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Bruce Nauman ganha exposição no MoMA

A exposição reúne cinco décadas da produção de um dos maiores nomes da arte contemporânea

by Felipe Stoffa
Brunce Nauman, Human Nature/Life Death/Knows Doesn’t Know (1983) - Foto: Divulgação/MoMA

Brunce Nauman, Human Nature/Life Death/Knows Doesn’t Know (1983) – Foto: Divulgação/MoMA

Da extensa biografia de Bruce Nauman resta uma certeza: a criação é algo que parece ter sempre permeado sua vida. Para entender a complexidade do trabalho de um dos maiores nomes da arte contemporânea, vale voltar ao tempo, em que ele morou em uma mercearia abandonada em São Francisco, logo após a graduação na Universidade da Califórnia, em 1964. Sozinho no estúdio, decidiu que tudo o que passasse pelas suas mãos se tornaria obra de arte.

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Bruce Nauman, Fist in Mouth (1990) - Foto: Divulgação/MoMA

Bruce Nauman, Fist in Mouth (1990) – Foto: Divulgação/MoMA

Dali para frente, o americano produziu uma extensa gama de vídeos, fotografias, pinturas, instalações, desenhos, esculturas e performances. Sem contar algumas das produções em néon, parte de uma série de trabalhos pelos quais ele é mais conhecido do público. No escopo disso tudo, o que sempre o preocupou, e se manteve como constante em seus trabalhos, são as distintas maneiras de abordar o corpo humano.

Bruce Nauman, Green Horses (1988) - Foto: Divulgação

Bruce Nauman, Green Horses (1988) – Foto: Divulgação

Agora, a obra do artista pode ser vista de forma completa em Bruce Nauman: Disappearance Acts, retrospectiva preparada pelo MoMA, em Nova York. A mostra abre as portas 25 anos depois da última exibição de trabalhos do americano na instituição. Ela é tão grande que ocupa também o MoMA PS1, segundo edifício do museu. “O título fala diretamente sobre várias aparições em meio ao desaparecimento discutido no trabalho de Nauman”, conta Kathy Halbreich, encarregada da curadoria.

Ela tenta mostrar como o artista se utiliza da ideia da ausência dentro de sua obra. “Por exemplo, nos buracos que são do tamanho de uma parte do corpo, um espaço embaixo de uma cadeira, acontecimentos em seu estúdio e também bloqueios de produção. Para Nauman, desaparecimento é um fenômeno real, mas também uma metáfora que lida com as ansiedades do processo criativo”, completa.

Bruce Nauman, Light Trap for Henry Moore, No. 1 (1967) - Foto: Divulgação

Bruce Nauman, Light Trap for Henry Moore, No. 1 (1967) – Foto: Divulgação

São mais de 80 peças em exposição. Nos dois edifícios, encontram-se obras feitas em diversos suportes e de todas as fases do artista. Grandes instalações, parte da obsessão dele em criar trabalhos em larga escala, foram distribuídas pelo sexto andar do MoMA. Lá estão Days (2009) e Contrapposto Studies, I Trought VII (2015/2016). Disappearance Acts também reúne dois trabalhos expostos pela primeira vez nos Estados Unidos: Leaping Foxes (2018), uma escultura dourada de raposas e cavalos de ponta-cabeça, e Contrapposto Split (2017), vídeo feito totalmente em 3D. “Ao deixar certos pontos de sua obra abertos para diversas formas de entendimento – muitas vezes conflitantes –, Nauman testa a disposição do espectador para abandonar o que seria seguro e familiar”, diz a curadora.

Bruce Nauman, One Hundred Live and Die (1984) - Foto: Divulgação/MoMA

Bruce Nauman, One Hundred Live and Die (1984) – Foto: Divulgação/MoMA

Ao longo dos 50 anos de criação, Nauman sempre foi visto como um artista questionador. O que o interessa é a quebra de normas e padrões de conduta. Ele explorou o som, a palavra, o tempo e a arquitetura por distintas maneiras, mas também muito influenciado pelos movimentos artísticos que surgiram, como a arte conceitual.

Durante a mostra, fica claro que sua obra dá voz a uma frustração dele mesmo em torno da condição humana, ou como as pessoas se recusam a entender as diferenças. Principalmente vindo de alguém que viveu o auge de grandes movimentos e da contracultura. Para cutucar essa ferida, ele criou, por exemplo, esculturas em néon que simulam atos sexuais, ou aparecem em palavras que podem ser lidas como poesia ou provocações jogadas ao espectador. No geral, é uma forma de falar também sobre a melancolia. “Todo o seu trabalho nos ensina onde a liberdade começa”, completa Kathy.

Bruce Nauman: Disappearance Acts
Museum of Modern Art – MoMA
Nova York
De 21 de outubro a 19 de fevereiro de 2019