Conheça Flor Jorge, cantora de 18 anos que estreia no cenário musical
Flor Jorge: uma surpreendente novidade no cenário musical – Foto: Kaya Verruno

“Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito. Nem se refugiar em lugar mais bonito. Em busca da inspiração. Não, ela é uma luz que chega de repente”. Este trecho da música “Poder da Criação”, do sambista João Nogueira, é o fio condutor de Flor Jorge, quando questionada de onde vem a inspiração principal para criar a persona artística no auge de seus 18 anos.

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“Tive uma infância muito musical. Via meu pai cantar ao vivo, estava sempre no meio de músicos, convivendo com eles. Rolavam altas festas com muita gente da cena musical na minha casa”, conta ela à Bazaar, dias depois de aterrissar da ponte aérea Rio de Janeiro-Los Angeles.

Se você ainda não reconheceu, a gente te conta de quem Flor é filha: de Jorge Mário da Silva, o Seu Jorge. Ela é uma das três meninas que o cantor teve com Mariana Jorge. Vivendo entre o Brasil e os Estados Unidos desde os 10 anos, Flor começou sua carreira na música ainda criança, quando se apresentava com o pai. Chegou a se aventurar em um canal no YouTube aos 8 anos, cantando e recitando poemas ao lado dele.

O exercício de escrita veio cedo, na prática do diário – comum às adolescentes –, e culminou no talento para compor (lindas) canções. Quase sempre, elas falam de coisas que Flor está sentindo, vivendo e pensando. “Vem de momentos no mundo. De observações que tenho no planeta. De redes sociais. De experiências do dia a dia. De cheiros. De uma certa cor. Vem de vários elementos que a vida traz”, diz a artista sobre como desenvolve seus cantos, suas letras, seus acordes e melodias.

A carreira profissional é recente: prestes a completar 19 anos, Flor estreou na vida musical neste ano – e já veio com os dois pés na porta. Seu primeiro single autoral é “Sapiens”, que chegou em todas as plataformas digitais em junho. Mas foi criado bem antes, em meio aos protestos contra o assassinato de George Floyd, no ano passado.

Ao mesmo tempo, uma de suas primeiras colaborações foi lançada recentemente, no novo álbum “Portas” (2021), de ninguém menos que Marisa Monte. A faixa “Pra Melhorar” foi escrita a quatro mãos por elas, há mais de cinco anos. “Estou começando, sei disso. Sinto que mergulhei a pontinha da unha nestes insanos mares de muita vida sonora. Muita coisa preciso contar ainda”, reconhece Flor sobre o impacto de seu som.

Os próximos passos têm um tom e uma voz já definidos. No fim deste mês, chegará ao mundo a faixa “Macumbeira”, feita em parceria com Rogê, Arthur Verocai e Kainã do Jejê. “Conseguimos colocar diversos elementos diferentes dentro da mesma música: tem um pouco de hip hop e uma pitada de afrobeat”, conta, acrescentando que a faixa chegará com um visual para o YouTube.

“Você imagina que ela falará de religião ao ver o nome, mas é sobre crenças, amor na visão romântica e sobre o que entendo que é carma”, completa. Mesmo não estando dentro desta faixa, religião para Flor é algo inerente para quem cresceu frequentando o Candomblé. “Sou praticante desde criança. Desde que tenho memória, eu frequento. Sempre vou no Terreiro do Gantois, lá na Bahia, visitar Mamãe Carmem. Temos uma relação incrível”, revela.

A esmagadora maioria de suas composições ainda é em inglês. Por ter sido alfabetizada no idioma, para ela, expressar-se na língua estrangeira é mais confortável. “Na maioria das vezes, me expresso melhor em inglês. Acho que, pensando na língua portuguesa, ela é mais poderosa para revelar sentimentos, mas ainda não consigo”, diz, acrescentando que quer chegar ao nível de conseguir transbordar na língua de cá. “Quando fizer um álbum, quero chegar neste nível de profundidade. Ainda estou me entendendo, aprendendo e testando.”

Muito além de pensar e planejar o futuro ou revisitar e reviver o passado, Flor Jorge pensa em explorar o presente. Não se enxerga, hoje, como uma cantora de jazz, blues, MPB, bossa nova ou qualquer outro ritmo musical. Seu entendimento é que o som vive nela, assimilando as ideias e agarrando as vivências que se tem no momento. “O meu som representa o meu presente. Se estou sentindo jazz, vou por ele. Se estou no hip hop, faço uma rima. Gosto das várias referências e influências porque consigo transitar e navegar por todos os sons.”