Eleonor Catton - Foto: divulgação
Eleonor Catton – Foto: divulgação

Um romance com tudo o que um excelente romance deve ter: suspense, crimes, desaparecimentos, envenenamentos e paixões. Some-se ainda a presença de contrabandistas, drogas, navios-fantasmas, prostitutas e ouro. Tudo isso sem ter medo de cruzar os limites do fantástico. Os Luminares (Globo, R$ 70), livro de Eleanor Catton, 29 anos, tem mais de 800 páginas e é construído a partir de mapas astrais e cruzamentos astrológicos, que acompanham cada um dos inúmeros personagens.

É um romance de estrutura impressionante, e a forma como a história se entrelaça e o mistério é desvelado é extremamente inteligente. Um livro viciante, envolvente e experimental; não à toa, já teve os direitos comprados pela BBC. E chega agora ao Brasil, junto da autora, uma das convidadas da Flip. (DENISE SCHNYDER)

Daniel Alarcon - Foto: divulgação
Daniel Alarcon – Foto: divulgação

“Escrevo muito e desde muito jovem. As histórias eram algo importante para mim. Mas, no começo, não sabia como transformar essa paixão em carreira”, explica Daniel Alarcón, que estreou na ficção em 2005. Tanto afinco lhe rendeu, apesar da pouca idade, uma obra digna de veterano.

Além dos livros de contos Guerra à Luz de Velas (2006) e O Rei Está Sempre Acima da Vila (2009) e da novela gráfica Cidade de Palhaços, publicou os romances Rádio Cidade Perdida (Rocco) e À Noite Andamos em Círculos (Alfaguara R$ 40), que será lançado durante a Flip. Daniel nasceu no Peru e fala espanhol fluentemente, apesar de viver nos Estados Unidos desde os 3 anos. “Lima, para mim, é palco de dramas familiares e espaço da minha infância que faço questão de visitar constantemente. Essa posição na metade do caminho, na verdade, me dá perspectivas que outros escritores não têm.”  (CAMILA MORAES)

Joel Docker - Foto: divulgação
Joel Docker – Foto: divulgação

Joël Dicker, 29 anos, vive uma rotina de rock star. Há dois anos, sua vida consiste em visitar cidades que ele jamais imaginou conhecer. O hit que o alçou ao estrelato atende pelo nome de A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert (Intrínseca, R$ 40), romance policial com mais de dois milhões de cópias vendidas. O livro é um tomo de quase 600 páginas que parte do assassinato de uma moça de 15 anos em uma dessas pequenas cidades estranhas dos Estados Unidos.

O best-seller que traz o suíço ao Brasil é seu segundo romance publicado, mas a pressão pelo “sucesso” nunca existiu. “Meu editor, um senhor muito tranquilo e simpático, leu o manuscrito em uma noite e queria publicar imediatamente. Eu não quis. Minha ideia era esperar mais um pouco, porque meu primeiro livro havia sido lançado há pouco. Terminei cedendo, mas nunca senti coação.” Entre um quarto de hotel e outro, Dicker começou a fazer as anotações de um novo romance. Quem sabe o Brasil não lhe renda algumas linhas… (CAROL ALMEIDA)

Etgar Keret - Foto: divulgação
Etgar Keret – Foto: divulgação

Num dos pequeninos e hilários contos que fazem parte da coletânea De Repente, Uma Batida na Porta (Rocco), do israelense Etgar Keret, 46 anos, três homens armados fazem de refém um escritor chamado Keret e o obrigam a lhes contar uma história. O personagem Keret improvisa uma descrição nervosa daquela situação, ao que os sequestradores respondem: “Isso não é uma história. Isso é exatamente do que estamos tentando fugir. Você não pode jogar a realidade em nós como um caminhão de lixo. Use sua imaginação, crie, invente”. Keret, o escritor, obedeceu plenamente às ordens de seus personagens sequestradores. Sua escrita passa longe do realismo. Ao contrário: flerta com o nonsense, o surrealismo e a fábula – cujo enredo, muitas vezes, obedece à lógica anárquica dos sonhos.

O resultado final é original e reserva boas doses de humor, daqueles que provocam não somente um risinho tímido do leitor, mas verdadeiras gargalhadas. A linguagem de seus contos é coloquial, atingindo uma aparência de falsa simplicidade e extrema concisão. (MARIA CLARA DRUMMOND)