Deise Nunes, Miss Brasil 1986. Foto: Reproducao
Deise Nunes, Miss Brasil 1986. Foto: Reproducao

Há exatos 30 anos, a primeira Miss Brasil negra foi eleita. Em 1986, a gaúcha Deise Nunes, inscrita no concurso pela mãe, arrebatou o posto de mulher mais bonita do país e entrou para a história. História que parou por aí mesmo. Depois dela, um dos países mais miscigenados do mundo nunca mais elegeu uma miss negra. Agora, em 2016, uma mudança radical de cenário: na disputa do próximo sábado, dia 1 de outubro, serão seis meninas negras em busca do título. Ou seja, 25% do total das candidatas.

Tal qual Deise nos anos 1980, elas concorrem com os cabelos naturais, crespos, volumosos. “Quando concorri, usei o cabelo exatamente do jeito que usava todos os dias. Eu tinha 18 anos e era o auge da década mais exagerada de todas. Maquiagem pesada, ombreiras, cabelão. Quando cheguei para me produzir para o concurso, nem questionaram. Mantiveram o meu cabelo como eu gostava. E agora acho que também é uma questão de moda. Em tempos de empoderamento da mulher negra, o cabelo é importante nesse processo. Mas também tem o fator da moda. Afinal de contas, o Miss Brasil busca muito mais mulheres com perfil de modelo do que com jeito de miss atualmente”, ressalta Deise, em conversa por telefone com Harper’s Bazaar.

Deise Nunes, Miss Brasil 1986. Foto: Reprodução
Deise Nunes, Miss Brasil 1986. Foto: Reprodução

No que se refere a padrões estéticos da época, ainda lembra que era magra demais para um concurso de beleza. “Tinha os braços fininhos, parecia que ia quebrar. Cheguei a tomar remédios e vitaminas para engordar, coisa impossível de pensar hoje em dia”. Também causava estranheza por ser do Rio Grande do Sul e não ser loira de olhos azuis. Era favorita? “Sabe que eu não sei? Acho que eu não era. Também não ouvia meu nome como favorita e fiquei bastante surpresa quando ganhei. Foi tão despretensioso, minha mãe me inscreveu, concorri pelo meu estado, fui para a final e venci”, conta, lembrando que não sofreu preconceito racial em nenhuma etapa do concurso. “Fui discriminada em um outro concurso, o Rainha das Piscinas, que ganhei em Porto Alegre. Mas no Miss Rio Grande do Sul, no Miss Brasil e no Miss Universo, nunca. Entre as candidatas de 1986, formamos um grupo de amigas que existe até hoje, nos encontramos sempre. Para mim foi tudo sempre muito positivo”.

Deise Nunes, Miss Brasil 1986
Deise Nunes

Com esse olhar leve e amistoso dos bastidores do evento, estranha ainda mais a falta de candidatas negras ao longo dos anos. “Lembro de muito poucas candidatas negras depois de mim. Estou acreditando que nesta edição a chance é mais real. Vai ser difícil não ganhar uma negra. Mas….”

A mudança de perfil é, de fato, um dos pontos importantes de um novo momento do concurso, segundo a diretora geral do projeto Miss Brasil BE Emotion, Karina Ades. “A nossa seleção é feita para que as meninas mostrem sua beleza, mas que também revelem sua personalidade, que representem com responsabilidade causas e ideias. Queremos dar mais voz às candidatas e a seus posicionamentos. Isso faz com que tenhamos um perfil mais diversificado. Retratar a beleza brasileira com toda sua diversidade, de pele, cabelos e estilos”, conta.
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