Manthe Ribane, organizadora do evento que acontece em novembro no Nirox, na África do Sul (Foto: Divulgação)

O isolamento social tem mudado o jeito que consumimos Arte, já existem até mostras em formato drive-in (em que o visitante circula de carro entre as obras). Se músicos e bandas têm se virado com as lives, artistas de outras áreas têm estudado possibilidades de seguir criando.

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O ArteBotanica – maior evento do parque de esculturas Nirox, localizado em Krugersdorp (distante 47 km da maior cidade daquele país, Joanesburgo), na África do Sul – até pensou em ganhar uma versão digital, mas confirmou que será possível estar junto fisicamente em novembro, quando está marcado o acontecimento ao ar livre, que mescla exposições, instalações, performances de música e gastronomia.

“Adoraria que o ArteBotanica ganhasse o mundo, se tornasse uma instituição (independente) em que as pessoas pudessem aprender, por meio de um programa, com workshops. Este é o principal objetivo para o futuro”, conta a organizadora do evento, Manthe Ribane. A plataforma que dá visibilidade a novos artistas sul-africanos e abre o espaço botânico para receber arte de rua, pôsteres, ilustrações, entre outros.

“O importante é celebrar o conhecimento dos artistas, introduzir novas formas de comunicação e sustentabilidade.” Para isso, tem colaborado com top chefs, top designers e todo o universo criativo. Ou, nas palavras de Manthe, pessoas que fazem arte “com o coração”.

Fotos: Divulgação

Para o diretor e fundador do Nirox Foundation Sculpture Park, Benji Liebmann, a plataforma virou uma extensão do parque. “O ArteBotanica nasceu no Nirox, mas tem um alcance muito maior. Não é apenas um evento impressionante, que poderia acontecer em qualquer outro lugar do mundo. Manifesta-se como se fosse um filme, com obras de arte fotográficas, instalações e através de diversos produtos”, reforça. “Entrelaça a diversidade criativa, de normas artísticas, transformativas e inspiradoras para os artistas e para o público.”

Depois do pandemia, a ideia é desenvolver de forma contínua formas de reavaliar o sistema, as escolhas de artistas e buscar novos patrocinadores para expandir a ideia. Segundo Manthe, entre as preocupações da plataforma estão o pensamento sustentável, novas perspectivas de vislumbrar o mundo e como estes artistas podem contribuir com a pauta do ArteBotanica, servindo de força motriz para uma grande virada do projeto. “Estamos em um lugar botânico, criando um trabalho humano”, garante. “Não quero limitar arte, pois ela tem seu impacto sobre as pessoas.”

Para quem puder conhecer, Manthe tem um recado: “venha celebrar a mágica”. O principal objetivo do ArteBotanica é construir e celebrar o conhecimento, enfatizando colaborações, dividindo informações e trabalhando para que os artistas tenham visibilidade ao expor. “Por este motivo, escolhemos trabalhos consistentes, com qualidade de execução. Estamos conhecendo o trabalho de outras pessoas para que fiquem para outras gerações.”

Antes do período de isolamento, havia conversas com a Embaixada da Suécia para que os artistas pudessem trabalhar com o Museu de Fotografia, de Estocolmo.

Foto: Divulgação

POSSIBILIDADE
Se até novembro, o mundo tiver de recuar novamente por conta da pandemia, uma experiência digital dará lugar às festividades. Os artistas montariam suas instalações e performances no parque, mas uma captura para exibição online daria lugar às visitas. “Queremos fazer (presencialmente), desde que siga as recomendações das autoridades. Mas, com precaução e o mais higiênico possível”, acrescenta.

Antes da pandemia, Bazaar esteve no parque para fazer o shooting “Força da África”. O ensaio foi publicado na edição #IncrívelEmQualquerIdade (maio e junho/2020), com mulheres sul-africanas de discurso contundente sobre igualdade (vestidas de Dolce & Gabbana, marca que defende uma moda para todas as mulheres, independentemente de idades e corpos). VEJA O ENSAIO!

SOBRE
O NIROX é composto por um parque de esculturas, residência artística, salas/estúdios para oficinas, palco para concertos ao ar livre e instalações para eventos. Está localizado em uma área de 20 hectares com jardins paisagísticos e cursos d’água em um patrimônio mundial apontado pela UNESCO, conhecido como Berço da Humanidade (The Cradle of Humankind), de 47 hectares de área rural, que conta com tesouros paleontológicos.

Com área de pesquisa científica, mais de 40% do seu espaço é composto por fósseis com mais de 3 milhões de anos de atividade humana, local em que os seres humanos viraram bípedes e praticaram a primeira atividade com fogo. A Fundação de mesmo nome do parque é uma organização sem fins lucrativos, criada para administrar a propriedade.