Foto:Peter lindbergh/reprodução
Foto:Peter lindbergh/reprodução

Por Luisa Graça

A ideia parecia boa. Depois de se casarem no sul da França, em agosto de 2014, Brad e Angelina partiriam para uma lua-de-mel em Malta. Como celebração definitiva da união e, de quebra, claro, para rodar um filme. Os dois estariam juntos na tela pela primeira vez em dez anos, o que não acontecia desde que se conheceram nos bastidores de Sr. e Sra. Smith.“É um lugar lindo, bem privado. Nós nos instalamos em uma enseada e vivemos por um tempo numa casinha, ao lado do quarto construído como cenário onde filmamos a maior parte das cenas”, conta Angelina, agora oficialmente Jolie-Pitt, sobre os dias no pequeno país europeu. Lá ficaram por três meses, com os seis filhos, Maddox, Pax, Zahara, Shiloh e os gêmeos Vivienne e Knox, antes de voltarem para a rotina comum em Santa Barbara, na Califórnia. Bem, quão comum pode ser o dia a dia de Brad e Angelina? Ela insiste que envolve fazer reuniões, levar os filhos para brincar com amigos e agendar consultas médicas.

“Escrevi o roteiro faz tempo. Um dia, nos deu na telha de sermos artistas e rodarmos esse filme. Brad e eu queríamos trabalhar em algo juntos, nos divertir, ser corajosos e sentir novamente o que é ser ator de maneira livre e criativa”, diz ela. Só que À Beira-Mar, que estreia neste mês, é um retrato avesso ao de uma doce lua-de-mel. Em vez disso, uma história de um casal em crise durante uma viagem à França nos anos 1970.

Uma das cenas do filme - Foto: reprodução
Uma das cenas do filme – Foto: reprodução

Nos últimos anos, o relacionamento entre Jolie e Pitt foi alvo de especulações em tabloides, que, insistentemente, reportavam que eles estavam prestes a se separar. Mas a atriz, que assina também roteiro e direção do longa-metragem, frisa que os problemas do casal em tela nada têm a ver com sua vida conjugal, a qual, aliás, descreve como “normal” – com imperfeições, discussões e insegurança, como outra qualquer.“Interpretar esses personagens foi seguro para nós, pois são muito diferentes de nós mesmos. Nesse sentido, não é um filme pessoal”, revela.

Foto:Peter lindbergh/reprodução
Foto:Peter lindbergh/reprodução

“Queria estudar o sofrimento em diferentes estágios. Em retrospecto, isso tem a ver com a morte da minha mãe. Meus sentimentos e reflexões são sobre ela e a morte dela”, completa a atriz, que perdeu mãe e avó para o câncer no ovário. E ela mesmo, no início deste ano, teve de remover os seus, ao descobrir sinais iniciais de câncer. Brad demonstrou-se solidário a decisão, assim como apoiou a mastectomia dupla à qual a mulher se submeteu dois anos atrás, atitude pela qual houve quem a criticasse. Dirigir o marido não foi fácil. Por isso, o casal buscou encontrar uma nova dinâmica.“Em cenas densas, nas quais Brad tinha de gritar comigo, ainda assim era meu marido gritando. Quando eu dizia ‘Corta!’, naturalmente esperaria que ele viesse me perguntar se eu estava bem. Mas o ator precisava permanecer naquele estado de raiva”, relembra. “Tivemos de superar algumas coisas e encontrar uma nova relação e uma nova linguagem entre nós, sem levarmos para o lado pessoal. Se não estivéssemos juntos há tanto tempo, a experiência teria sido um desastre.” Provavelmente, não foi a maneira ideal de passar uma lua-de- mel, mas lutar para construir algo juntos parece uma metáfora adequada para um casamento.Alguma coisa que o casal mais belo e célebre do mundo compreende e almeja.

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