Foto: Divulgação
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Por Adriana Brito
As divindades e outras criaturas do Olimpo, como escreveu Thomas Bulfinchem O Livrode Ouro da Mitologia, deixaram de ocupar seus lugares na religião para entrar de vez “nas mais encantadoras ficções que a fantasia jamais criou”. Ao lado de Pandora, Narciso, Orfeu e Apolo estavam entes de proporções e de poderes sobrenaturais, a exemplo do gigante Briareu, dono de cem braços, do cavalo alado Pégaso, do Basilisco, chamado de “o rei das serpentes”, e de Ladón, o dragão de Cólquida que nunca dormia, protetor do Velocino de Ouro. Personagens queridos nas culturas recentes, os dragões guardam lugar de destaque nas fábulas desde os sumérios, com direito a participação no poema Epopeia de Gilgamesh – o registro, gravado em 12 tábuas de argila, datado do século 20 a.C., é considerado o texto literário mais antigo de que se tem notícia.

Uma linha do tempo e tanto! Essa e outras informações sobre algumas das raças que teriam povoado continentes inteiros foram reunidas pela agência chilena Agosin Eventos, responsável pela mostra internacional Era dos Dragões, exposta recentemente num shopping de São Paulo (eradosdragoes.com.br). Os bichões de quase oito metros de altura foram confeccionados na China e trazem recursos que divertem as crianças, a começar pelos movimentos do corpo. A linhagem Zmey, por exemplo, tem DNA russo e chama a atenção pelas três cabeças que podem expelir fogo simultaneamente (nas lendas, é claro!). Outras expressões da arte também têm recorrido ao mito para alimentar suas tramas. Na literatura, a série As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, traz um desses seres no título A Viagem do Peregrino da Alvorada. Das inúmeras obras disponíveis em catálogo, Como Falar Dragonês, escrito por Cressida Cowell, promete deixar o leitor fluente no idioma “dragônico”.

 

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Telona na Brasa: a londrina Cressida Cowell, por sinal, é o que poderíamos denominar de especialista no assunto. O conhecimento da também autora da franquia Como Treinar o seu Dragão, adaptada para o cinema, é visto nas peripécias protagonizadas por Soluço e Banguela. Dos fabulosos enredos sobre esses animais descritos fisicamente no dicionário com “garras de leão, asas de morcego e cauda de serpente”, entre demais características, estão as animações do selo Shrek, a trilogia Coração de Dragão e o cultuado Eragon, cujo protagonista é um adolescente. Com lançamento previsto para o final de setembro, “Meu Amigo, O Dragão“, da Walt Disney Studios, se soma à seleção dedicada ao tema.

Releitura do longa de 1977, com algumas adaptações no roteiro e inovações tecnológicas que conferem mais realidade às cenas, a narrativa apresenta Pete (Oakes Fegley), um menino de 10 anos encontrado sozinho no bosque que cerca a cidade por Grace (Bryce Dallas Howard, de Histórias Cruzadas), que diz ser protegido por Elliot, dragão gigante, todo verde e com habilidades extraordinárias. A definição do garoto sobre seu parceiro de aventuras remete à guarda florestal aos relatos feitos por seu pai, Mr. Meacham (Robert Redford), conhecido escultor de madeira da região. Disposta a ajudar Pete a conhecer seu passado, ela convoca Natalie (Oona Lawrence), a jovem filha do dono da madeireira e mais nova aliada do grupo. Juntos, eles tentarão saber até que ponto essa fantasia sobre Elliot pode ser real. Pelo que se observou nos últimos milênios, dragões são seres resistentes ao perigo. Basta ver para crer.