Foto: Divulgação
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por André Aloi

A dicotomia entre ser atriz ou cantora move Clarice Falcão. Aos 26 anos, com a turnê em curso de seu bem-sucedido Problema Meu (lançado em fevereiro), ela faz um desvio de rota. O pit stop acontece nos cinemas, ao lado de Gregorio Duvivier, ex–marido e ex-companheiro do Porta dos Fundos, em Desculpe o Transtorno, do diretor Tomás Portella. No longa, Eduardo (Duvivier) sofre de transtorno de personalidade e fuga da realidade ao se ver em situações decisivas. Após a perda de um ente querido, ele assume Duca, o alterego carioca e boêmio, que se encanta por Bárbara (Clarice) em uma situação de extrema urgência. A partir dali, toda vez que tem de decidir, oscila entre o fanfarrão e o nerd coxa-paulistano, que tem uma vida monótona, regrada e um namoro “tchuco” com Dani Calabresa. Apesar de fantasioso, baseia–se em alguns aspectos reais de relacionamentos e pincela casos de codependência.

“Acho que todo mundo já lidou com alguém assim”, diz Clarice à Bazaar. “Ou você mesma não foi totalmente sincera ou verdadeira em determinado momento. Às vezes, é até pior se sentir a pessoa duas caras.” A personagem assume que gostaria de ser poligâmica, mas, para a atriz, as coisas não são bem assim. “Já fui mais apegada. Estou num processo de ser cada vez menos. Acho que a gente tem de parar de romantizar o ciúme e a possessividade. Era muito assim… Escorpiana! Quero me livrar desse tipo de coisa.”

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Ainda que não estejam mais casados, como na época da filmagem (outubro de 2014), Clarice afirma que gosta de contracenar com Duvivier. “A gente sempre se deu muito bem. Já trabalhamos muito juntos. Foi muito fácil, divertido”, argumenta. “Para escrever, atuar ou compor,quanto mais intimidade você tem com a pessoa, mais ousa e mais coisa legal sai disso”, explica, tentando creditar essa proximidade ao sucesso do Porta. “Muita intimidade… Assim que me senti no filme.”

Com os 30 batendo à porta, e com ele a famosa crise, Clarice conta que tem esse clique todo dia. “Como faço muita coisa, quando troco de focorola um pouco disso, de ficar agoniada e pensando ‘será que eu não quero fazer outra coisa?’. Quando fiz a primeira turnê do Monomania, tive uma crise pesada de não saber se queria ser só cantora ou se queria ser atriz. Os dois de uma vez ou um a cada hora”, relembra. “Teve uma hora que precisei repensar. Até saber qual o tamanho que queria ter. Começou a fugir do controle e dei uma freada.” Para ela, que se entende rápido com as coisas, é bom ter opções.

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