Agnes Nunes ascende como uma das apostas mais promissoras do pop nacional

Aos 17 anos, ela canta com doçura versos de ídolos veteranos

by redação bazaar
Foto: Divulgação

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Por André Aloi

Se tivesse o poder de escolher, talvez a cantora Agnes Nunes não fosse uma contemporânea da nossa geração. Teria nascido décadas atrás e, hoje, seria uma artista septuagenária, assim como seus ídolos. “Amo Gal Costa (74 anos), Caetano Veloso (77), Dominguinhos (morto em 2013, aos 72), Chico Buarque (75), Elza Soares (82)”, enumera alguns nomes de sua formação musical em entrevista à Bazaar.

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Seus antepassados deixaram de herança a voz doce e o apreço por músicas que fogem do óbvio para uma jovem de 17 anos, que está terminando o Ensino Médio. “Minha tia Rita era cantora, meu pai tocava violão, e minha mãe também cantava”, conta.

Foto: Reprodução/Instagram/@agnesnunes

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A assistente social Maria Aparecida Nunes dos Santos sempre amou MPB e influenciou a filha: “Cantava para ela quando estava grávida. Percebi, ainda na infância, que tinha uma voz afinada. Mas, até aí, era uma criança feliz. Na transição para a adolescência, o que me chamava muito atenção era o canto em outra língua, em inglês”.

Com apenas dois singles solo e um contrato com a gravadora Baguá Records, Agnes só percebeu a ascensão quando uma seguidora (entre seus dois milhões) a abordou, dizendo que era sua inspiração. “Ela tinha começado a usar o cabelo cacheado e solto por minha causa”, orgulha-se ela, sobre sua marca registrada.

Os pedidos de foto e o feedback do público reforçam que a música está se transformando em profissão. No entanto, nos idos de 2015, a mãe titubeou quando a filha quis estrear na internet. “Sabia que ela sairia do nosso canto íntimo para o mundo e estaria exposta a coisas ruins, como comentários tóxicos.” Mas isso não a impediu de seguir seu caminho.

Foto: Reprodução/Instagram/@agnesnunes

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No auge da adolescência, essa artista nascida na Bahia – morou parte da infância no sertão da Paraíba, mas adotou Campina Grande (PB) como residência – coleciona fãs famosos. A dinâmica de postar vídeos de covers nas redes sociais cativou o ator e diretor Lázaro Ramos de primeira. “Muitos outros artistas que admiro repostaram meu trabalho, e isso contribuiu muito para toda essa repercussão”, detalha. Depois vieram Bruno Gagliasso, Giovanna Ewbank, e a lista só cresce.

Artistas fora do mainstream também contribuíram para a fama de Agnes – como Konai, Junior Lord, Luiz Lins, A.D.Z, Francisco, El Hombre e o coletivo Poesia Acústica. O rapper carioca Jason Fernandes, mais conhecido como Xamã, tem uma tese sobre esse sucesso. “Ela fazia a música ser uma coisa mais interessante do que os próprios autores. Passava a visão dela, e isso é bacana demais. Conseguia melhorar minhas músicas e composições com a doçura da voz”, contextualiza. “Xamã é muito especial para mim. Sem ele, nada disso teria acontecido”, retribui Agnes.

Um encontro no Rio para “fazer um som”, deu origem ao EP “Elas por Elas”. “A gente ia fazer uma faixa só, foi para o estúdio e teve uma conexão imensa”, discorre ele. Mulheres importantes da vida de ambos emprestam o nome para quatro faixas, as quais as pessoas podem se identificar como suas mães, filhas, tias, sobrinhas, netas… “Esse ciclo foi lindo, vai marcar toda a minha vida e carreira”, adiciona ela. Após a correria do colégio, o rapper – que está em turnê fora do País – espera poder pisar no palco ao lado da pequena diva para promover o trabalho.

Foto: Reprodução/Instagram/@agnesnunes

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Na maratona que inclui shows e eventos, Agnes ainda está imersa na escola até o fim do ano. “Sempre reponho provas e atividades quando falto, e meus amigos me ajudam nos conteúdos”, garante ela. Momento dos mais marcantes da trajetória meteórica foi estar cara a cara com Elba Ramalho para eternizar “Chão de Giz” em um DVD gravado pela veterana em Campina Grande. “Agnes é uma nova flor da Paraíba que está desabrochando para o Brasil. Linda e talentosa, canta como um passarinho”, elogia Elba, de 68 anos.

Se a música não tivesse trazendo resultados, como boa ariana já estaria pronta para o próximo combate. “Faria (faculdade de) História, pois amo saber de onde vim, por que as coisas funcionam do jeito que funcionam, a origem me fascina.”

Pelo menos por enquanto, ela não vai precisar pensar em vestibular. O cover dela para “Big Jet Plan”, de Alok, rendeu uma participação em um show do DJ mais famoso do Brasil. Mas a agenda agitada de ambos os manteve apenas no prelúdio. “Estamos tentando marcar nossa sessão para organizarmos nossas ideias musicais”, conta, com a maior naturalidade de quem nasceu para o jogo.

Foto: Reprodução/Instagram/@agnesnunes

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A estreia na TV nacional aconteceu no fim de setembro, no “Só Toca Top”, da Rede Globo. “Quando ela cantou, ficamos encantados. A Agnes é hipnotizante”, afirma o diretor artístico do programa, Raoni Carneiro.

Daqui para o final do ano, o rosto da garota deve soar mais familiar. Prestes a lançar outros trabalhos, inclusive um EP ou até um álbum de inéditas (se os compromissos escolares permitirem), seu nome e referências fogem do óbvio nesse caldeirão sonoro que é a música pop brasileira. Como o significado de seu nome de batismo diz, a “pureza” de sua voz e o sotaque genuíno são o segredo de se fazer necessária na nova música popular.

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