De Rick Owens a Pucci: uma seleção imperdível de novos livros de moda

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by Silvana Holzmeister
Rick Owens - Foto: Divulgação

Rick Owens – Foto: Divulgação

A Rizzoli e a Flammerion, duas importantes editoras de livros de luxo, acabam de lançar vários títulos que são puro desejo. Que tal conhecer a história de Marcel Rochas, famoso pela cintura de vespa, contada pela filha, Sophie? Mergulhar nas trajetórias das italianas e coloridas Missoni e Pucci também é uma proposta tentadora, assim como desbravar o universo quase excêntrico de Rick Owens por meio das fotos de Danielle Levitt.

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Outro fotógrafo, Simon Procter, descortina dez anos de backstage dos grandiosos desfiles da Chanel, com direito a registros inéditos de Karl Lagerfeld em ação. De quebra, ainda tem a união de duas paixões de Craig McDean: carros e fotos de moda. Seleção de peso de table books para informar e turbinar a estante.

Por trás do pano

Desfile da Chanel - Foto: Divulgação

Desfile da Chanel – Foto: Divulgação

Na era Karl Lagerfeld, os desfiles da Chanel viraram sinônimo de espetáculos grandiosos, com cenários dignos de set de filmagem. De supermercado a pista de esqui para seu último show, a ambientação sempre impressionou e deu o tom da mensagem que o kaiser queria transmitir. O livro “Lagerfeld: The Chanel Shows” mergulha nesse universo e descortina também os bastidores sob as lentes do fotógrafo britânico Simon Procter. Com acesso livre a todos os ambientes nos últimos dez anos, ele também colecionou imagens inéditas que evidenciam o senso de humor e humildade de um dos designers mais icônicos. Influente no circuito de moda internacional, Procter também tem clientes que vão de Christian Dior a Falke. Desde sua exposição de estreia, na Miami Basel de 2008, se tornou nome colecionável, com fotos suas em museus de prestígio em todo o mundo.
“Lagerfeld: the Chanel Shows”, 108 páginas, US$ 75, editora Rizzoli New York

Imagem para pensar

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Um breve texto em primeira pessoa introduz o universo de imagens fortes do estilista Rick Owens, famoso pelos desfiles com performances questionadoras do mundo contemporâneo. Um dos mais fortes foi “Vicious Women’s”, verão 2014, que abre a seleção de 150 imagens capturadas pela norte-americana Danielle Levitt, fotógrafa e diretora de cinema conhecida por documentar o estilo jovem, comunidades marginalizadas e subculturas diversas. Por meio de suas imagens, fica evidente a postura anti-fashion de Owens, algo como grunge-meets-glamour tendo como base a inegável força da alfaiataria impecável da marca, sempre com paleta sombria, que ele começou a moldar em 1994, quando abriu sua primeira loja no Hollywood Boulevard, em Los Angeles. Suas criações chamaram a atenção do mundo em 2002, quando foi homenageado pelo Conselho de Designers de Moda da América (CFDA) com o prêmio Perry Ellis de talentos emergentes.
“Rick Owens Photographed by Danielle Levitt”, 200 páginas, US$ 55, Editora Rizzoli New York

Teoria das cores

Missoni - Foto: Divulgação

Missoni – Foto: Divulgação

Missoni sempre foi sinônimo de trabalho artesanal com toque de arte, por causa da junção do tricô em padrões geométricos e muitas cores. O mais famoso deles é, inegavelmente, o ziguezague, que da roupa também pulou para objetos de decoração. Criada em 1953 por Rosita e Ottavio Missoni, a marca italiana agora conta sua trajetória por meio do texto fluido do historiador Massimiliano Capella e fotos históricas da família, imagens editoriais, registros da evolução dos tecidos e do maquinário que tece o imaginário da grife. Conta, inclusive, que o sucesso dos Missoni começou antes da marca homônima, quando suas roupas de malha eram rotuladas de “Jolly” e Ottavio era chamado de Ottavio “Mr. Jolly”, em Milão. Há duas versões para este livro, uma mais simples e outra de luxo, com tiragem limitada, incrementada com amostras originais de tecidos e reproduções de capas históricas de revistas.
“Missoni: The Great Italian Fashion”, 348 páginas, US$ 175. Missoni Deluxe Edition, 348 páginas, US$ 500, Editora Rizzoli New York

