Hilda Hilst em foto de seu acervo pessoal, tirada na década de 1950 - Foto: divulgação
Hilda Hilst em foto de seu acervo pessoal, tirada na década de 1950 – Foto: divulgação

Por Jurandy Valença

Se estivesse viva, Hilda Hilst (1930-2004), do alto de seus 85 anos, teria muitos motivos para comemorar. No ano em que celebra o cinquentenário da construção da Casa do Sol, atual sede do Instituto Hilda Hilst, em Campinas, projetos envolvendo o nome da autora paulista não param de surgir. No momento, dois filmes sobre ela estão em produção. Usando arquivos pessoais de som e imagem, entrevistas, encontros e intervenções ficcionais, o longa Hilda Hilst Pede Contato,com previsão de estreia em 2016, tem roteiro e direção da paulistana Gabriela Greeb. A cineasta, do premiado A Mochila do MascateGianni Ratto, reuniu um time estrelado para sua produção.

O storyboard é de Bertrand Guillou, desenhista francês que foi colaborador de Moebius; a direção de fotografia é de Rui Poças, português que ganhou notoriedade com Tabu; e o desenho sonoro é de Nicolas Becker, francês que trabalhou em Gravidade. Hilda é interpretada pela atriz Luciana Inês Domschke, que participou das peças As Bacantes e Os Sertões, do Teatro Oficina. O outro filme, da atriz Tainá Muller (ainda sem título), está em fase de pesquisa, e as filmagens devem começar no ano que vem. A direção será de Walter Carvalho,e o argumento é de Daniel Galera. O escritor e roteirista Marçal Aquino também está envolvido no projeto. Tainá, que interpretará Hilda jovem, comprou os direitos do longa-metragem e está empolgada com o desafio. “Ainda estamos trabalhando o roteiro, mas um dos possíveis recortes é apresentar Hilda antes da mudança para a Casa do Sol, na década de 1960.”

Cena de Hilda Hilst Pede Contato, filme de Gabriela Greeb, em produção, e realizado na Casa do Sol, em Campinas - Foto: divulgação
Cena de Hilda Hilst Pede Contato, filme de Gabriela Greeb, em produção, e realizado na Casa do Sol, em Campinas – Foto: divulgação

Em breve, o público descobrirá, em uma exposição, uma faceta desconhecida da escritora, poeta, dramaturga e cronista: a de desenhista. Ela manteve uma estreita aproximação não só com as artes visuais, mas com vários artistas com quem conviveu desde a década de 1950. Entre eles, Darcy Penteado,Wesley Duke Lee, Anesia Pacheco e Chaves, Jaguar, Millôr Fernandes e Renina Katz, que criaram capas ou ilustrações para seus livros. Hilda realizou uma série de aquarelas e desenhos entre as décadas de 1970 e 1980. Grande parte (cerca de 150 deles) encontra-se abrigada no Centro de Documentação Alexandre Eulálio, na Unicamp, em Campinas.

Cena de Hilda Hilst Pede Contato, filme de Gabriela Greeb, em produção, e realizado na Casa do Sol, em Campinas - Foto: divulgação
Cena de Hilda Hilst Pede Contato, filme de Gabriela Greeb, em produção, e realizado na Casa do Sol, em Campinas – Foto: divulgação

A cor principal escolhida por Hilda era o azul da tinta da caneta Bic que ela usava para anotar, rascunhar e escrever, ações que estavam intimamente ligadas ao ato de desenhar. Essa “volta” de Hilda Hilst à pauta ganhará ainda o livro Cartas aos Pósteros, correspondências inéditas entre ela e o espanhol José Luis Mora Fuentes, escritor e melhor amigo, que será lançado em 2016. O volume sai pela Editora Globo, que vem reeditando a obra completa de Hilda.

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