Quadro “Everydays – The First Five Thousand Days”, produzido pelo artista Beeple – Foto: Reprodução/NPR

Sobreviver de arte não é uma tarefa fácil para a maioria dos produtores, que nem sempre conseguem viver de seus projetos por conta de vários fatores, como horas disponíveis para a atividade, pouco patrocínio e mercado competitivo. A dificuldade em encontrar canais de venda realmente rentáveis, sem altas taxas e com bom apelo ao público, acabam desestimulando os artistas, que nem sempre encontram um espaço propício para a comercialização.

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O universo das criptomoedas apareceu como uma alternativa para solucionar esse problema. Apesar de estar longe de ser perfeito, o universo das crypto artes tem permitido que artistas comercializem suas produções por um valor que, em circunstâncias normais, seria praticamente impossível de conquistar. Mas o que é uma crypto arte?

De forma simplificada, a crypto arte é uma arte digital registrada criptograficamente com um token não fungível, conhecido como non-fungible token (NFT), por meio de um blockchain. Os itens que não são fungíveis são únicos e não podem ser trocados, fazendo com que a peça de arte em questão possa ter sua autenticidade provada. O melhor exemplo disso são obras de arte famosas, como a Mona Lisa, que pode ser reproduzida por meio de impressões e estampada em outros itens. O quadro original, porém, continua tendo valor único, e não pode ser substituído por uma réplica.

Transformar fotografias, vídeos ou músicas em artes NFT evita que as peças originais possam ser modificadas e substituídas, além de tornar possível negociá-las com segurança, por meio do envio e do recebimento de dados rastreados, como é o caso do blockchain.

Por terem um código de verificação (token), que é permanentemente vinculado à obra de arte, a peça ganha valor, uma vez que passa a ser única. Assim, as diferentes produções são vendidas ou leiloadas por altos valores, já que ganham o status de exclusividade. Artistas como Deadmau5, Grimes, 3Lau, Jacques Greene, Tory Lanez e Kings of Leon já comercializam suas artes em diferentes plataformas. A transação é feita por criptomoedas, sendo que a escolhida varia de acordo com o site em questão, podendo ser Ethereum (ETH) ou Tezos (XTZ), por exemplo, que podem valer muito dinheiro quando convertidas para as moedas tradicionais.

Agora, com essa modalidade de venda de artes melhor estabelecida, já é possível ter uma ideia de como o seu funcionamento vai influenciar a venda de músicas, fotografias e obras de arte digitais, que podem acabar conquistando o mesmo prestígio e valor de grandes obras-primas.

As polémicas por trás da crypto arte

Apesar de facilitar a venda de arte e proporcionar um bom rendimento financeiro para os criadores, as criptomoedas em geral estão envolvidas em uma questão polêmica: o custo energético necessário para o processo de “mineração” da moeda, além da postagem e transação das obras. O debate fica ainda mais complexo quando a responsabilidade cai sobre os artistas, que muitas vezes realizam este tipo de transação por meio de um único computador, do que sobre grandes empresas que utilizam dezenas de máquinas ligadas simultaneamente para minerar criptomoedas.

Além disso, é muito importante levar em consideração o valor energético de cada rede blockchain, já que diferentes moedas gastam uma variada quantidade de energia para que a obra seja postada. O movimento “CleanNFT”, por exemplo, promove NFTs “limpas”, como forma de ajudar a reduzir o impacto ambiental causado pelos tokens não fungíveis.

Havaianas

Havaianas – Foto: Divulgação

Acaba de chegar ao mercado o primeiro drop de Havaianas em NFT. As peças da coleção foram feitas em colaboração com o designer e artista Adhemas Batista, radicado em Los Angeles. Parte do lucro arrecadado com o leilão será destinado ao projeto Favela Galeria, um museu à céu aberto localizado na zona leste de São Paulo, ao lado de onde Adhemas começou a desenhar antes de iniciar carreira em publicidade.