Beatriz Milhazes terá carreira contada por meio de pinturas, esculturas, colagens e cenografia em nova mostra – Foto: Vicente de Paulo

Beatriz Milhazes vai ganhar uma mostra panorâmica, dividida em duas partes no Masp e no Itaú Cultural, neste mês, em São Paulo. Conhecida por seus traços marcados e colorismo, a artista se pegou pensando durante o início da pandemia da Covid-19: “por que não desbravar novas plataformas e ferramentas, dentro de casa?”. O resultado desse exercício pode ser visto na série de desenhos “Aleluia de 1 a 7“, uma espécie de mandala, que a artista desenvolveu a partir desse ambiente “livre e íntimo”, como conta à Bazaar.

Estes desenhos, inspirados pelo símbolo de Paz e Amor (que já havia usado em outros trabalhos), têm traços em lápis de cor e marcadores variados sobre papel. São obras menores, de 42 x 59,5 cm, conclusão de nova plataforma de trabalho, apresentadas ao público no centro da exposição montada no Masp. Este símbolo é algo que a artista sentiu “muito forte”, isolada sozinha, entre medos e incertezas do começo da quarentena.

Durante a pandemia, Beatriz se viu reclusa em seu apartamento no Leblon, Rio de Janeiro, onde montou um pequeno ateliê. Entre a incursão pelo mundo online – fazia até compras por aplicativo – esse novo ambiente era uma proposta diferente do seu espaço, no bairro do Horto, onde produz seus grandes murais e deixou de frequentar por medo desse vaivém. “Ter a possibilidade de organizar outros projetos foi um dos ganhos da quarentena, que nos fez ficar mais concentrados para pensar e refletir”, conclui a artista.


Mostra panorâmica
Uma das artistas mais bem-sucedidas da pintura contemporânea, ela terá outras facetas de sua obra exploradas nesta exibição, como o flerte com gravuras e esculturas, colagens com papéis de chocolate e balas, além de sua proposta cenográfica ao trabalhar ao lado da irmã, a coreógrafa Márcia Milhazes – muitos objetos e obras serão mostrados pela primeira vez ao público brasileiro. Outra novidade: se as fases de alerta da pandemia se mantiver em verde, a ideia é realizar performances de dança junto à mostra.

Com curadoria de Ivo Mesquita, o recorte proposto pelo Itaú Cultural é apresentar gravuras, colagens e algumas acrílicas da artista. Já no Masp, os curadores Adriano Pedrosa e Amanda Carneiro, reuniram pinturas, em grandes e pequenos formatos, além de esculturas e desenhos. A exposição “Beatriz Milhazes: Avenida Paulista” abre, respectivamente, nos dias 12 e 18 de dezembro.