Duda Beat: após um retiro de 10 dias ela estoura na música

Conheça a história de "sofrência" da autora do álbum "Sinto Muito"

by Felipe Stoffa
Duda Beat - Foto: Divulgação

Duda Beat – Foto: Divulgação

A voz é tão suave ao telefone que não dá vontade de parar de falar com Duda Beat. Eduarda Bittencourt – seu nome verdadeiro – nasceu no Recife, cidade que conserva no sotaque carregado e nas brasilidades de suas canções. Em abril, lançou o álbum “Sinto Muito” e marcou sua estreia no mundo musical. E também na carreira.

Duda não imaginava que a música ocuparia tempo integral. Há anos mora no Rio de Janeiro, onde escolheu cursar Medicina. No entanto, o fato não foi consumado. “Queria ser anestesista, curar as pessoas sem que elas tivessem dor. Nesse meio tempo, cantei com o Castello Branco e com a Letrux, no disco ‘Em Noite de Climão’”, diz.

Duda é mulher de amores. E isso se reflete na maioria das canções, quase todas de “sofrência”, como diz. Das paixões, vieram incontáveis tristezas e decepções. Cortes profundos marcados no coração, coisa de gente que se entrega à vida de cabeça. “Hoje tudo é muito líquido, acaba rápido. Sou romântica, dói. É como falo na última faixa do meu álbum: ‘Sou de outro tempo, de um amor que é para sempre’.”

Frustrada com a desclassificação no vestibular de Medicina, Duda foi cursar Ciências Políticas, graduação que completou neste ano. Frustrada com os amores, se jogou em um retiro de meditação de Vipassana, em 2015, a conselho de uma amiga. “Fui meio às cegas, não tinha contato com esse universo.”

Duda Beat - Foto: Divulgação

Duda Beat – Foto: Divulgação

Foram dez dias de imersão em si mesma, de tamanha intensidade que ela não consegue descrever. “É como se você entendesse o sofrimento, e a forma de ele ir embora. A partir do retiro, você consegue compreender certas coisas e aplicar na sua vida.”

Esses ensinamentos aparecem filtrados em “Anicca”, canção que abre “Sinto Muito” e dá o tom de toda a sequência. “Anicca significa impermanência, tudo na vida é impermanente”, diz. Após o retiro, Duda começou a escrever canções com mais frequência. Algumas saíram durante o isolamento, outras retiradas do baú. Reuniu um bom material e entregou para o amigo e produtor musical Tomás Tróia. “Cheguei na casa dele e falei: ‘Ó, tem essas músicas’. Fui mostrando, ele curtindo. Chegava com letras e melodias, e ele com o arranjo para fechar as ideias.”

Tudo foi tomando forma. As batidas sintetizadas e o enorme mix de referências cruzadas por Duda – desde brega até os anos 1980 – dão ao álbum uma estética original. Tem até inspiração em Sade, como na faixa “Back to Bad”. É para escutar do começo ao fim, sem interrupções.

Como quase tudo em sua vida, no meio da produção do disco, um imprevisto. Ela e Tomás se apaixonaram. “Pensava: ‘Meu Deus, será que é isso, será que vou ficar com ele? E se não der certo, como vamos trabalhar juntos?’. Um dia ele me ligou e falou: ‘Olha, eu te amo, mas se você não quer ficar comigo vamos seguir em frente’. E aí eu disse ‘ok’, bem fria mesmo. No dia seguinte, mandei: ‘Vamos tentar’. Nunca mais nos desgrudamos”, conta, aos risos.

Duda Beat - Foto: Divulgação

Duda Beat – Foto: Divulgação

“O disco foi incrível, um processo de cura. Ele trouxe o grande amor da minha vida, que, no final das contas, estava do meu lado”, reflete a cantora.

Agora, ela curte a nova fase e colhe os frutos da obra, enquanto prepara uma temporada de shows. Já tem planos de remixes, inclusive. “Bixinho”, a mais famosa do álbum, vai ganhar versão em espanhol. Fato é que sua música transcendeu e foi para fora do País. “No Spotify, vejo muita gente da Argentina e do Chile escutando. Vi um story de um menino chileno que dizia: ‘Adoro muito essa música, eu não entendo o que ela fala, mas acho o máximo!’.”

Além disso, a pernambucana tem se dedicado à produção de alguns clipes e novas parcerias. Com o amor de sua vida, mira o segundo álbum. Ainda com muita música de sofrência para pôr na roda, e no mundo. Mas e histórias de amor correspondido? “Só no terceiro!”, ri. Que já esteja ganhando forma. Assim como a Medicina, sua música cura. E te bota na pista. Tudo junto e misturado. E Duda se fez cirurgiã de seu tempo.

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