Cauã Reymond veste Foxton – Foto: Henrique Gendre, com edição de moda de Luis Fiod, beleza de Max Weber, produção executiva de Zeca Ziembik e Pedro Aboud e produção de moda de Natan Machado

Cauã Reymond, que sorte a nossa, é cover boy de Bazaar. Resume muito do que admiramos: chega aos 40 anos, não apenas esbanjando saúde e beleza, mas mais maduro, empático e preocupado com a marca que quer deixar no mundo.

O pensamento sustentável do ator está à frente do tempo, um privilégio que ele sabe muito bem administrar. Dirige carro com energia limpa. Em casa, aderiu às placas de luz solar, à horta orgânica (onde cultiva folhas, temperos e chás) e investe em produtos locais de pequenos produtores. De Bela Gil, ganhou um sistema de compostagem do lixo doméstico.

O jardim é a parte da casa de que mais gosta e tem se dedicado bastante a plantas ultimamente. Também se preocupa com a coleta seletiva de materiais. Vidro, metal, plástico e papel têm descarte apropriado – uma reeducação para quem vive ao seu redor.

Preocupa-se com o mundo, mas também olha para dentro e aprendeu a cuidar de si. Trata ansiedade e noites mal dormidas com uma intensa rotina de exercícios na qual, admite, é viciado. Treina rigorosamente sete vezes por semana na academia que ganhou forma durante a pandemia, em sua casa, no Rio de Janeiro.

Combustível para o trabalho

Cauã Reymond veste Foxton – Foto: Henrique Gendre, com edição de moda de Luis Fiod, beleza de Max Weber, produção executiva de Zeca Ziembik e Pedro Aboud e produção de moda de Natan Machado

Essa inquietação serve também de combustível para o trabalho. Este ano, além da programação intensa de gravações da novela das 21h, “Em Seu Lugar”, que marca seu retorno aos folhetins da Globo, lança dois filmes e roda um outro no segundo semestre.

Mais: namora com a emissora seu debut como diretor em série que criou do zero. Isso tudo sem esquecer a função part-time como pai da Sofia (8 anos, sua filha com Grazi Massafera) e a vontade de expandir a família.

Como a mulher Mariana Goldfarb faz faculdade de nutrição, a dieta deles é bem variada e colorida. Duas vezes por semana é estritamente vegetariana. Diminuiu a carne vermelha a, no máximo, duas refeições. Nada impede de apreciar um churrasco (que adora, não nega) como no dia deste shooting.

Cauã Reymond veste Foxton – Foto: Henrique Gendre, com edição de moda de Luis Fiod, beleza de Max Weber, produção executiva de Zeca Ziembik e Pedro Aboud e produção de moda de Natan Machado

Tudo na medida para não passar vontade e repor energias gastas nos treinos. Cauã bebe ao menos três litros de água diariamente e bastante água de coco. Orgulhoso, carrega para o trabalho as três garrafas ecológicas e a inseparável marmita de vidro. “Nunca achei que fosse postar, mas mostro no Instagram minha comidinha fria com o maior prazer”, ri.

Mesmo que tenha apenas cinco minutos de descanso entre as gravações, estende uma toalhinha no chão, deita, fecha os olhos e foca na respiração, o que acalma sua ansiedade e ajuda a performar melhor em cena. Casados há dois anos, ele e Mariana seguem uma rotina de assistir filmes e séries, além de trocar figurinhas sobre saúde, cultura, meditação e sauna – e, por que não?, até beleza – juntos. Às vezes, faz máscaras faciais com a mulher e acha divertido. Recentemente, experimentou uma de argila mexicana asteca.

Cauã fala sem grilo da vontade de ser pai novamente. Hoje, a cobrança parte da única filha. “Semana passada, a coloquei para dormir e ela falou: ‘pai, eu quero um irmão’.” O casal não tem pressa. A pandemia não facilitou as tentativas de pôr uma criança no mundo – da preocupação com os rumos da humanidade à exaustiva rotina da casa. “Não acho que o mundo está ficando um lugar mais fácil. Me preocupo em prepará-la.”

Cauã Reymond veste Foxton – Foto: Henrique Gendre, com edição de moda de Luis Fiod, beleza de Max Weber, produção executiva de Zeca Ziembik e Pedro Aboud e produção de moda de Natan Machado

Assim que acabar de gravar a novela, vai fazer uma viagem só com Sofia. Foi a vocação para ser pai, aliás, que brecou uma possível carreira internacional. Sua missão é com a família. “Tenho um trabalho muito sólido, sou grato há anos. Sortudo por poder escolher os projetos que participo, me estabilizar financeiramente, o que permite fazer escolhas artísticas.”

Mas isso não o impede de querer se desafiar. “Falo inglês fluente e se pintar um projeto legal, passo um tempo fora superfeliz. Vou adorar”, garante o fã de Denzel Washington.

Estava há quase cinco anos sem fazer novela, a última foi “A Regra do Jogo”, em 2016. Com os novos protocolos, está gravando exaustivamente a trama de Lícia Manzo, ainda sem data de estreia, onde interpreta dois gêmeos totalmente díspares. Seu irmão na vida real, Pável Reymond, faz seu dublê. “Estamos podendo solidificar muitas coisas”, comemora.

Em 2021, nosso garoto da capa ainda lança o filme “Pedro”, dirigido por Laís Bodanzky e produzido por ele. E “Piedade”, de Cláudio Assis – com Fernanda Montenegro, Irandhir Santos e Matheus Nachtergaele no elenco -, chega ao circuito comercial.

Cauã diretor

Cauã Reymond veste Foxton – Foto: Henrique Gendre, com edição de moda de Luis Fiod, beleza de Max Weber, produção executiva de Zeca Ziembik e Pedro Aboud e produção de moda de Natan Machado

O primogênito dos Reymond dará salto importante na carreira. Começou a sentir uma necessidade de dirigir. Sob seu comando, negocia com a Globo uma série que criou sobre os bastidores do futebol, chamada “Mata-Mata” (título provisório). Teve a ideia, foi atrás da história e fechou com a emissora, que ofereceu um time de roteiristas sob auspícios de Thiago Dottori.

No segundo semestre, ainda roda outro longa sem poder dar muitos detalhes. Cauã exala empatia – e simpatia e gentileza. Seu discurso não tem deslizes. Em vários momentos da conversa, reforça que suas opiniões não são necessariamente críticas a outras. Busca na análise lacaniana e na inspiração de outros homens da dramaturgia, como Fábio Assunção, seu entendimento como símbolo sexual. “Meus melhores papéis começaram a partir dos 34. Há seis anos, venho interpretando personagens mais ricos, com muitas camadas e mais densos.”

Musicalmente, gosta de Kanye West, mas tenta separar a mente brilhante e as atitudes perturbadoras de quem admira, como o ator Joaquin Phoenix, duramente criticado por ter abandonado um set de filmagem, deixando os outros atores a ver navios. “Nunca faria. Mas quem sou eu para julgar?”, resume, com uma frase simples, sua natureza pé no chão.

Respeitar os outros – e o planeta – com atitudes positivas é sua prioridade agora e sempre.