Kimbra - Foto: Divulgação
Kimbra – Foto: Divulgação

Ela já cantava e produzia as próprias canções desde a época da escola. Mas foi a participação no single “Somebody That I Used To Know”, lançado em 2011 com o mestre do indie Gotye, que trouxe a Kimbra boa dose de reconhecimento.

Três anos depois, produziu seu segundo álbum, “The Golden Echo”, logo apontado pela “Rolling Stone” americana como um dos 20 melhores daquele ano. Dali para frente, o mundo prestou cada vez mais atenção em sua voz.

Após um período no ostracismo, a cantora neozelandesa está de volta. Talvez tenha sido tempo necessário para adquirir mais maturidade e dar uma repaginada. Deixou para trás os traços mais indies de suas canções e se juntou a ritmos como R&B, pop e eletrônico para a nova produção, batizada de “Normal Heart”. Tem também pegadas psicodélicas. Imaginou? Basta pensar numa mistura de FKA Twigs, Goldfrapp e um pouco de Janet Jackson, como apontam sua música e a crítica especializada.

E a mensagem é clara: a força aqui vem das letras, e do bom som. “Ele é uma ousada expressão sobre o que significa ser humano. É tanto um animal com seus medos e instintos, como também um espírito que deseja evoluir, transcender e transformar a dor em algo belo”, diz a cantora de 28 anos à Bazaar, que autodescreve sua música como protesto pessoal e um tipo de oração.

Não é à toa, já que as inspirações vieram muito de sua própria vida. “Tinha pouco a ver com música, mas com meu crescimento pessoal e também como mulher. Acho que foi a coragem em si que me inspirou, me deixei ser mais vulnerável. Percebi que artistas ajudam as pessoas a se tornarem mais vulneráveis também. É um grande diálogo que cura”, completa.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Kimbra - Foto: Divulgação
Kimbra – Foto: Divulgação

Para dar mais força à obra, foi convidada uma gente de peso, como Skrillex, Dave Longstreth e Childish Gambino, conhecido na noite como mcDJ. Bastaram dois anos dedicados ao trabalho, com idas e vindas entre Los Angeles e Nova Zelândia. No fim, o balanço foi mais do que positivo. “Busco a verdade. Estou tentando me entender a partir da arte e pela profunda curiosidade que tenho do mundo. Sou uma confusão de contradições, assim como muitas pessoas também”, diz.

Contradição ou não, é desta fase mais autocentrada que Kimbra quer falar agora. Suas letras discutem temas como esperança, crença, sofrimento e renovação, além do “desejo principal que todos temos como humanos: o amor”.

Assim como o que produz, suas referências pessoais são das mais diversas. “O que têm em comum é a habilidade de extrair emoções das pessoas, e normalmente pelas formas menos esperadas. Gosto muito do lado místico das músicas, e como isso pode te pegar de surpresa e te levar a outro lugar.” Pode acrescentar aí nomes como Stevie Wonder, Björk, Cornelius, Kate Bush, Prince, Steve Reich e até Kendrick Lamar.

Leia também:
Jennifer Lopez ostenta R$ 4 milhões em joias em novo clipe
Oito celebridades que possuem marcas próprias de cosméticos
Dua Lipa anuncia primeira parceria de moda

Kimbra - Foto: Divulgação
Kimbra – Foto: Divulgação

Na moda não é diferente. Para ela, as roupas precisam refletir o humor do momento. “Estilo, para mim, é sobre compartilhar sua história e deixar que isso mude e evolua como você”, enfatiza, e acrescenta que o guarda-roupa se transformou após a mudança para Nova York, onde passou a viver recentemente. “Mas também tenho minhas raízes neozelandesas. Gosto de de estar confortável e colorida.”

Na cidade que nunca dorme, por acaso, realizou o seu maior sonho até então: cantou na First Avenue junto com The Revolution, num show em homenagem a Prince e seu legado.

Outra boa lembrança vem do Brasil, quando performou no Rock in Rio, em 2013, ao lado do Olodum. “Foi absolutamente incrível!”, relembra. “Escutava Sepultura na época do colégio, mas, ultimamente, meus artistas brasileiros favoritos são Caetano e Gil“, diz.

Sua vida é um enorme caldeirão de referências. E “Normal Heart” chega para confirmar a sentença. Álbum que você ainda vai ouvir muito por aí.