A modelo Linda Evangelista pelas pinceladas de Francesco Clemente

Em parceria com o retratista Francesco Clemente, as maiores beldades do mundo viram obras de arte

by Guilherme Rodrigues
Linda usa Vestido e sapatos Dolce & Gabbana. Cabelo: Sally Hershberger para Sally Hershberger 24K; Maquiagem: Dick Page para Shiseido.

Linda usa vestido e sapatos Dolce & Gabbana. Cabelo: Sally Hershberger para Sally Hershberger 24K; Maquiagem: Dick Page para Shiseido.

Por Laura Brown

Linda Evangelista descreve as imagens que tem de si – entre outras coisas – nas paredes de seu apartamento em Nova York. “Apertando as bochechas para Steven [Meisel], chorando com Peter [Lindbergh], assobiando com David [Sims], o corpete…”.

É claro que, mesmo com essas descrições abreviadas, podemos ver cada uma dessas fotos. Afinal, Linda é a supermodel das supermodels. Foi ela quem escreveu o livro sobre o glamour camaleônico (infelizmente, não no sentido literal, para desespero dos obcecados por Linda em todo o mundo). Mas, apesar de ter posado para a lista completa de fotógrafos, ilustradores, revistas e campanhas ao longo de uma carreira lendária de 35 anos, nunca posou para um pintor.

É estranho ouvir a super dentre as supers assumir que estava “nervosa”. “Dizia para mim mesma: ‘Linda, ele não aceitaria fazer se não gostasse de você’.” E continua: “Quando me sentei, Francesco falou: ‘Quer mesmo usar esse vestido?’. E eu: ‘Claro, tem tudo a ver comigo’. Sou muito Dolce, muito década de 1950. Adoro adornos femininos. Mas não sabia que ia levar cinco horas!”, ri. “Com o cotovelo esticado, ai, meu Deus.” No retrato, vê “uma versão exagerada de mim. Fiquei chocada! Mas achei lindo. E nunca acho nada lindo.” Ela, que fez 50 no ano passado, caracteriza a nova década com humor irônico. “Vou levando.”

A melhor parte? “A sabedoria. Soa como um grande clichê, mas é verdade. Ah, se eu tivesse essa sabedoria 30 anos atrás.” A pior? “Dá uma trabalheira! Pode citar. Tenho todos os dispositivos, máquinas e ferramentas, da bicicleta de spinning ao Power Plate, ao Bosu Ball, à maquina de remar, aos elásticos e mais isso e aquilo.” Um treinador vai à casa dela cinco vezes por semana. “Já faz 15 anos! E ele é bonito”, brinca. “Isso ajuda.”

Linda é, de fato, superdiligente com seus cuidados. “Hoje comecei com um iogurte grego e acrescentei chia, cânhamo e blueberries. Tento comer carboidratos ao meio-dia e, à noite, escolho alguma proteína e legumes. Adoro.” Ela não é de beber. “Não. Gosto de vinho; adoro harmonizar. Mas não bebo, não.”

Para os cuidados com a pele, põe a mão no fogo pela esteticista nova-iorquina Georgia Louise. “As mãos dela são mágicas! Também faço esfoliação e sou fã incondicional do protetor solar.” Como prova, o Instagram de Linda muitas vezes a traz coberta de vestes protetoras de verão, que lhe dão um ar de Garbo. Quando se veste, assina embaixo do apelo eterno de “qualquer coisa que seja Azzedine Alaïa.”

Quando perguntamos que mulher mais velha admira, a resposta é rápida e hilária: “Não tem muitas mais velhas do que eu! Mas… Iman. Ela é simplesmente fabulosa. É um exemplo para nós todas. Uma pessoa maravilhosa”.

Como Iman, ela abraçou as redes sociais. Contra a vontade, diga-se. “Fui obrigada! Meus agentes fizeram uma intervenção e me forçaram a me registrar no Instagram. Eu posto, mas não gosto de compartilhar tanto assim. Nunca sei o que compartilhar.” É uma seguidora dedicada das modelos sociais Cara, Kendall e Gigi (“acho todas fabulosas”), mas acredita que, se as redes sociais existissem na era das supermodels, “acho que não teríamos precisado delas.”

Agora que está nesse bravo cibermundo novo, fica obcecada com o que posta, com sua aparência? A modelo máxima tem sua cara de selfie? “Não, não”, responde. “Não preciso ter.”