Foto: Sergio Baia

Quando a pandemia veio, Cris Vianna tinha acabado de estrear uma peça no Teatro Bradesco, em São Paulo. Foram três apresentações seguidas e, no dia 16 de março do ano passado, parou porque o Brasil entrou em quarentena. Com uma mala feita para passar só 5 dias, acabou ficando sete meses na capital paulista com a mãe. “Queria estar perto dela! Foi uma mudança grande e repentina”, relembra.

A atriz está no ar em “Império”, novela das 21h na Globo, que está sendo reprisada. Ela interpreta a Juju Popular, um de seus personagens mais consagrados. “Estou assistindo! É diferente quando a novela já está toda pronta e não estamos gravando. Dá tempo de ver melhor e de curtir cada cena. É bem diferente de quando eu estava gravando. Quase não tinha tempo de ver”, recorda.

Lá se vão oito anos que a novela foi ao ar. Mas ela prefere olhar para a personagem com o olhar da época em que a novela foi gravada. “Era um outro momento. Se fosse hoje, com todas as mudanças que aconteceram, acredito que seria bem diferente em alguns aspectos. Acho que o próprio autor (Aguinaldo Silva) mudaria ou acrescentaria algo na obra como um todo.”

Com as produções retomando, respeitando todos os protocolos, o entretenimento busca novos caminhos para não parar. “Fui convidada para gravar uma série virtual, mas, por uma questão de agenda, não pude participar. Mas fiz muitos trabalhos em que eu mesma tinha que produzir a luz, o cenário, o som… Até teste para cinema eu fiz virtualmente”, conta a atriz. Adaptando-se aos eventos virtuais, ela é a própria cenografista. “A casa passou a ficar uma loucura”, ri. Scroll e leia o restante da entrevista em formato ping-pong!

Foto: Sergio Baia

Está no ar o quadro “Dança dos Famosos”, no “Domingão do Faustão”. Você participou em 2017… Gostaria de ter voltado ou melhor: iria para outro reality? Acompanhou o “Big Brother Brasil” deste ano? Teria coragem de se expor assim? Ou o máximo de exposição mesmo só para o “Dança…”?

Sim, acompanho sempre o Big Brother e gosto muito! Não é uma questão de coragem. Isso não me falta, mas não iria porque não me vejo nesse lugar de pessoa confinada. Acho que não aguentaria. Amei fazer a “Dança”! Só sinto ter escolhido participar em um momento de muita correria na minha carreira.

Na época, em 2017, eu estava com um espetáculo em cartaz e viajei para oito estados do País no mesmo momento em que precisava ensaiar e dançar ao vivo. Tinha dias em que eu só podia ensaiar a coreografia de madrugada. Já ensaiei até em cozinha de hotel por ter mais espaço. (risos) Depois disso, eu ainda tinha que levantar às 5h da manhã para viajar e estar às 9h no estúdio. E, no domingo, também tinha o ao vivo. Foi um grande desafio!

Foto: Sergio Baia

Antes da pandemia, você participou do musical “Quando a Gente Ama”, em homenagem ao cantor e compositor Arlindo Cruz. Você tem vontade de lançar algum trabalho autoral na música? E o que você gosta de ouvir?

Sim, participei do musical pela primeira vez em 2013. Voltamos em 2019 e, em 2020, íamos reestrear, mas tivemos que parar por conta da pandemia. Mas vamos voltar assim que tudo passar. E, sim, tenho essa vontade de, um dia, lançar um trabalho autoral. Meu gosto é por música brasileira de um modo geral, mas ouço mais sambas e música popular.

Recentemente, você emprestou sua voz para dar vida à Sofia, no podcast ficcional de mesmo nome, no Spotify. Inclusive, foi a primeira obra autoral da plataforma aqui no Brasil. Vai haver uma segunda temporada?

Sim, foi a primeira obra e amei participar. Sobre haver uma segunda temporada, ainda não sei, mas acho que talvez possa ter. Até porque, o final da primeira deixa gancho pra uma segunda. Estou na torcida!

Em casa, você é boa com tecnologia? Tem algum serviço automatizado? Para o que você fala: Alexa (ou Siri), faça isso ou aquilo?

Não tenho e não uso, mas testei alguns como treinamento para gravar a série.

A gente vive o boom dos podcasts, um século depois da Era de Ouro do rádio… Você é uma boa consumidora desse tipo de mídia? Tem dicas para compartilhar para a gente? Tem vontade ou está produzindo mais coisas?

Estou me encantando pouco a pouco por esse universo. Agora, com mais tempo em casa, tenho ouvido muitas entrevistas sobre temas que acho interessantes. São vários, depende do dia. A dica é que você procure por assuntos que te interessem, que você queira se aprofundar mais ou que façam parte do seu momento atual.

Muita gente sairá dessa pandemia com outros tipos de bagagem. Tenho acompanhado nas suas redes sociais indicações e posts que exaltam pautas raciais, filmes e artistas/músicas que falam de raízes e de ancestralidade… Foi um jeito que você achou para ajudar a “educar” parte do público, que não necessariamente vai atrás desse tipo de conteúdo, que é tão importante?

Sempre fiz esse tipo de post na minha rede social com a intenção de trocar, divulgar informações e assuntos que acho importante, mas não com a intenção de “educar” ninguém. Talvez se torne apenas mais uma fonte de informação entre as tantas que já temos. Esses assuntos sempre fizeram parte da minha vida e, por isso, possuem grande importância pra mim.

Queria saber como você se relaciona com a moda. Qual foi o primeiro item de label que você comprou? Tem alguma história engraçada por trás disso?

Meu primeiro item de marca foi uma bolsa da Louis Vuitton que comprei à vista quando fui pela primeira vez a Nova York. Infelizmente, trouxe na dentro da bagagem de mão. Dormi durante o voo e me roubaram sem que eu percebesse.

Foto: Sergio Baia