Foto: Daryan Dornelle
Foto: Daryan Dornelle

“Acho bom adiantar que quem quiser ver um pornô soft não deve assistir”, afirma Maria Bopp, atriz que interpretará Bruna Surfistinha na série de TV de mesmo nome, inspirada na história de Raquel Pacheco, a paulista que se tornou famosa ao relatar sua vida como garota de programa. E que depois virou filme com Deborah Secco no papel da protagonista.

Com direção de Márcia Faria e estreia prevista para julho na Fox, os episódios do seriado, na opinião de Maria, apresentam uma visão bastante madura, que investiga a nudez feminina durante as relações, diferente daquele olhar viciado sobre o sexo. “As cenas têm função narrativa, não estão ali por acaso. Sabia que não iam explorar meu corpo de forma desnecessária, e isso me deixou mais segura”, explica.

Com apenas 24 anos, voz de menina e jeito que aparenta timidez, Maria se classifica como “bastante careta”. Diz que não participaria de surubas, como as que viveu durante a filmagem, e afirma ser partidária da relação entre duas pessoas que se gostem, com muita cumplicidade. Em uma das cenas mais difíceis, transa com outra mulher enquanto vários homens as tocam “como se fossem apenas objetos”.

Sua participação na série representa também a primeira personagem de destaque na recém- iniciada carreira. Formada em Audiovisual pelo Senac, com experiência nas funções de assistente de direção e continuísta, Maria havia trabalhado como atriz uma única vez, em um papel coadjuvante na série Oscar Freire 279 (Multishow, 2011).“Quando me convidaram para o teste de Bruna Surfistinha, achei que não ia dar conta, que não era para o meu bico”, lembra.

Foto: reprodução/Instagram
Foto: reprodução/Instagram

Para encarar a tarefa, chegou a conhecer Raquel. Elas se encontraram duas vezes, mas mantiveram contato virtual durante o processo. Na primeira vez que se aproximaram, estavam com os olhos vendados e, a pedido do preparador de elenco, encostaram as mãos no peito uma da outra, na altura do coração. Em um exercício que durou quase uma hora, Maria repetia em voz baixa o que ouvia de Raquel.

A atriz ainda se impressiona quando recorda o que ouviu sobre os privês, como são chamadas as casas de prostituição, e a percepção de Raquel sobre o espaço, que não lembrava em nada o que havia pesquisado antes de decidir se tornar garota de programa. “Perguntei se ela pensou em desistir, e ela disse que não voltaria atrás, estava decidida. Vi muita coragem nisso”, conta. Aceitar viver Bruna, de certa forma, também exigiu coragem de Maria. Desde que sua participação foi anunciada, ela se depara com insinuações nas redes sociais de que só havia conseguido o papel por ter feito concessões.

“Eu me preocupo com a repercussão, pois vivemos numa sociedade preconceituosa. Mas aprendi a lição, não lerei mais comentários nas redes”, diz. Na espera da estreia da série, recusou ofertas de trabalho como continuísta. E agora se dedica a cursos de interpretação. “Quero ser atriz. Não vou deixar essa oportunidade passar de jeito nenhum.”