Foto: Divulgação
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por Gustavo Abreu

Ele tem o corpo, coberto por tatuagens old school e não varia muito do combo coturno + colete de couro + camiseta de banda. É um louco apaixonado por carros e motos, fuma um cigarro atrás do outro e sua relação mais duradoura é com um chihuahua chamado Spider. Quem o visse inquieto, sentado no balcão de um bar ouvindo Grateful Dead, nunca imaginaria. Mas Wes Lang é um dos nomes mais instigantes da arte norte-americana desta década. Sua lista de clientes inclui nomes como Damien Hirst, Jay-Z e o MoMA. Ele, no entanto, parece não se importar com isso. “Essa não é minha força motriz. Prefiro a parte do trabalho”, diz à Bazaar de seu estúdio em Los Angeles. “O tempo que passo na frente da tela é quando eu me sinto são. Por isso estou trabalhando o tempo todo.”

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As 43 anos, Lang tem no currículo exposições em galerias renomadas, como a Loyal (Estocolmo), V1 (Copenhague) e Deitch Projects (Nova York). Da última, foi expulso por mostrar imagens consideradas ofensivas a ameríndios e negros – a ideia, no entanto, era provocar debate sobre a escravidão. “Essas pinturas são feitas para celebrar a vida, para tentar tirar o melhor dela”, justifica. “Os crânios e esqueletos, os índios, eles estão sempre sorrindo. Estão vivos, querem agir de algum modo e estão cercados de mensagens que falam sobre positividade e autoaceitação.”

arte de Wes toma forma em uma espécie de colagem de um imaginário que transita entre o infantil e o rebelde. Na tela, quase sempre branca, ele pinta índios, caveiras, mulheres, flores e animais próximos a frases inspiradas pelo taoísmo, filosofia que o acompanha há alguns anos. “Tudo é extremamente pessoal e fala sobre como eu gostaria de viver, ou como vivo”, conta. As composições, ele explica, vêm à mente como uma epifania. “Vejo uma tela na minha cabeça, então preciso pintar e não paro até terminar. No fim, ela ganha um brilho e eu consigo imaginar você mergulhando nela. Não sei descrever bem. Se soubesse, talvez eu fosse um homem muito rico”, brinca.

Wes começou a desenhar ainda no primário, em Nova Jersey. Aos 20 e poucos, trabalhou como pintor de casas, assistente em um estúdio de tatuagem e montador de exposições no Guggenheim. Foi uma visita à galeria Tony Shafrazi, no intervalo do almoço, que mudou sua vida. Ele estava lá para ver obras de Francis Bacon e resolveu deixar seu número na recepção, caso precisassem de algo. No dia seguinte, foi chamado para trabalhar na produção e passou um tempo em contato com obras de medalhões como Warhol, Basquiat e Keith Haring.

“Não estudei em escola bacana, nem fiz faculdade. Então, tinha zero ideia de que a arte poderia ser uma escolha”, relembra. Uma vez inserido na cena artística do Chelsea, foi questão de tempo até que começasse a expor. O primeiro convite veio de um amigo galerista. Depois do primeiro, as oportunidades foram aparecendo, uma atrás da outra. “As coisas ainda não saíram do controle, mas posso dizer que estou ocupado”, ri.

A grande virada aconteceu quando Lang resolveu juntar as coisas e se mudar para Los Angeles. Na costa oeste, onde diz ter encontrado paz, expôs no tradicional Chateau Marmont Hotel e virou queridinho de figuras do showbiz. Apesar da falta de jeito para a moda, já customizou tênis para a Vans, relógios Rolex e assinou as camisetas da turnê Yeezus, de Kanye West.

O hype estourou em 2015, quando Beyoncé foi fotografada em uma de suas exposições em Hollywood. Uma coleção de anéis de ouro, feita em parceria com uma joalheria de Londres, está entre seus trabalhos favoritos. “Venho do subúrbio e isso representa algo quase inatingível”, diz. Para o futuro próximo, Wes planeja duas mostras pop-up de um dia. Mas serão secretas – e ele só planeja convidar amigos

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