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Por André Aloi

Ellie Goulding lança nesta sexta-feira (17.07) seu quarto álbum de estúdio, intitulado de “Brightest Blue” (Universal). Nele, a cantora mostra um lado mais maduro enquanto compositora, relembra relacionamentos passados e conta à Bazaar que é um presente à mulher que se tornou. É como olhar o mundo pela perspectiva da teoria do copo meio cheio, dos otimistas.

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Na nova fase, a cantora deixa de lado o pop radiofônico para entregar letras e melodias mais contundentes. “Há um balanço porque em um lado sou inteiramente eu completamente vulnerável, honesta e aberta. O lado B é meu forte alter ego. É como se a Mulher Maravilha viesse à tona e cantasse essas músicas bem assustadoras.”

Nas cinco colaborações do álbum, a britânica contou com a participação de homens. Mas e as mulheres? Ela conta que só se deu conta há pouco tempo. “Gosto de trabalhar com pessoas muito distantes do que faço. Mas, não… É uma boa pergunta! Não sei porque não tem nenhuma colaboração feminina. Adoraria… se você tiver alguma recomendação, sinta-se à vontade para me dizer.” Leia a íntegra:

Em suas palavras, que história conta o “Brightest Blue”?

O lado A do “Brightest Blue” conta uma história de coisas que aprendi sobre mim mesma nos últimos anos. Como se fosse uma jornada de autoconhecimento. Ainda tenho algumas músicas que falam de relacionamentos passados, porque esse é um assunto que ainda me fascina. E o restante é como ir para um lugar para ir me descobrindo, sentir que eu já fui muito feliz ou muito mais pé no chão. E vejo que gosto de fazer música que traga esperança, resoluções e ponha as pessoas para cima.

Quais são suas faixas favoritas?

“Tides” e “New Heights”. “Tides” porque é cheia de vida e tem uma vibe de esperança muito poderosa! Eu falo sobre Nova York e das memórias engraçadas de quando morei lá por dois anos.

Esse álbum tem uma vibe totalmente diferente do anterior, que era carregado de pop e músicas dançantes…

Eu estava querendo me desconectar um pouco mais do meu antigo som e senti que era um passo natural fazer canções mais Pop, sabe? Então, fiz algumas músicas bem

criadas com o Max Martin (no Delirium). E acredito que me diverti, amei sair em turnê. Mas sempre achei que estava faltando uma conexão. E decidi que este álbum seria o oposto. Quer dizer, há um balanço porque em um lado sou inteiramente eu completamente vulnerável, honesta e de aberta. O lado B é meu forte alter ego. É como se a Mulher Maravilha viesse à tona e cantasse essas músicas bem assustadoras.

Nesse trabalho, você coloca as coisas de uma perspectiva olhando pelo “lado cheio” do copo. Você é uma pessoa otimista?

Sim, acho que é isso. Eu acho que, para mim, foi mais como aceitar que havia algum tipo de destino para todos nós. Mas o sentimento no lugar da totalidade por causa disso. E a sensação de não olhar muito para o futuro, apenas tentar viver o presente. A acho que, à medida que ajudamos, nos tornamos mais realistas.Sem pensar muito onde a vida está me levando e apreciando aonde estou.

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Não vemos sua vida tão explorada pelos tabloides. Como consegue manter a vida pessoal distante do spotlight? Você concorda que as pessoas não invadem tanto a sua privacidade?

Hum… Acho que as pessoas estão bem interessadas na minha vida pessoal. Mas eu acho que há um território em que as pessoas ouvem sua música e querem saber sobre quem é aquela canção. É a natureza humana por trás das fofocas, histórias e compartilhamento. Acho que é algo que conecta todos nós. E não me importo até certo ponto. É até desafiador hoje ter uma vida privada. Como as pessoas sabem tanto de mim? Acho que vem com o trabalho.Seu for muito honesta nas minhas composições. Tenho que esperar um certo interesse na minha vida pessoal. Então, eu aceito que sou meio que parte disso.

E qual a sensação de lançar um quarto álbum? Os primeiros são sempre os mais difíceis pelo que dizem…

Quero dizer, é bom. Sinto que estou em um bom lugar. Mal posso esperar para fazer uma

turnê com novas músicas.  Faz muito tempo desde a minha última turnê. Mas também faz muito tempo que não toco uma seleção totalmente nova. Isso é emocionante. Animada para ser inovadora com tecnologia na (nova) tour. Criar um mundo novo para o “Brightest Blue”.

Você anunciou a turnê para o ano que vem. Podemos esperar uma turnê mundial ou você vai fazer apenas Europa? Dá pra imaginar algo?

E esperamos poder retomar a turnê novamente no próximo ano. Atualmente, não consigo confirmar qualquer tipo de turnê mundial por razões óbvias. Espero que possamos nos comprometer com algo em breve porque sinto muita falta.

Você tocou no Rock in Rio, no Rio de Janeiro, no ano passado. Qual sua maior recordação?

Foi mágico e muito divertido, apesar da chuva. Todos nós nos divertimos muito. Pena que ficamos apenas poucos dias. No entanto, dei uma boa corrida no entorno da praia e… Eram todos os tipos de imagens, sons e cheiros. E foi isso que foi fantástico. Espero que da próxima vez o sol esteja brilhando um pouco mais. Então, não tive tempo suficiente para criar nenhuma memória, uma pena. Quem sabe o ano que vem será o ano para isso?

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Você tem cinco colaborações neste disco, todos são homens. Há algum motivo pelo qual não chamou nenhuma mulher?

Sempre gosto de fazer o que as pessoas não esperam que eu faça. Gosto de um desafio, de trabalhar com pessoas muito distantes do que faço. Mas, não… É uma boa pergunta! Não sei porque não tem nenhuma colaboração feminina. Não tinha me dado conta até

pouco tempo atrás, na verdade. Adoraria… se você tiver alguma recomendação, sinta-se à vontade para me dizer.

Recentemente, você declarou que perde mais de mil seguidores toda vez que posta alguma mensagem de ativismo (relacionada ao Meio Ambiente). Como encara isso?

Estou ciente que existam pessoas que talvez se sintam com medo de confrontar as coisas que estão acontecendo no mundo. Quando as pessoas postam sobre seu ativismo e coisas que se importam pode soar assustador para quem não está pronto para confrontar. E preferem viver em uma bolha, o que eu entendo porque a vida é estranha. E, às vezes, bastante difícil de lidar. E entendo que as pessoas querem ignorar as coisas. Mas nós vivemos neste planeta e todos contribuímos para as coisas que existem agora, ainda que a pandemia seja causada por humanos, invadindo demais o mundo natural. Acho que todos temos a responsabilidade de viver e respirar neste planeta.