Os fios da artista Shiota - Foto:
Os fios da artista Shiota – Foto: Cortesia da artista

Por Kênya Zanatta

Emaranhados de fios de lã criam uma imensa rede conectando objetos do cotidiano, como malas, sapatos e chaves, garimpados em brechós ou doados pelo público. Ao mesmo tempo elegantes e potentes,as instalações da japonesa Chiharu Shiota evocam memórias e trajetórias, incorporando fragmentos de centenas de histórias individuais para refletir sobre as relações entre as pessoas e os sentimentos universais que nos habitam.

Nascida no Japão e radicada na Alemanha há quase 20 anos, Chiharu já teceu suas teias de fios negros ou vermelhos em cerca de 200 exposições ao redor do mundo. Seu trabalho atualmente representa o Japão na Bienal de Veneza e será mostrado pela primeira vez na América Latina a partir deste mês.

O Sesc Pinheiros, em São Paulo, recebe três de suas instalações de grande porte. Como já é hábito da artista, os espectadores podem participar da criação das obras, enviando sapatos usados ou escrevendo cartas de agradecimento. Após receber as doações, Chiharu estende seus fios pelos espaços de exposição, dando voltas e nós com maestria para manter os objetos em delicado equilíbrio.

“Estou coletando memórias. Quando recebo cartas ou sapatos, posso ver a história da pessoa que possuiu esses objetos. A pessoa não está aqui fisicamente, mas os objetos fazem com que ela pareça próxima de mim. A maior parte do meu trabalho é baseada no tema da existência dentro da ausência”, explica a artista. “Sempre tenho o sentimento de que algo está faltando na minha vida .Talvez essa seja a maneira como minha biografia influencia o meu trabalho e a razão pela qual estou sempre colecionando objetos de outras pessoas. Esse sentimento está presente em todos os meus projetos artísticos”, pontua. “Desde que me mudei para a Alemanha, tenho encontrado muitas pessoas do mundo inteiro. A busca por uma identidade me ajuda na criação de obras de arte”, completa.

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