Tababuia (2009), fotocolagem de Caio Reisewitz - Foto:divulgação
Tababuia (2009), fotocolagem de Caio Reisewitz – Foto:divulgação

Por Juliana Monachesi

Florestas e cidades costumam conviver na produção dos fotógrafos que elegem o gênero da paisagem. Mas poucas vezes se viu uma convivência tão íntima entre natureza e arquitetura como na obra de Caio Reisewitz. “Vejo harmonia na natureza, assim como vejo caos. E, na cidade, vejo caos, assim como vejo harmonia”, resume o artista que estampou a capa de nossa Bazaar Art, no mês de abril de 2014, e que está de partida, em maio, para a meca da arte contemporânea: o brasileiro abre mostra institucional panorâmica em Nova York, no ICP – International Center of Photography.

“Não tenho idade para fazer retrospectiva. A mostra no ICP vai ser o que eles chamam lá de mid-career exhibition. Um dos ganchos do curador Christopher Phillips foi selecionar obras da 51ª Bienal de Veneza, o que foi interessante para mim: olhar para a produção de dez anos atrás e entender como, daquelas fotografias super-realistas, eu vim desembocar nessas imagens hiperconstruídas que estou fazendo agora”, conta o artista em entrevista a Bazaar.

Reisewitz é conhecido por subverter a verossimilhança das paisagens que registra, seja adotando um ângulo inusitado – que dá a impressão de que a foto foi manipulada -, seja alterando a imagem – que pode passar despercebido para um olhar apressado. A essas duas modalidades ele acrescentou, em anos recentes, uma terceira, que são as fotocolagens manuais, combinações escancaradamente inverossímeis entre mata e arquitetura.

China III (2010) de Caio Reisewitz - Foto:divulgação
China III (2010) de Caio Reisewitz – Foto:divulgação

“A arquitetura surge no meu trabalho para investigar a representação do poder. Aquelas igrejas forradas de ouro do barroco mineiro são uma forma de hierarquização em relação aos índios e aos negros. O raciocínio sobre a arquitetura modernista funciona da mesma forma: estar ali no Eixo Monumental, na Esplanada ou no Itamaraty evidencia a demonstração de poder do Estado”, analisa. Haverá um núcleo no ICP dedicado a imagens do sertão e da seca. “Fiz várias viagens para fotografar o agreste nordestino e quis incluir na expo para mostrar como essa realidade também faz parte do Brasil, e não apenas a natureza exuberante”, diz.

Uma parte significativa da mostra reúne sua investigação sobre as florestas. “Nasci e cresci em São Paulo, testemunhando a incansável mudança da cidade. Mas, para mim, paradoxalmente, a presença da floresta na cidade é forte; esse elemento ‘imutável’ dentro da realidade urbana.” Reisewitz menciona a Serra do Mar e a Serra da Cantareira, lugares que, durante sua infância, foram marcantes em sua experiência de SP. “Frequentei muito essas bordas da cidade”, conta. “Acho que é por isso que estou sempre criando relações entre a cidade e a mata.”

ICP School
1114 Avenue of the Americas at 43rd Street, New York, NY 10036, tel. (212) 857-0001

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