Gguache sobre papel Design para um Jardim Mineral no Telhad - Foto: divulgação
Gguache sobre papel Design para um Jardim Mineral no Telhad – Foto: divulgação

Por Mariane Morisawa

Todo mundo conhece o Roberto Burle Marx paisagista, responsável pelo projeto do calçadão de Copacabana e do Parque do Flamengo. Mas a exposição Roberto Burle Marx: Brazilian Modernist, que abre em maio, no Jewish Museum de Nova York, pretende ampliar a visão sobre o paulistano que passou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro, reunindo seus trabalhos em escultura, pintura, tapeçaria, joalheria, cenografia e figurino para o teatro.

Multimídia, Burle Marx (1909-1994) também era barítono, cozinheiro e colecionador de arte popular e religiosa. São mais de 150 obras na sua primeira exibição na cidade americana em mais de duas décadas, feita em parceria entre Jens Hoffman, diretor do Jewish Museum, e os curadores Claudia J. Nahson, Morris e Eva Feld. Acompanha um catálogo com 224 páginas, publicado em conjunto com a Yale University Press. Depois de Nova York, a mostra viaja a Berlim, a partir de julho de 2017, e chega ao Rio em novembro do ano que vem. Quarto filho da pernambucana Cecília Burle e do judeu-alemão Wilhelm Marx, cujo avô era primo de Karl Marx, autor de O Capital, Roberto Burle Marx viveu numa casa projetada por René Thiollier, na Avenida Paulista, hoje tomada por prédios. Lá, teve seu primeiro contato com as plantas do jardim cuidado pela mãe, composto por rosas, begônias e antúrios, entre outras espécies.

O grafite Cena de Bar (1941) - Foto: divulgação
O grafite Cena de Bar (1941) – Foto: divulgação

Entre 1928 e 1929, a família se mudou para a Alemanha, pois Burle Marx precisava se submeter a um tratamento nos olhos. Conheceu os movimentos artísticos da época e viu a vegetação brasileira mantida numa estufa no Jardim Botânico de Berlim. Encantou-se. Estudou pintura e foi influenciado pelo expressionismo, o cubismo e o dadaísmo. Mais tarde, esse conhecimento acabaria sendo aplicado na criação de seus jardins. Burle Marx sempre se considerou, acima de tudo, um pintor. Estreou no paisagismo em 1932, no projeto de uma casa assinado pelos arquitetos modernistas Lucio Costa – seu vizinho no Rio de Janeiro – e Gregori Warchavchik.Antes dele, os jardins brasileiros seguiam o modelo francês, com simetria perfeita e plantas importadas.Burle Marx fez uma revolução,usando abstração, assimetria e flora nativa, em jardins cheios de movimento e curvas.

Obra sem título de Luisa Lambri, inspirada em Burle Marx - Foto: divulgação
Obra sem título de Luisa Lambri, inspirada em Burle Marx – Foto: divulgação

Horticultor e ecologista, descobriu cerca de 50 espécies e mantinha em seu amado sítio na Barra de Guaratiba, no Rio, que comprou em 1949, sua coleção de plantas tropicais e subtropicais. Em 1965, foi premiado pelo Instituto Americano de Arquitetos por ser “o real criador do jardim moderno”. No final de sua vida, fez desenhos para sinagogas. Roberto Burle Marx: Brazilian Modernist também investiga sua influência na obra de outros artistas, como a brasileira Beatriz Milhazes, a italiana Luisa Lambri e até mesmo o músico experimental americano Arto Lindsay. É uma oportunidade e tanto de descobrir a genialidade múltipla de Burle Marx.