William Eggleston - Foto: Divulgação
William Eggleston – Foto: Divulgação

Por Kênya Zanatta

Em 1976, uma exposição no Museu de Arte Moderna de Nova York provocou uma ruptura na história da fotografia. William Eggleston mostrava cenas prosaicas capturadas em estacionamentos, supermercados, motéis de beira de estrada e plantações do sul dos Estados Unidos. A liberdade formal na composição das imagens e o foco em temas antes negligenciados por museus de arte já eram surpreendentes. Mas escandaloso, mesmo, era o uso de tons vibrantes em uma época em que a fotografia colorida era relegada à publicidade e à prática amadora. Desde então, o catálogo dessa mostra se tornou um clássico, e a influência de Eggleston pode ser detectada no trabalho de artistas tão diversos quanto os cineastas David Lynch, Sofia Coppola e GusVan Sant, a fotógrafa Nan Goldin e o músico David Byrne.

Notoriamente avesso a viagens e entrevistas, William Eggleston vem ao Rio de Janeiro neste mês para inaugurar, no Instituto Moreira Salles, sua primeira grande exposição individual na América do Sul. A mostra A Cor Americana privilegia o trabalho realizado pelo fotógrafo de Memphis entre as décadas de 60 e 70, que resultou em um verdadeiro inventário do modo de vida norte-americano. Será ainda uma oportunidade rara de ver uma grande seleção de cópias em dye transfer, técnica de impressão fotográfica, praticamente desaparecida, que permite grande saturação de cores e se tornou marca registrada do artista. De 15 de março a 28 de junho, must visit!