Herança nobre

Pucci - Foto: Divulgação

Pucci – Foto: Divulgação

Outra marca italiana conhecida pelos seus tecidos, a Pucci também está resgatando sua trajetória desde os anos 1960. Vice-presidente e diretora de imagem da marca florentina, Laudomia Pucci assina o livro. Ela conta que, para o pai, Emilio Pucci, antes da moda tinha paixão por nadar, esquiar, dançar, viajar – o que moldou o lifestyle da grife criada por ele. Conhecido como o “príncipe das estampas”, pelas criações que misturam desenhos figurativos e abstratos, seu primeiro grande sucesso foi a echarpe com um mapa de Capri, sua ilha favorita, desenhado à mão. “Ele projetou e emoldurou (a echarpe) como uma obra de arte, embora nunca se referisse a ela como tal”, conta Laudomia. Do acessório, seu universo se expandiu para roupas e objetos de decoração. E cada segmento ganhou um capítulo na publicação, com curiosidades, como o resgate da história dos tapetes, lançados pela primeira vez no Museu de Artes Decorativas de Buenos Aires, em 1970.
“Unexpected Pucci”, 224 páginas, US$ 90, Editora Rizzoli New York

Túnel do tempo

Rochas - Foto: Divulgação

Rochas – Foto: Divulgação

Desde 2013, Alessandro Dell’acqua é o diretor criativo da Rochas, uma das mais tradicionais casas de moda da França. Fundada em 1925 por Marcel Rochas, quando ele tinha apenas 23 anos, no número 100 da Faubourg Saint-Honoré, a maison ficou famosa por peças com ombros marcantes, a cintura de vespa e um inovador espartilho sem alças que definiu a silhueta feminina nos anos 1940 e 1950. Mesmo assim, a herança cultural da marca é bem menos conhecida do que de marcas contemporâneas criadas por Christian Dior, Elsa Schiaparelli e Coco Chanel. O livro se propõe a resgatar os 30 anos de carreira de Marcel, que morreu em 1955. Quem comanda a tarefa é sua filha, Sophie Rochas. Por meio de suas memórias de infância e um acervo rico, ela traça um retrato do talento de seu pai como designer e empresário inovador, bem como as influências de estilo que o inspiraram.
“Marcel Rochas: Designing French Glamour”, 280 páginas, US$ 35, Editora Flammarion

Glamour e velocidade

Craig McDean - Foto: Divulgação

Craig McDean – Foto: Divulgação

Um dos nomes mais badalados da fotografia de moda, Craig McDean trabalhou como mecânico de automóveis em sua cidade natal, Middlewich, norte da Inglaterra. A vocação para a fotografia ele descobriu clicando seus amigos roqueiros. Com os elogios, decidiu mudar-se para Londres em 1989, onde começou como assistente de Nick Knight antes de emplacar os primeiros trabalhos como freelancer para as revistas “i-D” e “The Face”, em uma época em que a fotografia de moda questionava o belo transitando por cenários pouco glamorosos e desafiando o status quo que definia o que era a imagem de moda moldada ao longo do século 20. Já morando em Nova York, sua primeira campanha, em 1995, foi para a Jil Sander e, dois anos mais tarde passou a assinar as imagens da Calvin Klein. Uma coisa é certa: Craig McDean adora carros velozes e moda. Seu trabalho tanto registra fotos cuidadosamente pensadas como o acaso, e une design a um certo constrangimento. São esses choques qualitativos que marcam seu olhar. O livro mostra todos esses lados com cliques de modelos, como Amber Valletta e Kate Moss, ao lado de carros e motores turbinados.
“Craig McDean Manual”, 208 páginas, US$ 115, Rizzoli New York