Chiara e Vincent Lacoste, que interpreta seu marido jovem – Foto: Divulgação

O que você faria se todos os seus ex estivessem no mesmo ambiente? “Eles não iam caber em um quarto. Precisaria de uma suíte”, ri Chiara Mastroianni, por telefone, em conversa com Bazaar. “Ficaria louca, mas há muitos deles com quem mantenho amizade”, comenta, sobre a vida real. A cena parece um devaneio – e é. Faz parte do filme “Quarto 212”, dirigido por Christophe Honoré e estrelado por ela e o ex, Benjamin Biolay, que estreia nesta quinta-feira (19.03).

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Na trama, Marie – personagem de Chiara que lhe rendeu o prêmio de Melhor Performance da mostra Um Certo Olhar, em Cannes – coloca a vida em perspectiva depois que o marido descobre uma traição. E explica a atração dela por homens de nomes peculiares, em especial os mais jovens: “Talvez seja uma patologia criada pelo diretor”. Quando aparece em cena com cerca de 20 atores mais jovens, praticamente um time de futebol (com os reservas), apenas enrolada em um lençol, diz que se sentiu envergonhada. “Foi como se estivesse olhando para meu filho, de 23 anos. O primogênito é Milo Thoretton, do relacionamento com Pierre Thoretton. Também é mãe de Anna, de 16, com Biolay. “Foi ótimo viver essa mulher que faz exatamente o que tem vontade.”

Cena do filme “Quarto 212” – Foto: Divulgação

Filha de Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni, poderia ser deslumbrada com a fama em dose dupla que cercava a família. Mas o caminho foi outro. “Nunca andamos de jato privado e nem todas essas besteiras de celebridades. Tive uma vida muito normal. Fui à escola, eles tinham plena consciência de que éramos privilegiados.”

A humildade do pai serviu de espelho. Nunca se esqueceu de onde veio: uma cidade pequena, pobre, ao sul da Itália. Sempre foi pé-no-chão e a mãe também, segundo ela. Aos 47 anos, Chiara diz que se sente mais livre. “Não sei se é porque estou envelhecendo ou se estou perdendo a cabeça”, diverte-se. “O que mais me assusta é que você pode viver mais de 100 anos. Tenho uma avó com 108, e ela está de saco cheio”, conta a atriz, que não teme envelhecer, mas, sim, perder a independência.

Após a estreia de “Quarto 212”, Chiara pretende voltar ao teatro, sob direção do próprio Honoré, na peça “Les Idoles”. Também está reservada para o novo filme do diretor argentino Lisandro Alonso. Por falar em diretor sul-americano, ela relembra o encontro com Kleber Mendonça Filho, de “Bacurau”, em um festival em Marrakech. “Às vezes, você ama a obra, mas não a pessoa. E ele foi incrível.”