Carey Mulligan em cena de O Grande Gatsby - Foto: Divulgação
Carey Mulligan em cena de O Grande Gatsby – Foto: Divulgação

Por Cleide Klock

Encarnar Daisy Buchanan, a musa, femme fatale com cara de anjo, coberta de diamantes e roupas mais do que elegantes, virou desejo de alguns dos nomes mais conhecidos de Hollywood: Scarlett Johansson, Blake Lively, Keira Knightley, Michelle Williams e Natalie Portman bem que tentaram.

Além de ser uma das personagens femininas mais marcantes da literatura americana, de quebra O Grande Gatsby seria Leonardo DiCaprio. Mas quando o diretor australiano Baz Luhrmann viu Carey Mulligan atuando, a reação pode até ser comparada com o amor à primeira vista de Daisy e Jay Gatsby: “Encontrá-la foi como ver E o Vento Levou… Era como olhar para Scarlett O’Hara ou algo assim. Todas as atrizes vieram, trabalhamos com cada uma. Mas desde que Carey entrou na sala e depois que saiu, eu e o Leonardo sabíamos que seria ela. Leonardo me disse: ‘Gatsby conheceu outras mulheres, mas nenhuma como Daisy, uma flor difícil de ser cultivada, que ele tinha obsessão por protegê-la’. Tinha algo que Gatsby nunca encontrou em outra pessoa”, conta Baz. E assim Carey Mulligan ganhou o papel.

O filme abre o festival de Cannes nesta quarta-feira (15.05) - Foto: Divulgação
O filme abre o festival de Cannes nesta quarta-feira (15.05) – Foto: Divulgação

Na tela, ela usa vestidos vintage inspirados nos anos 20, brilha com muitos diamantes e tem a postura elegante de uma dama daquela época. Em Nova York, ela entra numa das salas do charmoso e centenário Hotel Plaza, onde jornalistas do mundo inteiro a esperam: veste uma camisa sem manga, corte reto, com uma espécie de nó na frente, calça preta acinturada (Céline), salto, pouca maquiagem, unhas transparentes e nenhuma joia, além da discreta aliança na mão esquerda.

A atriz de corpo esguio se tornou um ícone fashion, presente nas variadas listas das mulheres mais elegantes do planeta. Mas nessa sala, a mulher fatal do cinema mais parece uma menininha com sorriso delicado. A inglesa, de 27 anos, que já foi garçonete e ficou conhecida depois que fez, há quatro anos, o filme Educação (foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz). Ela conta para a Bazaar como foi encarar o maior papel de sua vida… até agora, porque deve vir muito mais pela frente.

Bazaar – Você pode contar como foi o teste para conseguir o papel de Daisy? O diretor pediu para você improvisar, certo? Ficou nervosa?
Carey Mulligan – Sim, estava um tanto desesperada. O Baz, que gosta de contar muito essa história de como foi o teste: Ele disse ‘Daisy, beije Gatsby (Leonardo DiCaprio)’, então eu perguntei ‘agora?’. Ele disse sim, então eu o beijei. Acho que passamos duas horas juntos no primeiro e no segundo testes, refazendo cenas, e Baz tirou milhares de fotos nossas. Fazia a gente rir, acho que estava tentando ver como eu e o Leonardo ficávamos um ao lado do outro. Saí de lá e liguei pra minha mãe e falei pra ela que se não conseguisse o papel, já tinha sido incrível: já tinha passado horas com Leo e Baz e me divertido muito.

Como foi interpretar um ícone do estilo femme fatale da literatura?
Eu realmente não pensei sobre esse lado famoso, já que a história não é tão icônica na Inglaterra. Eu não li esse livro na escola, por exemplo e só o li três dias antes do teste. Então, felizmente, acho que para mim, isso foi bom. Caso contrário, ficaria muito mais ansiosa. Mas o fato de ter que encarnar uma femme fatale me assustou. Não sei se esse é o termo certo pra Daisy, mas certamente, nunca fiz um papel que tivesse tanta ênfase na aparência.

Como você se sentiu vestindo as roupas inspiradas nos anos 20?
Como eu falei, eu nunca fiz um papel tão feminino antes, então as roupas ajudaram a me inspirar. Tudo era tão lindo e delicado. Por isso me senti de uma forma diferente, sentava e andava diferente. Todos os dias, Baz me pegava pela mão e vinha me buscar, me senti muito elegante, foi engraçado. Os diamantes que eu usava eram uma loucura. Eu nunca tinha usado joias como aquelas em minha vida, e sempre tinha um homem me seguindo o dia inteiro… acho que era para garantir que eu não fugiria com elas (risos).

Você teve de aprender como era o comportamento das mulheres nos anos 20?
Nós conversamos sobre comportamento e etiqueta nos anos 20 e o que era esperado das mulheres naquela época. Tivemos aulas de dança, também. Eu sou terrível em dança, mas consegui pelo menos aprender a postura, o que é o mais importante. Em seguida, o que achei mais interessante foi ter um treinador para voz. Ele me disse que o rico, naquela época, não precisava falar rápido porque as pessoas estavam prestando muita atenção em suas palavras. Então, se você fosse muito rico, poderia falar mais devagar com graça. Da mesma forma com os movimentos: não precisava ter pressa.

Esse filme teve uma grande pós-produção. Vendo-o pronto no telão, você acha que ficou muito diferente do que você via no set?
Sim, em primeiro lugar, eu nunca tinha visto nada do que tínhamos gravado em 3D. Baz pedia para eu ver no monitor, mas eu não olhava. Então, eu não sabia o que esperar. Toda a pós-produção de recriar Nova York, de preenchimento dos tetos das casas e, claro, nossas cenas, ficaram incríveis. Eu amei também a música, foi tão bem escolhida. E a melhor cena para mim é a de quando o Gatsby aparece pela primeira vez, com um show de fogos de artifício.

Tobey Maguire e Leonardo DiCaprio são amigos muito próximos há um longo tempo. Como foi entrar no grupo?
No começo pensei que era um clube de meninos, mas isso era apenas minha insegurança, pois eles são atores bem conhecidos e brilhantes, então eu me senti ansiosa, nervosa. Mas eles foram muito gentis, acolhedores e as conversas eram de igual para igual. E então eu meio que entrei no clube dos meninos.

Quais os maiores ensinamentos que você aprendeu fazendo esse filme?
Eu não fiz uma quantidade enorme de filmes e eu não sou do tipo muito experiente quando se trata de ser atriz. Então, ver Tobey e Leo no set, a maneira que eles trabalhavam, foi muito interessante. Acho que aprendi muito para o próximo filme, mas não trabalhei mais desde que terminei este.

Você acha que a Daisy pode inspirar você no seu dia a dia, na forma de se vestir, daqui para frente?
Eu não me vejo como uma figura muito feminina, mas também não como um moleque. Eu não gosto de vestir roupas muito chiques. Sou bastante simples, não uso joias, pois sempre as perco.

Você não está usando nada hoje…
Não, iria perdê-las…