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Como Jan Sewell transformou Rami Malek em Freddie Mercury

Leia entrevista exclusiva com a maquiadora do longa-metragem

by redação bazaar
Foto: Divulgação

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Por Miriam Spritzer

Recriar os visuais da banda Queen para o filme “Bohemian Rhapsody” é uma responsabilidade gigante para qualquer designer de figurino e maquiagem de cinema. Não é à toa que a artista selecionada para o projeto foi Jan Sewell, um dos maiores nomes do segmento de cabelo e maquiagem para cinema.

Com quase vinte anos de carreira, Jan é conhecida por seu talento excepcional em criar e recriar o visual de personagens de uma maneira natural, sejam estes personagens de ficção como Mulher Maravilha e Bridget Jones ou personalidades históricas como Stephen Hawking em a “Teoria de Tudo” e, mais recentemente, Freddie Mercury e os outros membros da banda Queen.

Nossa repórter especial em Nova York, Miriam Spritzer conversou com a Jan Sewell durante as indicações para os prêmios de cinema. Leia a entrevista exclusiva:

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O filme foi uma produção gigantesca, muitos atores, figurantes e lugares diferentes. Sem contar que o enredo se passa em um longo período. Você ficou nervosa ao assumir o projeto?
Mais animada com o desafio do que nervosa. Eu sabia o quão icônica a banda é, principalmente Freddie, então tinha que acertar em cheio os visuais. Foram umas doze semanas de preparação e pesquisa. Foi bastante trabalhoso, eram quase sessenta atores no elenco, sendo que os cinco principais tinham visuais muito diferentes. E sempre nessa indústria estamos correndo contra o tempo. Por outro lado, foi um processo muito divertido. Houve uma semana que filmamos todos os concertos do Queen. Cada dia tínhamos que produzir um lugar novo, como Japão, Nova Iorque e Rio de Janeiro. Era importante que os figurantes parecessem como o público destes shows. A gente assistia os vídeos originais destes concertos para recriá-los no nosso filme. E por sorte Rami Malek e os meninos da banda vieram muito preparados, então nos divertimos muito no processo. Foi ótimo poder assistir a gravação dessas cenas e ouvir as músicas deles. Virei uma super fã da banda agora.

Uma das reações que eu mais ouvi sobre o filme foi que os atores estavam iguais à banda. Qual foi o maior desafio em criar os looks do Queen?
Eu sempre busco na maquiagem passar a essência da pessoa e não necessariamente fazer uma réplica exata, mas entendia que o público tem sua própria memória do Queen, então sabia que tinha de fazer jus a eles. A primeira coisa, claro, foram os cabelos. A história se passa nos anos 70 e 80, então há cabelo para todos os lados. Tive que cuidar para que esse exagero parecesse real, as cores e os formatos das perucas tinham que ter excesso sem ser escandaloso ou parecer artificial.

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O que você fez para transformar Rami Malek em Freddie Mercury?
O formato do rosto deles é muito parecido, mas os olhos e o nariz são muito diferentes. Tinha que ser algo muito bem pensado para que não o atrapalhasse ou tomasse conta da sua interpretação. Mandei fazer um nariz protético que fez uma grande diferença, mudamos um pouco seu tom de pele, fizemos perucas para todas as cenas. E claro, os dentes eram o principal, a escala vocal de Freddie era justificada pelos seus dentes. Eu não queria que os dentes dominassem a imagem, mas eles tinham que estar lá. A chance de dar errado era gigante, mas depois de muitos testes conseguimos fazer vinte e seis conjuntos de dentes que foram usados durante as filmagens. Sem contar o bigode que foi super delicado para desenhar. Eu não imaginava que a transformação foi tão grande, imagino que grande parte do público não tenha percebido também.

Mesmo no set muitos não sabem o que colocamos em cada ator, porque ninguém viu o processo inteiro de maquiagem. Eu ouvi muito que apenas coloquei um bigode e uns dentes no Rami. Para mim isso é o maior elogio, porque é maravilhoso quando as pessoas sabem que o ator está diferente, mas não conseguem dizer exatamente o que você fez. O objetivo é esse, fazer uma mudança completa de forma sutil. Isso que é o divertido na maquiagem de cinema.

Qual foi a cena você mais gostou de trabalhar no filme?
Honestamente, para mim foi o concerto do LiveAid. Foi o primeiro visual que fizemos, porque era o que tinha que sair mais perfeito, é uma réplica do próprio show. A produção estava atenta a todos os detalhes. Foi também o visual que mais tive que trabalhar no Rami Malek. Tinha que ser tudo muito preciso, a peruca, o bigode, e tivemos que maquiar o corpo dele também pois ele veste uma regata branca nessa cena.

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Os visuais do Queen são muito peculiares. O que o elenco achava dos seus looks?
Era sempre muito engraçado. Todas as manhãs no set, os meninos chegavam e iam fazer suas maquiagens e colocar suas perucas. Eles só se encontravam quando já estavam de figurino completo pouco tempo antes de gravar. Assim que eles se viam ficavam brincando com os figurinos e quão extremos eles eram. Principalmente os da fase glam-rock, quando o Freddie Mercury usava toda aquela maquiagem glam, as roupas ostensivas. Foi muito divertido de trabalhar nestes looks.

Sabemos que o público achou os atores extremamente parecidos com a banda. Você chegou a saber da reação dos membros da banda Queen sobre o filme?
Logo que fomos mostrar o filme pelas primeiras vezes para convidados eu encontrei bastante o Brian May e Roger Taylor. Eles nunca falaram nada muito específico na hora, mas eu podia ter certeza que estavam gostando pelas expressões durante o filme. Brian tinha um sorriso gigantesco no rosto. E depois pude confirmar pelas redes sociais, ele também postou muito sobre o filme. É muito legal isso. Me parece que as pessoas realmente estão gostando do filme. A gente ri e chora, é um filme que tem tudo disso. Eu fico feliz de ter feito parte desse projeto.

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