Foto: Divulgação

Se a soul music surgisse em 2020, Celeste seria nossa diva-mor, pode apostar. A aura vintage entrega as inspirações nas décadas de 1950 a 1970. Se esses tempos embalaram sua música, as roupas e acessórios retrô (com penteados à la Josephine Baker) ajudam a contar a história da cantora norte-americana, radicada no Reino Unido.

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Pandemia

Não fosse a pandemia, estaria fazendo shows lotados e se preparando para dar vida ao aguardado álbum de estreia. Aos 26 anos, por causa da quarentena, ganhou um tempinho extra para lapidar um pouco mais o trabalho. “Estou feliz porque, musicalmente, vai sair do jeito que quero”, conta à Bazaar por videochamada, de Londres, onde mora desde os 3 anos.

Caldeirão sonoro

O caldeirão sonoro de Celeste inclui as divas Aretha Franklin, Billie Holiday e Nina Simone, que ouve desde a infância. Se ela teve momentos em que não acreditou no seu potencial, hoje prega que quem deve mudar é o círculo de amizades. “Se você é diferente, aceite isso. No final das contas, isso é o que realmente importa. Crie uma versão forte e confiante de si mesmo”.

E foi assim que seguiu em frente. Já bebendo referências do jazz, do funk e do soul na adolescência, ao lado de amigos, fazia covers de Sly And The Family Stone, The Specials, Ray Charles, Janis Joplin e The Clash. Agora, ouve sons instrumentais, que ecoam pelo mundo. “Baixo muita coisa e, não necessariamente, sei quem é”, ri.

Suas letras – por vezes tristes, ora encorajadoras – vêm de observações cotidianas e merecem tanta atenção quanto sua voz imponente. “Escrevo minhas composições sob a perspectiva biográfica. Ao ouvir, perceberá que eu realmente passei por aquilo.”

Foto: Divulgação

Primeiro álbum

Em seu primeiro álbum de inéditas, pretende mostrar uma versão poderosa de si mesma, que representa bem sua sonoridade. Passou os últimos anos aprimorando a escrita até se embrenhar no caminho pavimentado por Adele, Sam Smith e Ellie Goulding – alguns dos artistas que também venceram o prêmio Estrela em Ascensão, que Celeste arrebatou no Brit Awards deste ano.

Naquela mesma noite de fevereiro, inebriou não apenas quem acompanhava de casa sua performance para o single de “Strange”. Lá mesmo, atraiu a atenção de Finneas, o irmão e produtor de Billie Eilish. O rápido “oi” trocado nos bastidores acabou abrindo portas. Ele aceitou trabalhar em uma demo de “I Can See The Change”, que foi lançada recentemente. “Estava um pouco nervosa ao colaborar com ele, mas unimos forças. Finalizamos (a música) trocando mensagens pelo celular.” A produção ganhou clipe gravado na sala de Celeste, com ajuda de uma roomate e dirigido por Sophie Jones à distância.

Apesar de unanimidade nas listas de apostas musicais, a cantora não se deslumbra pelos elogios. Acha ótimo e sabe que, quando há esmero, os louros vêm. Mas ainda não pode dizer que o jogo está ganho. “Até que dá um pouco de estímulo, ajuda a revigorar, mas, no fundo, você sabe que é uma longa jornada (…) É preciso continuar se provando. Você não pode pegar um prêmio desses e achar que já deu.” Em sua música, gosta de flertar com fantasia e romantismo para satisfazer a mente das pessoas como forma de escape.

Antepassados

Dos antepassados jamaicanos, lembra das conversas com o pai, que faleceu quando ela tinha 16 anos, bem no início da carreira. “Se tem uma coisa que aprendi com ele, pode ter certeza: é não ficar intimidada quando entro em uma sala com pessoas de diferentes bagagens ou lugares”.

A determinação e o jeitinho de fácil adaptação vêm dos pais, que sempre a apoiaram. “No fim das contas, acredite em quem você é e fique firme com isso. Não deixe ninguém te deter ou questionar sua identidade. Isso é muito importante”. Se sua ambição a motivou a chegar até aqui, trancada em casa, imagine o que fará quando tudo se normalizar.