Obra "Espacemental" - Foto: reprodução/Bazaar Art
Obra “Espacemental” – Foto: reprodução/Bazaar Art

Por Kenya Zanatta

Entre jovens apostas, artistas de longa trajetória negligenciados pelo mercado e nomes históricos que estão fora do radar, o setor Solo é uma mina de surpresas selecionadas pelos curadores Rodrigo Moura e María Inés Rodríguez.

“As escolhas não são ditadas por questões imediatas, é um setor que traz artistas menos óbvios, que não estão na moda ou não fazem parte do sistema do mercado de arte”, nota Rodrigo Moura. “É um espaço de pesquisa não só para o curador, mas também para o público e os colecionadores”, avalia.

Ele se diz entusiasmado por poder mostrar, por exemplo, obras de artistas baianos “que não são tão visíveis no Sudeste”, como o nonagenário Mario Cravo Junior, que fez parte da primeira geração de modernistas da Bahia, e o poeta e artista plástico Almandrade.

Apesar de a seleção não ter obedecido a nenhuma diretriz específica, Rodrigo Moura aponta o uso da escrita como uma das principais afinidades que apareceram entre vários dos artistas exibidos nesta segunda edição. O maior exemplo é o trabalho do paulistano Augusto de Campos, pioneiro na exploração da relação entre poesia e arte visual.

Outros artistas históricos resgatados são a americana Rosemarie Castoro, uma das protagonistas do movimento minimalista de Nova York, e o croata Mangelos, autor de obras singulares que utilizam carteiras escolares e globos redecorados com letras, palavras, frases e até textos inteiros em diferentes alfabetos.

No campo dos artistas emergentes, os curadores apostaram no peruano Sergio Verastegui. Ele organiza em suas instalações encontros poéticos de objetos e materiais variados, em uma releitura da arte povera. Outro trabalho em destaque é o de Carolina Caycedo, nascida em Londres, cujas intervenções urbanas exploram temas ligados às trocas culturais e econômicas e questionam as fronteiras entre produtores e consumidores, profissionais e amadores, arte e sociedade.