Caio Bayer na frente de sua pintura a óleo "Tevejo" - Foto:  Pedro Pedreira
Caio Bayer na frente de sua pintura a óleo “Tevejo” – Foto: Pedro Pedreira

Sempre que pode, Caio Bayer arranja tempo para se reenergizar em algum retiro. No começo do ano, renasceu em um ritual de batismo celebrado na aldeia Huni Kuin, região de Altamira (AC), pelo pajé Txana Ixã. “Tenho até nome que recebi deles”, diz o atual coordenador de estilo da Cavalera.

Ao retornar, fez imersão na Umbanda, religião pela qual sempre teve curiosidade. Há cerca de três anos, o estilista-artista circulou por diversos grupos de meditação, tomou ayahuasca, conheceu técnicas de cura, e praticou yoga.

Diz contar sempre com algum tipo de “ajuda invisível”, que lhe rendeu certos dotes para a pintura, que hoje incorporou em sua vida. Quando criança, Caio desenhava sem parar. Na hora de escolher a faculdade, desistiu das artes por causa do futuro incerto e da pressão familiar, e cursou negócios da moda.

Trabalhou na Cris Barros, M. Officer, Le Lis Noir e Zoomp, só para citar alguns. Há poucos meses na Cavalera, tem em mãos a proposta de ressignificar a marca.

O caminho espiritual começou quando, desempregado, uma desconhecida puxou papo no Instagram. “Conversamos, ela frequentava grupo de meditação, fazia ioga, levava uma vida saudável. Mas sumia sempre”, relembra.

O destino, no entanto, estava escrito. Caio a acompanhou em um workshop de Seishin, tipo de Reike praticado no Egito antigo. “Meu queixo caiu, me conectei com aquilo e me entreguei. A energia me desbloqueou várias questões, chorava como uma criança, o corpo tremia em uma frequência muito forte, não tinha como negar que era real.”

Dali para a frente, se jogou de cabeça. “Sempre fui essa figura all in. Não tem meio termo comigo”, diz. Passou a meditar todos os dias, mudou a alimentação, se aventurou em outras viagens espirituais e praticou mais esporte. “Trabalhava muito, não comia direito, mal dormia. Era workaholic total.”

E ainda se inscreveu em um curso de pintura. Primeiro, realizava os exercícios básicos do professor Marcio Alessandri. “Ele é bem acadêmico, pira no Rembrandt, Velásquez, superclássico. Sempre amei esse tipo de pintura e considero a mais difícil de ser feita.”

Pintava três horas por dia e, quando se deu conta, produzia impressionantes retratos e naturezas mortas. “Realmente tive uma ajudinha (espiritual). Pela primeira vez, vi que não estava sozinho”, brinca. “Foi um reencontro com algo que sempre gostei e nunca pude fazer.”

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"Tevejo" - Foto: Arquivo Harper's Bazaar
“Tevejo” – Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Tomou coragem para mostrar suas obras, ganhou elogios e foi apresentado a um marchand carioca especializado em produções mais clássicas. Também recebeu ofertas para encomendas. A primeira foi um retrato de Sri Prem Baba, atualmente disposta em um altar na residência do comprador, em Alto Paraíso (GO), cidade em que o guru mantém seu centro.

O ateliê de Caio fica em sua casa, em uma charmosa vila rodeada por muita área verde. “Nem parece São Paulo”, diz. Ao chegar do trabalho, acende um incenso, cuida das plantas, encarrega-se de atividades domésticas e só então começa a pintar.

Medita todo dia, sempre antes de dormir. “Aqui é outra vibe, tudo o que faço já é meio coisa de retiro. Dependendo da intenção que depositamos nas coisas, tudo pode ser terapêutico”, conta ele, que não tem televisão.

Ideias para próximas obras é o que não falta. O trabalho ganhou um ar muito mais autoral e seu criador deu uma pausa nos retratos para ambientar outros tipos de cenas, mas sempre figurativas. “Estou produzindo uma série que lida com temas humanitários, e vai evoluir muito por causa do ano de eleição. A intenção é fazer as pessoas se unirem novamente e cutucar esse assunto, de opostos. Mas de forma bem-humorada, tranquila e leve.” Assim como ele.

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