Foto: Divulgação
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Com mais de duas décadas de carreira, a modelo sul-sudanesa Alek Wek é conhecida também pela atuação em campanhas de proteção aos refugiados e, como atriz, integrou o elenco do aterrorizante “Suspíria – A Dança do Medo”, ao lado de Tilda Swinton, que esteve em cartaz por aqui em abril de 2019.

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Agora, ela fecha o ano protagonizando as imagens que abrem o ambicioso projeto de Peter Lindbergh: o último de sua carreira e também da longa parceria com a Christian Dior. Alek foi clicada caminhando pela sempre nervosa Times Square, em Nova York, usando o New Look original da maison francesa, que revolucionou a moda no pós-Segunda Guerra Mundial.

Foto: Peter Lindbergh/Divulgação
Foto: Peter Lindbergh/Divulgação

O resultado se conecta com a estética de street style, mas elevado ao patamar de arte por meio do olhar afiado do fotógrafo alemão, morto em setembro. Batizado de “Dior/Lindbergh”, o coffee table book com 520 páginas, que sai pela editora Taschen, é dividido em dois volumes: “Archive”, com fotos publicadas ao longo dos últimos 30 anos em revistas de moda como a Harper’s Bazaar, e “New York”, com as imagens ambientadas em Manhattan.

“Sua ideia era fotografar 80 looks, representando a história da marca”, conta o curador e escritor de arte Martin Harrison na introdução do livro. Dá para imaginar a superprodução envolvida na realização do trabalho, que aconteceu em 2018. A Dior abriu seu precioso acervo em Paris, embalou cuidadosamente as peças e enviou tudo para os Estados Unidos, sem contar a estrutura, sempre desafiante, para realizar uma demorada sessão de fotos em ruas lotadas de gente.

Foto: Peter Lindbergh/Divulgação
Foto: Peter Lindbergh/Divulgação

Além de Alek, o fotógrafo convocou nomes como Karen Elson, Saskia de Brauw, Carolyn Murphy, Amber Valletta e Sasha Pivovarova. “Acorde, agora você vai para um dia infernal, vamos ver o que acontece”, disse Lindbergh às modelos no dia do ensaio, com seu tradicional carisma.

O resultado aparece em fotos realistas e, ao mesmo tempo, poéticas, quase sempre em preto e branco, que remetem, ainda, à fotografia documental e ao fotojornalismo. Estética que emprestou, inclusive, às campanhas da marca francesa, como à série “Lady Dior”, estrelada por Marion Cottilard, especialmente a imagem memorável da atriz equilibrando-se no alto da Torre Eiffel vestindo um conjuntinho sexy criado por John Galliano, em 2008.

Foto: Peter Lindbergh/Divulgação
Foto: Peter Lindbergh/Divulgação

Famoso por ajudar a consolidar o movimento das top models, Lindbergh (seu nome de batismo é Peter Brodbeck) nasceu em 1944, em Wartheland, território polonês anexado pelos nazistas. Pintor antes de enveredar pela fotografia nos anos 1970, ele chegou a ter estúdio em Düsseldorf e a integrar o time de fotógrafos da revista alemã Stern, que trata de questões sociais e políticas, ao lado de outros dois gigantes, Helmut Newton e Guy Bourdin.

Além da estética realista, é bem provável que venha desta época seu estilo de dar às modelos uma presença forte, o gosto por poses casuais e a aversão ao artificial, como excesso de maquiagem e retoques corporais. Esse foi o tom, inclusive, das fotos do calendário Pirelli de 2016, batizado de “Emotional”.

Foto: Peter Lindbergh/Divulgação
Foto: Peter Lindbergh/Divulgação

Em vez de jovens modelos em poses sensuais, reuniu um grupo de atrizes com idades entre 28 e 71 anos com o objetivo de realizar um trabalho, não sobre corpos perfeitos, mas sobre sensibilidade e emoção, “deixando a alma mais nua do que a própria nudez”, disse na época. Em “Dior/Lindbergh” ele reafirma todos os conceitos que posicionaram seu nome entre os grandes fotógrafos.

Assista ao vídeo:

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