Mel Lisboa – Foto: Carlos Sales e Fabio Audi/Divulgação

Depois de 14 anos, Mel Lisboa volta às novelas em “Cara e Coragem”, que acaba de estrear. “Foi um convite irrecusável, não só pela personagem, mas pelo elenco e pela equipe com quem eu ia trabalhar”, revela a atriz, que vive na trama a alpinista social Regina, que renega a origem humilde e despreza a mãe, interpretada por Guida Vianna.

No segundo semestre, Mel protagoniza dois filmes: “Atena”, que fala sobre violência contra a mulher; e “Foram os Sussurros que me Mataram”, sobre uma atriz que se prepara para entrar em um reality show.

Bazaar entrevista a atriz com exclusividade. Leia na íntegra:

Depois de tanto tempo longe das novelas, como foi o retorno às gravações?

Eu estou muito feliz por tudo, com esse reencontro com a Rede Globo nesse momento, com esse produto, com as pessoas com quem estou trabalhando, a Cláudia Souto, a Natalia Grimberg, toda a equipe de direção, com esse elenco maravilhoso, e os meus parceiros com quem eu trabalho mais. São pessoas que eu gosto muito, tenho muita admiração, então estou muito contente, é uma sensação maravilhosa de estar de volta

Como você se preparou para fazer a vilã Regina? Você se inspirou em algum personagem que já existiu?

A gente trabalhou o elenco inteiro com a Cris Moura, que é uma preparadora maravilhosa, e fizemos um trabalho em grupo dos núcleos, mas também um trabalho com o trio de vilões, eu, Ícaro e Ricardo Pereira, para trabalhar a relação desses três, até que ponto a confiança deles vai, porque eles confiam sempre desconfiando um do outro, já todos sabem do que cada um é capaz de fazer.

Especificamente da Regina, eu trabalhei essa questão dela ser uma pessoa duas caras, que aparenta ser subserviente, calma e tranquila, quando por trás ela está ali fazendo muitos planos diabólicos para atingir os objetivos dela. Busquei referência de vilãs que têm a ver com a história dela, que é usar o Leonardo para atingir um objetivo de ambição e fortuna que ela tem, e para isso uma referência clássica é a Lady Macbeth, da peça do Shakespeare, já que é ela quem estimula o Macbeth a fazer tudo que ele faz para conseguir se tornar rei, não importa os meios, “os fins justificam os meios”, nesse caso. E outra personagem icônica para mim é a Eve Harrington do filme ‘A Malvada’, personagem que chega sendo fã da atriz, querendo ser assistente e ajudar, quando na verdade ela quer derrubar aquela mulher e pegar o posto dela, então são referências que me ajudaram a construir a Regina.

Mel Lisboa – Foto: Carlos Sales e Fabio Audi/Divulgação

Como foi voltar para a TV quando muitos artistas estão fazendo o caminho oposto e indo para o streaming?

Eu me vejo sempre em um caminho um pouco heterodoxo, não é exatamente uma escolha, a minha vida foi sendo assim, ela é uma mistura de oportunidades e escolhas. Eu fiz bastante streaming e séries, filmes, e agora estou voltando para TV, mas está tudo diferente, não é mais como era antes, então é possível fazer um trabalho agora e depois eu posso fazer outro. Nesse momento eu estou fazendo novela, mas desde 2015 eu vivo essa vida de fazer um trabalho de cada vez, e vou encaixando para que dê certo, mas agora é um trabalho mais longo, e um reencontro com a Rede Globo, com as novelas, que está sendo muito agradável, muito gostoso, muito divertido, e um aprendizado também enorme

Esta novela conta, entre outras histórias, a da vida dos dublês. Você já teve um dublê ou faz suas próprias cenas de ação?

Sim, eu já tive dublês para muitas cenas, mas também já fiz muitas cenas, um exemplo disso é ‘Atena’, que eu gravei ano passado, que é uma justiceira e eu tinha várias cenas de luta, e não tinha dublê, quem fazia era eu mesma, então fomos preparados, coreografados, para tentar fazer de uma forma que ficasse crível (risos), e é bem difícil, você precisa ter um preparo bem específico, precisa estar bastante concentrada e bastante orquestrado, e um preparo físico forte, então não é fácil não (risos), mas é isso, já tive dublês e já fiz eu mesma!

Mel Lisboa – Foto: TV Globo/Divulgação

O figurino de Regina ajuda você a entrar na vibe da personagem? Como o figurino interfere na criação da persona?

Eu acho o figurino, a caracterização de uma forma geral, fundamental, eu sou um tipo de atriz que gosta bastante de entender a personagem de fora pra dentro, as vezes mais do que ficar criando uma história, um passado, uma gênese, eu vou numa materialidade, eu olho o texto, vejo o que a personagem está dizendo, suas ações, suas reações, e o figurino, a caracterização, desenham essa personagem, qual é a roupa que ela veste, qual sapato calça, que maneira anda, isso me ajuda muito.

E sim, Regina tem esse visual que ajuda muito na composição da dissimulada, mas tem ali já um toque da vilania, com o cabelo, com as cores, com a sobriedade, eu acho fundamental figurino. E o figurino e caracterização da Regina me ajudam, sim.