de Maria Antonieta. Os vestidos, chapéus e até mesmo os sapatos têm um alto nível de detalhes, sendo utilizados também como forma de incrementar o cenário. O figurino, trabalho de Milena Canonero, faz várias referências a peças presentes em pinturas da rainha, além de acompanhar as mudanças na vida da personagem, com cores pastéis e designs extravagantes no início da vida de Maria como rainha, e modelagens mais sóbrias e tons neutros à medida em que ela se aproxima de seu destino trágico.

The Marvelous Mrs. Maisel (2017)

The Marvelous Mrs. Maisel (2017) – Foto: Reprodução/IMDB

A série se passa em New York no final dos anos 50, contando com peças clássicas e muito populares no período. Além da apresentação histórica, a figurinista, Donna Zakowska, usou as composições como uma representação dos sentimentos das personagem principal, Midge Maisel, acompanhando os altos e baixos de todos os aspectos da sua vida pessoal, amorosa e profissional, fato que pode ser observado pelas cores, ora vivas e dramáticas, ora mais soturnas, mas ainda divertidas e inusitadas, assim como a protagonista.