Ilustração da série Hide And Sike de Malika Favre - Foto: Reprodução
Ilustração da série Hide And Sike de Malika Favre – Foto: Reprodução

Por Anna del Mar

Francesa radicada em Londres, a ilustradora Malika Favre é a perfeita tradução da frase “menos é mais”. Suas ilustrações, minimalistas e com poucos traços, conquistaram o mundo todo. No currículo, a jovem de 30 anos acumula trabalhos para grifes como Dolce & Gabbana e Gucci, bem como capas de diversas publicações – inclusive brasileiras  – e, mais recentemente, uma versão deluxe do polêmico Kama Sutra, lançado pela editora Penguin’s.

A Harper’s Bazaar bateu um papo com a artista sobre seu trabalho, projetos futuros e claro, moda! Confira a entrevista abaixo:

Harper’s Bazaar: Onde você busca inspirações para suas ilustrações?
Malika Favre: Processo informações de forma  ‘orgânica’, então sempre achei difícil definir inspirações específicas para meu trabalho. Minha arte está relacionada em achar a beleza em coisas simples do dia a dia, e representar objetos e pessoas de uma forma bem colorida. Para isso, estou sempre prestando atenção em sombras, filmes e situações engraçadas. Sou muito sensível à luz e ângulos dramáticos, e ando para cima e para baixo com minha câmera fotográfica. Procuro viajar bastante e visitar novos lugares, é sempre uma boa alternativa para olhar as coisas de uma forma diferente. Quando estou em fase de pesquisa, olho muitas fotos – de moda ou qualquer outro assunto – e quando acho um determinado ângulo ou contexto que me agrada uso como inspiração. Agora por exemplo, estou obcecada pelo trabalho de Guy Bourdin. É tão moderno e carregado de tensão sexual.

Dona de um estilo minimalista, Malika utiliza muitas cores e poucos traços em suas ilustrações - Foto: reprodução
Dona de um estilo minimalista, Malika utiliza muitas cores e poucos traços em suas ilustrações – Foto: reprodução

HB: Você já trabalhou algumas vezes com veículos brasileiros. Nosso país está de alguma forma em seus planos para o futuro?
MF: Comecei a trabalhar com o Brasil um ano atrás com a Folha de S. Paulo e mais tarde fiz uma campanha para a Maximidia. O que mais me impressionou foi a aceitação das pessoas com quem eu estava trabalhando. Sinto que há uma relação muito interessante com a cultura de vocês e o tipo de trabalho que eu faço. Nós não entramos em conflito com facilidade.

Ilustração de Malika para uma versão deluxe do Kama Sutra - Foto: Reprodução
Ilustração de Malika para uma versão deluxe do Kama Sutra – Foto: Reprodução

HB: Seu guarda-roupa é colorido e minimalista como seus desenhos? Tem algum estilista preferido?
MF: Eu amo moda, sapatos, color blocking, tecidos e estampas gráficas. Me visto de acordo com minha conta bancária. Recentemente entrei pela primeira vez em lojas da Hermés e da Saint Laurent. Agora ninguém me segura! Acho que me visto bastante como minhas ilustrações, sim. Minha relação com a moda começou com a ERES, linha de beachwear da Chanel. A primeira vez que eu provei um biquíni da ERES tinha uns vinte e poucos anos e não me toquei do preço na etiqueta até estar com o biquíni no corpo caindo perfeitamente bem. Tive que esperar alguns anos até comprar minha primeira peça de lá, e agora acho que tenho uns seis modelos. Sou uma pessoa compulsiva, então, se gosto de um designer, eu não compro apenas uma peça, compro várias. No momento estou apaixonada pelas estampas da Kenzo, as cores dos vestidos da Hermés, qualquer sapato da Prada e claro, as listras de Sonia Rykiel.

Desenho de Malika para a coleção de beachwear da Gucci - Foto: Reprodução
Desenho de Malika para a coleção de beachwear da Gucci – Foto: Reprodução